Ser Resilente

Por Ivanaldo Mendonça — Conceito oriundo da física, resiliência é a propriedade que um material possui de voltar ao seu estado normal após sofrer tensão. Aplicado à ecologia, é a capacidade de recuperação de um ambiente frente a um impacto; no mundo dos negócios, caracteriza pessoas com capacidade de retornar ao equilíbrio após sofrer grandes pressões ou estresse; para a psicologia, é a capacidade em lidar com problemas, superar obstáculos, resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto.

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Palavra da moda, utilizada para designar um atributo humano, resiliência tem sido interpretada por muitos, inclusive profissionais, como um aplicativo, uma peça que pode ser acoplada a pessoas, equipes e organizações. Para além disso, ser resiliente consiste num conjunto de fatores que gera tomada de decisão, escolha e atitude de superação perante contextos de tensão. Mais que ao fazer e executar, resiliência pertence à ordem do ser. É, portanto, elemento fundamental, inerente, constitutivo do ser humano.

As demandas atuais nos interpelam. Ao mesmo tempo em que desfrutamos de um momento ímpar no processo de evolução da humanidade, que em milésimos de segundos coloca o mundo ao nosso alcance e disposição, gozamos de rapidez, praticidade e informações, deparamo-nos com uma geração fraca e vulnerável. O mínimo de tensão ou pressão gera desânimo, desistência, depressão, desencanto, auto-destruição e destruição do outro, expressas de tantas formas. Acomodação e conformismo são antônimos de resiliência.

Entre as possíveis causas deste desequilíbrio que gera sofrimento pessoal e coletivo está a falsa consciência, conceito e prática que considera felicidade sinônimo de facilidade e mínimo esforço. Nossa sociedade convencionou eliminar os desafios da vida das pessoas, interpretando-os como problemas. Queremos que a criança aprenda a caminhar sem cair e esfolar, privando-a de viver intensamente experiências que lhe darão reais condições de superar obstáculos ao longo da vida, criando recursos para suportar pressão e retomar ao equilíbrio, sem traumas.

Ser resiliente é participar da seleção natural à qual o ser humano está submetido, garantindo sobrevivência, desenvolvendo a capacidade de construir-se, positivamente, frente às adversidades, com maturidade, equilíbrio e responsabilidade. Autoestima consistente, independência, iniciativa, humor, criatividade e senso crítico, somados a valores atemporais, edificam e conferem sentido a este longo e contínuo processo de aprendizado. Sejamos resilientes!

 

  • Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia

Psicólogos da Assistência Social participaram de seminário estadual do CRP

Olímpia esteve representada por 10 psicólogos da Assistência Social no 3º Seminário Estadual sobre Psicologia e Assistência Social, em São Paulo. O evento do Conselho Regional de Psicologia foi realizado na Universidade Paulista, UNIP, no Campus Indianópolis durante no último final de semana (20 e 21).

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O seminário esquematizou-se em oficinas, palestras, painéis e conferência acadêmica e promoveu debates sobre problemas práticos e cotidianos nos serviços e construção de propostas da assistência social e da presença da psicologia nesta política pública.

Para encerrar o evento, os participantes presenciaram uma exposição de painéis com a temática de desafios e perspectivas para valorizar o trabalho social, qualificar os serviços ofertados e efetivar o SUAS como política pública de garantia de direitos.

Os painéis foram apresentados por Stela da Silva Ferreira, mestre e doutoranda em Serviço Social pela PUC-SP; Maria Isabel Cunha Soares, advogada, mestre em Direitos Humanos pela USP; Marcos Melão, participante do FETSuas-SP e Secretário Geral do Sindesp, Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo; e Anderson Lopes, com MNPR- protagonismo de pessoas usuárias. A exposição foi coordenada por Joari Aparecido Soares de Carvalho, Conselheiro do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo – CRP 06.

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A Diretora de Divisão dos Direitos Humanos, Talita Carvalho, aponta um panorama positivo do seminário para Olímpia: “Foram dois dias de palestras, oficinas e discussões com psicólogos do Estado inteiro sobre políticas públicas no qual agrega muito conhecimento”.

Por sua vez, a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, primeira dama Ana Cláudia Zuliani,  ressalta que “eventos como este estimulam a formação e qualificação profissional da equipe, que pode ter um espaço de reflexão e aprofundar os conhecimentos”.

Os psicólogos olimpienses foram convidados a conceder uma entrevista para a CRP – SP sobre a atuação em Olímpia, já que cada psicólogo está em uma área de atuação da Assistência.

Prefira o desconforto

Por Ivanaldo Mendonça – Diploma, casa, carro, bom emprego, status e estabilidade financeira são critérios utilizados para caracterizar pessoas bem-sucedidas e vitoriosas. Educados e estimulados a entender conforto como sinônimo de felicidade, nossas metas pessoais, profissionais e espirituais são regidas pela ânsia em atingir níveis e padrões estabelecidos pela sociedade. Através de pesquisa aplicada em 700 pessoas, homens e mulheres, acima dos sessenta anos, todos bem sucedidos, Daniel Goleman, estudioso do desenvolvimento emocional, identificou como sendo seus principais fatores motivacionais, em primeiro lugar, o desafio criativo, o estímulo do próprio trabalho e a oportunidade de continuar aprendendo; em segundo, o orgulho em fazer as coisas, as amizades e a oportunidade de ajudar as pessoas. Status e ganho financeiro apareceram bem depois.

