Queimadas criminosas provocam prejuízos de R$ 2,2 bilhões aos produtores de cana

O fogo se aliou à grave estiagem no Estado de São Paulo para alterar ainda mais as previsões de moagem da cana-de-açúcar para a safra 2014/2015. Incêndios acidentais e criminosos nas áreas de cultivo foram apontados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única) como o segundo principal fator para a redução da produtividade do setor.

Segundo a entidade, o Estado já perdeu 5% dos 4,5 milhões de hectares plantados nessa safra, provocando prejuízos aos produtores que podem chegar a R$ 2,2 bilhões, consideração o pior cenário possível – que é quando o fogo atinge talhões com planta abaixo do tamanho ideal de corte. Isso faz com que toda a área precise ser roçada, com perda completa do ciclo agrícola e prejuízo de até R$ 10 mil por hectare.

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O efeito também é prolongado nesses casos. Quando o incêndio atinge as áreas já colhidas em que a cana-de-açúcar está rebrotando para dar início a um novo ciclo de crescimento vegetativo, observa-se atraso significativo no desenvolvimento da planta, com perda de produtividade na safra seguinte. “Essa situação gera o risco de a área não ter ponto de corte na próxima safra”, afirma o diretor técnico da Única, Antonio de Pádua Rodrigues.

Por fim, mesmo nos canaviais para os quais a colheita tenha sido autorizada, o incêndio gera sensível prejuízo à usina devido à diminuição da produtividade e da qualidade de matéria-prima, já que nessas condições a cana-de-açúcar precisa ser processada antes da sua plena maturação e desenvolvimento. Estima-se que a perda média nessa condição alcance R$ 1,5 mil por hectare no Estado de São Paulo (mais de 15% do faturamento).

As estimativas da Única para a safra 2014/2015 apontam uma redução de aproximadamente 15% na produtividade agrícola da área a ser colhida, com uma perda de quase 40 milhões de toneladas de cana.

Segundo a Única, muitas vezes os incêndios são atribuídos erroneamente aos produtores de cana-de-açúcar, devido ao processo de queima da palha.

Porém, desde 2007 o setor vem atendendo ao Protocolo Agroambiental, estabelecido de forma voluntária junto ao governo do Estado de São Paulo para a antecipação dos prazos de eliminação da queima na colheita da cana-de-açúcar. “Devido ao protocolo, o Estado de São Paulo já está com 90% de sua colheita mecanizada. O setor produtivo realizou um esforço enorme para acelerar o término do uso do fogo e superou de forma significativa o cronograma previsto para a redução da queima controlada”, afirma a presidente da Única, Elizabeth Farina.

O dobro de incêndios

A seca observada ao longo de 2014 aumentou bastante o número de focos de incêndios em todo o Estado. Apenas em Rio Preto, de janeiro a setembro, o número de focos de incêndio saltou de oito, em 2013, para 20, segundo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A estiagem também tem contribuído para que a qualidade do ar em Rio Preto fique pior. Segundo dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), em agosto, a quantidade de partículas inaláveis que são maléficas para a saúde atingiu a concentração de 71 microgramas por metro cúbico, valor acima da média aceitável determinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como afirma Carlos Eduardo Komatsu, gerente do Departamento de Qualidade Ambiental da Cetesb.

“O recomendado pela OMS é de no máximo 50. No entanto, o resultado não é tão ruim, considerando o clima atual e o período. Nós trabalhamos com 120 microgramas por metro cúbico como o limite”, diz o executivo da Cetesb.

Temor de reajustes

Com a redução na expectativa de moagem e os problemas com as queimadas, a questão que surge é a seguinte: como isso vai afetar o consumidor? Segundo o diretor técnico da Única, Antonio de Pádua Rodrigues, de nenhuma forma. “O mercado está ‘ofertado’, temos produto reserva e, apesar dos problemas, a safra do ano que vem não deve ser afetada. Os produtores precisam, por regra, manter um estoque de 8% do total para a safra seguinte e as distribuidoras um estoque de 15 dias.”

No entanto, para o economista Hipólito Martins Filho, de uma forma ou de outra o bolso do consumidor será afetado. “Estamos diante de um cenário complicado. A oferta do etanol já está equiparada com a demanda existente no mercado. Com a redução na expectativa de moagem e o aumento na porcentagem de etanol na gasolina, é bem possível que haja aumento no preço do produto.

Além disso, a nossa frota está cada vez maior.” Mesmo para quem não utiliza o etanol, um eventual reajuste de preço poderá impactando no bolso. “A alta no combustível influencia na inflação. Para resolver a situação do etanol é preciso mexer na gasolina, algo que o governo não deve fazer agora”, afirma o economista.

Fonte: Diarioweb

Efeito das queimadas: morte de trabalhador em canavial e caminhão incendiado

Os constantes incêndios em áreas verdes, inclusive de forma aleatória e criminosa, além do mal à saúde da população, acarretando problemas respiratórios entre outros, já faz algumas vítimas, inclusive fatal.

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Um caminhão pegou fogo na rodovia Feliciano Salles Cunha, entre Monte Aprazível e Neves Paulista, no início da tarde desta quarta-feira, 27. Testemunhas que passaram pelo local disseram que o caminhão estava carregado com papelão e a faísca de um incêndio à beira da rodovia teria ido para dentro da carga. Cerca de cinco quilômetros depois de ter passado pela queimada o caminhão teria pegado fogo.

E um homem de 42 anos, que morava em Jaborandi, morreu na tarde de ontem, terça-feira, 26, enquanto combatia um incêndio em Barretos.

O trabalhador Luciano Pereira, 42, trabalhava em uma fazenda no quilômetro 13 da vicinal que liga Barretos a Morro Agudo.

Segundo o boletim de ocorrência, ele teria subido em um caminhão-pipa para operar um esguicho de água quando, por causas desconhecidas, teria caído no chão, sendo atropelado pelo próprio veículo. Ele será enterrado em Jaborandi.

Fonte: Diarioweb

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Queimadas no Quintas das Aroeiras persistem em flagrante desrespeito à lei

Mais uma vez, nesta tarde de segunda-feira (5), o desrespeito pela saúde pública, e pela lei municipal que proíbe queimadas dentro do perímetro urbano, é desrespeitado no residencial Quintas das Aroeiras.

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A fumaça do mato invade as casas vizinhas, em grandes lotes. Proprietários preferem atear fogo do que capinarem como manda o correto procedimento.

Moradores já reclamaram para a Prefeitura algumas vezes e prometem ir ao Ministério Público se este cenário persistir.

NO SÁBADO DE DIA

NO DOMINGO À NOITE

O Diário fez duas filmagens neste final de semana do fogo no local e, nesta tarde, uma terceira ocorrência, em plena luz do dia, sem nenhum respeito ao próximo.

Queimadas cobriram Barretos de fumaça

* Diário de Barretos – “Um desastre de grande impacto ambiental”. Assim o secretário de Meio Ambiente, Mauri Trevisan, definiu as queimadas em Barretos no domingo (12). Usina Guarani auxiliou no combate às chamas – áreas são de colheita mecanizada.

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Os bombeiros registraram sete focos de incêndio em matas e canaviais. Quatro deles ocorreram em propriedades rurais na estrada velha para Guaíra, um no bairro Nova Barretos e dois nas proximidades do distrito de Alberto Moreira. Leia mais…