Analista Jurídico de Marília (SP) representa contra promotora de Olímpia

O caso da promotora de Justiça de Olímpia que teria menosprezado os seus assistentes em rede social, cujo caso foi aberto para investigação na Corregedoria do Ministério Público do Estado de São Paulo, ganha mais um lance.

Agora, um analista jurídico, advogado Ataliba Monteiro de Moraes Filho, de Marília (SP), protocolou na Corregedoria uma representação disciplinar.

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Conforme o Diário já divulgou (clique no link acima), a mensagem da promotora foi postada em um grupo restrito do Facebook, mas logo foi espalhada pela internet. “Complicado trabalhar com estes analistas. A pessoa entra às 9h e até às 13h30min faz dois processos digitais. Dois. Aí, você entrega um processo mais complexo e leva um, dois dias para finalizar manifestação de meia lauda. E depois querem passar em concurso. Tem que passar longe da aprovação. Com o tempo, esses analistas serão um problema, uma legião de frustrados que ganham pouco  e que se acham muito. Socorro!!!”, dizia a publicação.

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FALE MAIS, DOUTORA

O editorialista do site Giro Marília, Rogério Martinez, publicou um artigo intitulado ‘Fale Mais, Doutora’, no último final de semana, repercutindo o assunto:

Você leitor da coluna viu o caso da promotora de Justiça acusada de ofender e ridicularizar assistentes do Ministério Público? Se não viu, olhe AQUI. Mas se viu, eu preciso lhe dizer, ela está certa. É bem como ela disse: assistentes ganham pouco, ganham mal. E ela pode ajudar falando mais.

Pode começar falando ao comando do MP para melhorar os salários, falando ao comando do MP para controlar produtividade, falando em processos para buscar justiça social, valorização profissional, melhor formação e capacitação.

Vá lá que esse foi o único acerto em uma enxurrada de erros, mas um advogado que estuda o tanto que precisa estudar, que passa em um concurso concorrido e difícil, que precisa mostrar bom conhecimento, uma conduta adequada – e fiscalizada – e ainda corre o risco de aguentar ofensas, ganha mal.

São R$ 6.500. Advogados competentes e de boa formação – como a exigida para passar no concurso de assistente – ganham mais que isso fácil. Na verdade, ganham bem mais que a promotora também. É. Ela também ganha mal, só não sabe disso.

Não vou cair na provocação fácil de dizer que ela não merece nem o que ganha. Passou em concurso, tem atuação em uma das instituições mais sérias e mais necessárias do país, provavelmente ajudou a comunidade em diferentes e significativas atuações. O salário é muuuuito bom? Claro. Como salário, quase imbatível. Mas tem muita renda por aí – legal, suada – bem maior que salário.

Mas com o que é preciso saber para ser um bom promotor, tem advogado fazendo fortuna por aí. E sem a fiscalização, sem o controle externo na vida pessoal, até com muito mais facilidade para dizer idiotices seja nas redes sociais, em entrevistas e até em processos. E não só advogados, há diferentes funções e atividades que pagam melhor, com a vida mais fácil e falando bobagem à vontade em redes sociais, botecos, negociações.

A promotora e os assistentes mereciam ganhar mais, como as carreiras públicas todas, como o trabalhador em geral merecia ter renda muito maior se este país fosse mais justo. Justiça é um produto muito em falta. Melhorou. E na maioria das vezes com a interferência do Ministério Público e por causa dele.

Mais Justiça depende de acesso democrático à renda, aos serviços, à civilidade, à urbanidade. E o Ministério Público ajuda muito nisso. E é por isso que o caso da promotora virou polêmica.

Justiça depende acima de tudo de mais educação. E foi logo aí que a promotora errou. Não só pela falta de educação na questão da cordialidade, do respeito, mas de educação como formação mesmo em saber usar espaços públicos – como são as redes sociais – e saber conviver com o outro, com o diferente e até com menos capacitado.

Pode ser que ela tenha sido colocada para trabalhar com um assistente ruim, não existe fórmula para dizer que todos são bons. Assim como não se pode dizer são bons todos os promotores – alguns deles estão por aí em fraudes e até homicídios – ou juízes. E dá para corrigir. Como? Falando com as pessoas certas, da forma certas. Cumprir formalidade e caminhos corretos é básico na função de promotor.

Como qualquer cidadão, como qualquer profissional ela está sujeita a erros. Errou. Não estraga o trabalho que ela fez, não a anula como pessoa e profissional. Mas ela o fez falando como promotora, falando a outros promotores, no meio do expediente de uma segunda-feira. Não foi papo de bar.

O mínimo que se espera dela é uma nova mensagem,  que pelo jeito não circulou, com uma informação básica, que não precisa estudar e nem ganhar bem pra escrever: Desculpem, falei bobagem. Não resolve o caso, mas será uma postura grande, daquelas que se espera de promotores.