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Percebe-se que, após um longo e árduo percurso, muitos dos que atingem e até superam os padrões estabelecidos gozam de conforto, mas não de felicidade; outros, sequer, conseguem desfrutar dos recursos adquiridos; muitos ainda, paralisados, desencantados, sucumbem à depressão. Importante refletir sobre as possíveis causas deste fenômeno.

A psicologia dispõe do conceito de ‘zona de conforto’ referindo-se a ações, pensamentos e comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter, que não causam medo, ansiedade ou risco, dando-lhe sensação de segurança e estabilidade. Embora perseguida obstinadamente como o pote de ouro no fim do arco-íris, a zona de conforto, ao mesmo tempo em que possibilita tornar realidade sonhos, desejos e necessidades, limita, aprisionando-nos numa única forma de ser, pensar, sentir e agir, tornando-nos vítimas conscientes da acomodação. Os efeitos desse fenômeno podem ser percebidos quando temos que lidar com situações não previstas em nosso repertório intelectual, emocional e comportamental, diante das quais não sabemos como reagir, assumindo posturas extremas.

A criança aprende a buscar o equilíbrio enquanto está em desequilíbrio ensina o educador Piaget. Precisamos do desequilíbrio para atingir o equilíbrio, situações de instabilidade nos impulsionam à busca pela estabilidade. Somos estimulados a permanecer na zona de conforto, geradora da acomodação. O desafio está em buscar a zona da limitação e desconforto que, a princípio incomoda, exige capacidade de elaboração e reconstrução em todos os sentidos e dimensões. O desconforto ativa nossos potenciais e desafia-nos à auto-superação. “Grandes empreendedores estão confortáveis em estar desconfortáveis”, ensina Steve Blank. Busque o conforto, prefira o desconforto!

* Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia, [email protected]

Exercitar Corpo e Alma

Por Karina Younan — Indissociáveis as condições mentais do bem estar físico, ou o reflexo das condições mentais no corpo humano. No âmbito dos mais esclarecidos, desnecessário frisar a importância da atividade física e de uma boa alimentação, mas sempre vale a pena relembrar : nosso corpo se relaciona diretamente com nossos sentimentos, história de vida e pensamentos. Reflete nossas marcas, registra neurologicamente nossas impressões e experiências.

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O corpo como morada da alma, bendito na Grécia de Platão, muito além da apologia ou culto à beleza física como um fim. Fazer atividade física com regularidade, alimentar-se de forma saudável e intervalada, estabilizando o sono e os hormônios, geram o bem estar que devemos introduzir em nossas vidas.

É muito importante, para quem deseja o fortalecimento emocional, regular o organismo obtendo um metabolismo de ajuda, com energia. O cansaço físico também se transforma em cansaço mental, grande vilão do bem estar entre as pessoas.

Se alguns desenvolvem muitas atividades, encontram espaços para cuidar de si e de seus afazeres, organizam melhor o tempo e fazem distribuições mais saudáveis de energia, isso se reflete em sua auto estima, no otimismo do pensamento e consequentemente no próprio bem estar. Podemos estabelecer estas mudanças de forma gradual em nossas vidas.

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Para educar, cuidar dos filhos, investir em relacionamentos e até para conversar com paciência precisamos afastar o cansaço e a preguiça. Dá para discutir com uma mulher na TPM? Falar com um homem com fome?

A falta de energia causada por falta de vitaminas, anemia, sobrepeso, acúmulo de funções, depressão ou excessos no ritmo de vida nos impede de buscar novas possibilidades: outro emprego, um relacionamento melhor, disposição para os outros e para o trabalho.  Mesmo o lazer fica para depois.

Persistência e determinação, metas realistas com boa alimentação e a prática de atividades físicas: o metabolismo irá aos poucos elevando seu ritmo com ganhos em todos os aspectos, físico e mental.

Os benefícios estão em toda parte: na diminuição de problemas de saúde, dores, depressões, melhora da auto estima, da estética, da disposição, do humor. A primeira medida para o fortalecimento emocional começa com estabelecer mudanças comportamentais, atentar-se para você.

Até os níveis de inveja cedem quando as pessoas passam a cuidar melhor de si e a disciplina e organização são as bases para essas mudanças. Decida-se a melhorar sua vida, começando pelos pequenos hábitos! Acho perfeita a frase de John Locke, o filosofo do positivismo: “Mente sã em um corpo são, é uma descrição curta, mas completa, de uma condição feliz neste mundo. Aquele que tem ambos, tem muito pouco mais a desejar; e aquele que deseja ambos, será um pouco melhor em tudo”.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

Amores Tarja Preta

Por Karina Younan – Felicidade sempre esteve associada à simplicidade, a olhar para o que se tem, querer o que é possível, focar nos benefícios e não se prender às dificuldades, erros, faltas. Valorizar o esforço, ser generoso.

Não é um conceito que aceita muita variação, perde feio para as centenas formas de ser destrutivo em um relacionamento, a infelicidade é muito mais criativa.

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Alguns vivem relacionamentos tão amortecidos, anestesiados e chatos que é de se duvidar que exista um sopro de vida ali dentro, a rotina é… esperar a morte chegar. Outros se digladiam sistemática e repetidamente (e os motivos nem variam, passam anos batendo nas mesmas teclas, dá até pra ouvir o bémbémbém…) outros alternam dor e prazer e se ofendem na mesma medida em que se amarram, brigam pra fazer as pazes e vice versa. Os que observam do lado de fora vivem tentando acudir, separar e ajudar, até que percebem a dinâmica e se irritam com a dupla. Cada um que sustente o próprio sadomasoquismo, é justo. Outro tipo muito comum seria cômico se não fosse tão… odeio, mas não consigo viver sem.

O "ne me quites pas" do amor esquece que todas as receitas foram postas e examinadas, não adianta inventar.

Não adianta inventar que existem vidas mais importantes que a sua e que depois de cuidar dos filhos, da casa, do trabalho, dos pais, dos netos, dos amigos, dos vizinhos e do papagaio, você cuidará de sua felicidade. Isso não é humildade, é auto abandono. Basta de fugir.

Abra a janela deste quarto escuro aonde você vive fantasiando que existe vida confortável e sem problemas e a sua é só dilemas e dificuldades. Que você não tem tantos recursos quantos as outras pessoas e que a felicidade existe, mas não é pra você. Isso não é modéstia, é suicídio martirioso.

A receita é simples, os manuais estão em toda parte.

Cultive, cuide, olhe, escute. O bolo que o marido gosta, uma flor pra sua mulher. Quanto consolo não retiramos das pequenas atenções, das pequenas delicadezas. Voltar de viagem no dia do aniversário dela, ser generosa em elogiar as qualidades dele, não custa tanto assim.

Se a sua rotina está repleta de deslealdades e desatenções, se vocês não tem objetivos em comum e consultam diariamente seus medos e frustrações, colecionam erros do outro, se agridem desmesuradamente e não se lembram mais de como era viver antes do tarja preta, talvez vocês já tenham ido longe demais. Se ninguém mais sabe pegar o caminho de volta, precisam de ajuda profissional, ou vencer o medo de enfrentar o mundo. A vida não é só o estreito quadrado do relacionamento, e sem a mínima auto confiança não se atravessa um quarteirão.

Se as faltas não foram tantas ou tão graves, recomece. Trocaram a alegria pelo comodismo? A luta pela frustração? Aonde foi que se perderam? Você precisa admitir que escolheu esse caminho, podia ter passado por cima de um monte de bobagens. Podia observar que o outro estava ali. Não do jeito que você queria ou até merecesse, mas estava se esforçando também. Eu desafio você a se lembrar de tudo o que seu companheiro fez, tudo a que ele se priva, a luta que ele tem pra se fazer melhor compreendido dentro do relacionamento de vocês, e desafio você a correr o risco de observar sua vida melhorar.

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Não espere que o mundo mude algo em sua vida, tome as rédeas. São quase 7 bilhões de umbigos para girar em torno. Ia cansar esperar chegar a sua vez, espere não.

Resgate o carinho, quem está com você hoje lutou pra estar ali. Enfrentou seus caprichos e manias, sofreu, persistiu. Cadê aquele caminhão de sal que você dava? Vocês já foram apaixonados.

O amor é mesmo a única revolução verdadeira, a única que vale a pena. Acredite que você pode, merece e deveria ter uma vida melhor. Não existe razão para não se tentar, o risco que se corre é o de ser feliz.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

Psicologia e Espiritualidade

Por Karina Younan – A psicologia moderna estuda a busca que todas as culturas, nas suas mais diversas épocas, compreenderam qual seria o caminho do fortalecimento emocional. No oriente o Dalai Lama é o título do líder religioso e temporal do budismo tibetano. O Dalai Lama atual, décimo quarto da escola Gelug, é Tenzin Gyatso e ele resumiu em um belíssimo texto, dez itens que seriam os ladrões de nossa boa energia psicológica:

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Primeiro: Afaste-se daquelas pessoas que só chegam para compartilhar queixas, problemas, histórias desastrosas, medo e julgamento dos outros. Se alguém procura uma lata para jogar o lixo que tem dentro, que não seja na sua mente. Segundo: Pague as suas contas a tempo. Ao mesmo tempo, cobre aqueles que te devem ou escolha deixar para lá, se você já percebeu que é impossível receber.

Terceiro: Cumpra as suas promessas. Se você não cumpriu alguma, pergunte-se o porquê desta resistência. Sempre você tem o direito de mudar de opinião, de se desculpar, de compensar, de renegociar e de oferecer outra alternativa diante de uma promessa não cumprida, mesmo que já um costume. A forma mais fácil de evitar o não cumprimento de algo que você não quer fazer é dizer “NÃO” desde o começo. Quarto: Elimine, dentro do possível, e delegue aquelas tarefas que você prefere não fazer, dedicando o seu tempo àquilo que, sim, você desfruta fazer.

Quinto: Dê permissão a você mesmo para um descanso, quando você estiver em um momento que o necessite e dê permissão a você mesmo para agir quando estiver em um momento de oportunidade. Sexto: Jogue fora, recolha e organize… nada te tira mais energia que um espaço desordenado e cheio de coisas do passado que você já não necessita.

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Sétimo: Dê prioridade à sua saúde, sem a máquina do corpo trabalhando ao máximo, você não pode fazer muito. Tome tempo para perceber o que seu corpo está te dizendo. Oitavo: Enfrente as situações tóxicas que você está tolerando, desde resgatar um amigo ou um familiar, até tolerar ações negativas de um companheiro ou um grupo. Tome a ação necessária.

Nono: Aceite. Não é resignação, mas nada te faz perder mais energia que o resistir e brigar contra uma situação que você não pode mudar. E, finalmente, Décimo item: Perdoe… deixe ir uma situação que está te causando dor… você sempre pode escolher deixar ir a dor da recordação.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

Homens são de Marte e as Mulheres de Onde Quiserem!

Por Karina Younan – Recebi um pedido do Diário de Olímpia pra escrever sobre a influência das brincadeiras no comportamento e na sexualidade das crianças. Será que brincar de boneca faria mal aos meninos? E jogar bola, masculiniza? Um participante do blog registrou que o papo já era careta, mas essa discussão ainda dá um caldo.

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Os homens ainda associam o “enfrescuramento” à perda de virilidade, como se aprender combinações e estilos de roupa, sapato e cabelo (e o que dizer de vinhos e gastronomia), não lhes tivesse feito um bem enorme. O charme do pai que sai sozinho com os filhos, sacola a tiracolo ou mamadeira no bolso, é ganho enorme para a humanidade – vai além de conseguir trocar o pneu ou conhecer o carburador. E nós sempre soubemos.

Uma arma de brinquedo nunca seria responsável pelo comportamento agressivo de uma criança, quem pensa um negócio desses, no mínimo limita seus conceitos não entendendo que as mensagens pra uma criança precisam de contexto. Arma de brinquedo não faria alguém mais ou menos violento, por que ela simboliza uma ação, é uma representação apenas .

Por outro lado, nascer homem e nascer mulher abrem um leque de comportamentos permitidos e estimulados em nossa sociedade, e fecham outros. Um exemplo é o da criança chorona, permitido para as meninas e temido no mundo de Marlboro.

A fixação é que preocuparia os pais, certamente com receio da desadaptação social. Se somos sexistas e preconceituosos, logo isso também se reflete nas brincadeiras. Convenhamos, enquanto um pai não garante a heterossexualidade do filho homem, ele não sossega!

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Na real, eles adoram brincar de boneca, e sabem que os pais não gostam de vê-los praticando esta atividade (a menos que estejam no papel de Ben, o namorado da Barbie, daí a situação não os coloca de forma passiva ou se subjugando a uma mulher.)

O problema é estar na atitude de passividade, como quando começam a namorar e os pais, ou os colegas e amigos machistas os observam se sujeitando aos desejos da namorada. Que pressão eles sofrem!! Como a masculinidade é agredida e zoada quando o amor aparece pra eles! e como faria bem às meninas jogar mais bola, correr e extravasar como os meninos!

Em um congresso sobre psicologia do esporte uma garota me perguntou se existia resistência dos atletas em obedecer uma mulher. Respondi em tom de provocação, que não conhecia nenhum homem que ainda não tinha entendido que ia obedecer uma mulher daqui pra frente. A plateia, formada por técnicos, atletas e profissionais da educação física, em sua maioria homens, depois de muito rir, passou a aplaudir a deixa. Era brincadeira, só que não.

Se os homens descobriram Marte aumentando seu contato na educação dos filhos, as mulheres ganharam um novo universo se aventurando no mundo corporativo, social, econômico, sexual. Galáxia tomada, jamais renunciaremos a ser livres.

Mas tanto o contato maior dos homens com os filhos melhorou a educação das pessoas, como o contato das mulheres com o poder, contribuiu para a gestão dos negócios. Temos muito a mesclar e enriquecer com a contribuição e o olhar diferenciado. A praticidade masculina e o tradicional zelo feminino não se perderão ou enfraquecerão neste caminho, só temos a ganhar.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

Cultivar o Bom Senso

Por Ivanaldo Mendonça — Levado às pressas ao ortopedista por uma destas ‘ites’ da vida, aguardava ser chamado quando adentrou ao consultório uma senhora com o braço esquerdo engessado. Cumprimentou a todos e, após os procedimentos de praxe, sentou-se ao meu lado; reconhecendo-me, dirigiu elogios aos meus escritos e postagens. Lisonjeado agradeci e perguntei sobre seu estado de saúde. Explicou: na tentativa de limpar um armário caíra do banquinho. Por pouco não se ferira por inteiro. O resultado: um braço quebrado.

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À descrição do fato ela acrescentou: “Sabe por que isso aconteceu? Perfeccionismo! Quis fazer as coisas de forma perfeita, na verdade, do meu jeito; não me dei conta de que o prejuízo poderia ser grande.” Parecia estar diante de uma pessoa sensata; ela expressara de forma clara e objetiva que as consequências sofridas foram ocasionadas pelo domínio de um forte traço de sua personalidade: o perfeccionismo. Sensatez é a capacidade de raciocinar, apreciar e julgar com clareza, entendimento, prudência e discernimento.

Continuou. “Onde já se viu alguém, na minha idade, ignorar que o peso dos anos sobre os ombros? Não sou mais uma menininha”. Senso de realidade é a capacidade de ver as coisas, de fato, como elas são. “Não me é mais possível fazer certas coisas, mas é muito difícil aceitar isso. Preciso aprender que, em virtude da idade e tantas outras coisas, tornei-me limitada. Preciso entender que limitação não é defeito”. Senso de descontinuidade é a capacidade de perceber e aceitar que as coisas mudam.

Silêncio… Brindou-me com uma gostosa gargalhada: “Mas é bom pra gente aprender não é mesmo? Criança que enfia o dedo no buraco da tomada só pode levar choque”. Apesar do desconforto, esbanjava senso de humor. A capacidade de brincar e rir de si mesmo ameniza o peso da dor. “Sabe, de tudo nesta vida, mesmo das coisas ruins a gente precisa tirar uma lição”. O senso de aprendizagem nos dá esta possibilidade: aprender sempre. Concluiu: “A vida continua! Devagar a gente chega lá com a graça de Deus e a companhia de pessoas que nos ajudam a ser, cada dia, melhor”. Esperança, confiança, alegria e fé, revelavam seu senso de continuidade, a capacidade de seguir adiante.

Chamada ao balcão soube que deveria fazer novos exames. Sorridente, despediu-se, seguiu seu caminho. Segundos depois, dei-me conta de o quanto havia ganhado e aprendido. A consulta me aliviaria as dores do corpo; aqueles poucos, mas intensos minutos de convivência e partilha já me haviam curado, um pouco mais, a mente, a alma, o coração e o espírito. Dirigindo-me à sala do médico, olhei para minha mão que insistia em doer, sorri e agradeci: obrigado por me haver trazido aqui. Pessoas de bom senso fazem toda diferença, para melhor! Cultivemos o bom senso!

Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia – [email protected]

Dá pra administrar o ‘Mimimi’?

Por Karina Younan — Quem tem filho adolescente tem angústias, e elas se intensificam quando o filho começa a apresentar problemas com seu grupo social. Para qualquer adulto é difícil observar a extrema rejeição e agressividade que eles tem ao lidar com os colegas. Vai além do bullying, por que não é prática repetida ou intencional, eles ofendem como se estivessem respondendo à uma agressão sofrida. Se sentem vítimas, enquanto agridem e retaliam seus pares.

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Meninas pré adolescentes sentem mais raiva e tristeza que garotos da mesma idade quando enfrentam decepções causadas por amigos. É o que revela pesquisa realizada na Universidade de Duke, nos EUA, com 267 pré adolescentes de 9 a 11 anos. Publicado pelo periódico Child Development, a pesquisa reforça que os jovens demonstram agressividade e desejos de vingança em situações de quebra de confiança.

Embora eu trate do assunto em temas relacionados à psicologia e tenha consciência da imaturidade para o outro que esta idade ainda conserva, ainda assim, me espanta como os episódios tem aumentado em grau e volume.

Recentemente uma pré adolescente me revelou que só conseguiu adaptar-se ao ambiente escolar quando desenvolveu uma “máscara-ego”. Em estudos anteriores esse evento, que teria um formato inconsciente, receberia pela psicanálise o nome de “falso self”, um mecanismo de defesa que protegeria a natureza insegura, frágil e temerosa da personalidade (de todos nós, diga-se de passagem…). Diz que externamente se apresenta ousada, engraçada e segura, exatamente como as colegas esperam dela, para ser aceita.

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Aos 11 anos, com tamanha percepção?

O contato social é sempre difícil, os grupos não são homogêneos em educação e valores, mesmo dentro de uma mesma sociedade, mesma escola, mesma sala de aula (e pretendemos que eles se preparem para a ainda mais selvagem vida, a do trabalho). Ouço com horror os episódios de degradação pessoal entre os jovens, do colegial à pós graduação, e como mãe ainda posso acrescentar que o estômago arde com a temperatura que chega o mimimi.

Não adianta apelar para a conservadora aula de educação moral e cívica, estamos mesmo sem moralidade e civilidade. Os pais em seus dentinhos e bolas queimadas são tão imaturos e agressivos quanto o espelho que os filhos revelam. Tão cheios de paixão e razão que não enxergam o bem comum, acima de suas proles. O que nos tornamos longe do facebook? E aonde está a escola, se ela se omite? Como educar para a contenção e correção, em ambiente perverso e caótico?

Para apoiar a auto estima e fortificar nossos filhos, afastá-los de desavenças e degradações pessoais, tenho recebido sugestão de grupos de discussão, e os considero extremamente valiosos. Precisamos mesmo nos armar e nos antecipar aos eventos que aí estão. À falta de consideração alheia!

Que nossos bens mais preciosos, nossos filhos, não sejam vítimas do desamparo e sadismo alheio… se não der pra brincar de outra coisa, melhor nem descer pro play.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

Adolescência, o momento de partir

Por Karina Younan – Quando ainda somos crianças, as coisas parecem se resolver por nós, as regras são ditadas pelos adultos e o futuro é uma palavra que designa algo muito distante. Já na adolescência outras exigências se impõem, ter que escolher uma profissão é uma delas, e muitos conflitos surgem por causa dessa necessidade.

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Além disso, a vida se abre às primeiras paixões, as primeiras desilusões, a incerteza de ser amado ou atraente o bastante, e o vale tudo para ser aceito entre os amigos. Atender às expectativas dos pais e Medo do futuro e de não conseguir tudo aquilo que deseja. Difícil entender as mudanças que acontecem nessa fase da vida e as dificuldades se refletem as emoções.

A cena é conhecida: um mau humor, vindo não se sabe de onde, uma irritação em relação a tudo o que os outros fazem ou dizem, principalmente quando esses outros são os pais ou irmãos e a permanente sensação de que ninguém é capaz de entender seus sentimentos ou pensamentos.

Infelizmente, todos esses conflitos não se resolvem facilmente. A insatisfação com vários aspectos da própria vida, as incertezas sobre o amor e as angústias em torno da profissão acompanham as pessoas pela vida afora. A partir do momento que a criança põe o pé fora de casa e passa a ir à escola, ela ganha batalhas que precisa resolver sozinha.

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Muitos pais não estão preparados para deixar os filhos resolverem seus problemas ou errar, arcar com as consequências de suas atitudes e com isso crescer. Querem resolver todos os problemas que pensam que os filhos tem: namoro, colegas, estudos… envergonham e infantilizam os rebentos, e não os desafiam a lidar com os próprios problemas, atemorizados de não tê-los preparado bem para a vida. Compensam suas frustrações pessoais superprotegendo os filhos.

O medo dos pais influencia inconscientemente os jovens, e os momentos de crise são especialmente ocasiões para estimularmos as competências já adquiridas, o contrário de resolver por eles.

Se a falta de assistência se traduz no desamparo, o excesso de cuidados e o amor excessivo geram dependência e são graves obstáculos ao desenvolvimento. O ideal é que os pais tenham a sensibilidade de se afastar gradualmente e de fininho da vida dos filhos, para que a maturidade não tenha constrangimentos em chegar.

Adquirir força para o trabalho e as decepções decorrentes, construir o papel de futuros cuidadores.
Alguns se acomodam com os pais na retaguarda, ou na verdade talvez nunca enfrentem o medo da vida, e não partem. Tem coisa melhor do que viver sob o conforto da família? E tem coisa pior?

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

Cadê o Desejo?

Por Karina Younan – Pesquisa realizada no ambulatório de sexologia do hospital estadual Pérola Byington, aponta que a falta ou diminuição do desejo sexual afeta 50% das mulheres que procuram auxílio médico e que a maioria dos distúrbios tem como causa aspectos psicológicos e socioculturais.

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Interessante notar neste estudo que a faixa etária das mulheres situava-se entre 40 a 55 anos de idade, longe do inicio da vida sexual e próxima da queda hormonal, mas esse fator orgânico era responsável por um número muito pequeno na amostra. São as divergências e o mal estar da relação os maiores estressores!

Nas mulheres com problemas de desejo os estudiosos encontraram níveis baixos de fantasia, enquanto nos homens com distúrbios o nível de fantasia sexual era bastante elevado, e ansiógeno.

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Para a psicoterapia clinica são as dificuldades do relacionamento, fortemente reforçados pela educação sexual recebida na infância, aliada a padrões negativos de pensamento, crenças erradas ou pejorativas ligadas ao sexo e uma imagem corporal negativa as maiores causas dos distúrbios. Sabemos que a satisfação em estar com o outro é bastante sentida no ato espontâneo. O contato com a pele e a intimidade trazem conforto, dissipam dúvidas e reforçam laços. Sexo sempre diz mais do que palavras em um relacionamento.

Outro fator fortemente ligado à distancia pessoal entre quem somos e nossos desejos mais íntimos está relacionada ao nosso modo de viver. Retratado em 1970 brilhantemente por Jean Luc Godard, o filme “Duas ou Tres Coisas Que Eu Sei Dela” tem na prostituição a metáfora central para a nossa cultura capitalista. Capaz de transformar o corpo em uma alienação, uma mercadoria, e fazer do sexo objeto de troca, coisificando aquilo que temos de mais pessoal e vibrante, o ato sexual.

Se o sentimento de abandono, desdém, crítica à forma de sentir e agir estiverem fortemente presentes na relação, a depressão da libido não demora a chegar, vale para homens e mulheres. A intimidade emocional é o impulso legítimo para o desejo sexual… o que o outro pensa e precisa, como gosta de ser tratado e suas preferências para a relação. Compatibilidade intelectual e entrosamento, o melhor tratamento.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

O Que Não É Possível Precisa Ser Abandonado

Por Karina Younan – A lagarta quando se encerra no casulo precisa rompê-lo, ou morre seca. Se o casulo é aberto externamente, as asas da borboleta não se fortalecem o suficiente para que voe. Só ela pode fazer a transformação, buscando a energia que lhe garantirá a sobrevivência.Necessitamos, da mesma forma, encontrar motivos e energia para prosseguir, não é suficiente simplesmente levar a vida que se tem.

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Observando a força e o potencial transformador dos que encontram sentido para viver e não se arrastam, é possível concluir: é mesmo a força interior que faz voar as borboletas e as pessoas.

Não conseguiremos tudo o que queremos, a vida é uma longa trajetória. O mundo mostra que não é possível controlar ou planejar tudo, coisas ou pessoas. Que querer nem sempre é poder e que a conquista exige muito em sensibilidade.

Muitas vezes o que queremos (ou pensamos que queremos), não se encontra disponível ou tem o interesse equivalente. Insistir, esperar ou desistir depende de avaliação realista, mas abandonar o que não é possível só lhe fará bem. Refazer-se de uma rejeição fortalece. O mais sofrido pé na bunda livra as pessoas de um relacionamento já falido.

Superar a frustração ou aprender a lidar com ela é um importante passo para a vida adulta, para a maturidade emocional. Sair da fantasia, tornar-se mais prático e realista.Como cita George Bernard Shaw: “É impossível progredir sem mudança, e os que não mudam suas mentes não podem mudar nada”.

No trabalho, na vida pessoal ou na vida afetiva, ter vontade, visualizar um acontecimento e planejá-lo são muito importantes. E o que não conseguimos é essencial pra que possamos reavaliar inclusive se vale a pena lutar mais ou mudar de planos. O “não” reforça o valor, ou a perda de tempo.

Que o impossível não nos impeça de ver alternativas, e sim melhore nossa perspectiva, com mais humildade diante das possibilidades e da vida.

Nem sempre é possível obter o que se deseja… e é assim, pensando em alternativas, se refazendo, lutando contra o que não foi, que apuramos a observação e as diferenças, lutamos contra as dificuldades ou seu alcance. Sair do egocentrismo e visitar o querer do outro, que muitas vezes não concorda com o nosso querer.

A resiliência desenvolvida não prolonga o abatimento diante das adversidades, refaz caminhos, mesmo com a dor da recusa que o mundo invariavelmente estabelece. Precisando persistir e lapidar nossa personalidade, obrigados a reparar em outras bênçãos e oportunidades, que em sua somatória recebem o nome: crescimento.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

Dia do Psicólogo

Por Karina Younan- Essa semana a comemoração do Dia do Psicólogo me lembrou de exaltar a beleza da nossa profissão, e combater as ainda muitas dificuldades. Fizemos muito e o conhecimento das pessoas em termos de psicologia e saúde mental já é bastante comum, mas ainda temos um longo caminho pela frente.

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Mesmo sendo tão claro e evidente que a vida de algumas pessoas é demasiado sofrida em função de pensamentos, preconceitos e modelos ruins – mesmo assim, a procura por ajuda profissional encontra enormes barreiras.

Não é a ignorância, senão a maldade que leva alguém, ao ouvir um amigo, parente ou conhecido manifestar a intenção de procurar pela ajuda de um psicólogo, a rebater com expressões de menosprezo: “Coisa de gente louca”, isso é para “pessoas fracas” ou “pra que isso?” São os indícios claros da inveja e da tentativa de anular os impulsos saudáveis do outro.

Ficar dependente é outro medo incutido, absolutamente irreal, posto que a dependência jamais respeitaria dia ou hora marcada para se manifestar.

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Graças ao bom trabalho e a muito estudo a psicologia tem avançado no entendimento dos processos neurológicos com profundos reflexos desse entendimento na clínica, nas áreas de saúde e na educação. E eu sugiro que você se permita algum dia ou por algumas poucas vezes que seja, a deixar um profissional auxiliá-lo a enxergar seus problemas, ou a sua situação de vida, apenas como um auxilio complementar.

É muito importante procurarmos por orientação e ajuda especializada, que se diferenciaria de um conselho comum ou de um amigo. Nossa história de vida, ou nossos pensamentos podem embaçar nossa visão. Um impulso importante, uma tomada de decisão, um rompimento ou dilemas na educação dos filhos. Qualquer que seja a sua necessidade, a experiência e a ajuda de um psicólogo daria respaldo, força e confiança ou mudaria radicalmente sua postura em relação a própria vida, economizando tempo, dinheiro e principalmente melhorando a qualidade e o afeto nos relacionamentos importantes de sua vida.

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A Timidez

Por Karina Younan — Em grau moderado pode ser considerada um atrativo, espécie de charme sedutor. Todos nós somos, em algum momento de nossas vidas, afetados pela timidez – ela funciona como uma espécie de regulador social que nos permite avaliar situações novas através de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação.

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Pode significar uma preocupação exagerada com o pensamento e o sentimento do outro, inibindo as ações e a expressão de quem sente, mas não é considerada um transtorno se não estiver prejudicando ou empobrecendo a qualidade de vida, trabalho ou relacionamentos.

A timidez pode ser uma característica do temperamento da pessoa, que a acompanha desde a tenra infância, ou uma característica aprendida, se os pais forem tímidos e tendo uma percepção depreciada de si mesmo, que acabam transferindo para os filhos. Pessoas bastante criticadas podem imaginar que todas as pessoas lhe seriam hostis.

Dentre os critérios de Habilidades Sociais pesquisados pela equipe da psicóloga Zilda Del Prette, da Universidade de São Carlos, algumas atitudes são bastante difíceis e constrangedoras, até para desinibidos e extrovertidos. As atitudes classificadas como “difíceis para qualquer um” seriam: cobrar dívida de amigo, abordar para relacionamento sexual (paquerar), ou reagir bem a gozações de colegas. Haja jogo de cintura!

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Mas a importância de falar e se colocar em público, combatendo essa inibição, se faz bastante presente em nossos dias. A profissionalização exige que saibamos nos apresentar, vender nossos produtos ou serviços, complementando ou orientando as pessoas acerca de nosso trabalho e nossas condutas.

O constrangimento deve ser combatido desde cedo, estimulando a confiança e a autoestima das pessoas, começando na infância, conduzindo as crianças a falar, exprimindo pensamentos e sentimentos, para que esta “vergonha” que ela sente não determine o posterior desenvolvimento de sua personalidade, emotividade e conduta social.

Depois do abrigo e alimentação, a comunicação é nossa maior necessidade. Somente nos comunicando somos retirados do isolamento, por isso é a primeira e mais importante função aprendida pelo ser humano. Desfazendo barreiras, desentendimentos e auxiliando as outras pessoas a nos auxiliar.

* Karina Younan é psicóloga em São José do Rio Preto e colaboradora do Diário de Olímpia.Com

Entre o Prazer e a Dor

Por Karina Younan — Sadismo. O nome deste distúrbio nasceu do comportamento doentio do Marquês de Sade (1740-1814) que costumava criar enredos teatrais nos quais os protagonistas eram maltratados com requintes de perversidade. Assim como no masoquismo, o sadismo pode ter origem na infância, no comprometimento do desenvolvimento psicossexual, propiciando a formação de comportamentos sexuais na vida adulta em que o desejo mórbido de ser maltratado e o de maltratar são pré-requisitos para a gratificação.

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O Masoquismo originou-se do nome do conde austríaco Leopoldo Sacher Von Masoch, que viveu entre os anos de 1836 e 1895 e escreveu diversas novelas cujos personagens se envolviam com prazeres associados à flagelação.
Masoquismo e sadismo podem se mesclar numa mesma pessoa, já que são patologias afins, caracterizando o Sadomasoquista. O termo perdeu a sua conotação original de perturbação mental, e hoje o usamos para designar ironicamente pequenas agressões físicas e morais.

O que caracteriza o sadismo ou o masoquismo como patologia é a sua presença determinante como impulso ou necessidade incontrolável. Não é somente o sofrer e nem o fazer sofrer e sim, a compulsão ao sofrimento e ao fazer sofrer, respectivamente. Não fossem essas polarizações, poderíamos claramente dizer que todas as relações estão ligadas ao sofrimento, e que nenhum ser humano escapa a ter graus leves e moderados de conduta sadomasoquista. Estas conclusões pertencem ao interessante estudo de Bernardino Carleial, da Universidade de Minas Gerais.

O masoquista age inconscientemente, não deseja voluntariamente o próprio sofrimento, mas o atrai para si. Prejuízos físicos, morais e materiais são provocados pela própria pessoa. Costumo dizer que todo mundo tem uma tia, ou conhece um alguém que está vivendo em punição ou purgação exigida pelo inconsciente, e se negando a qualquer tratamento. O masoquista costuma “fabricar” o seu próprio algoz, utilizando-se de outras pessoas para concretizar seus desejos de autopunição. Evitam qualquer oportunidade para se divertir, procuram fazer tudo sozinho, apesar dos apelos de parentes e amigos. Criam serviços estafantes e desnecessários, afastam ajudantes e funcionárias com excessos e implicâncias. O apego aos relacionamentos sem reciprocidade afetiva também deflagra a compulsão – com ou sem crises depressivas, a tônica do seu estilo de vida é o próprio sofrimento.

O sadismo pode se originar de hábitos familiares de constantes e repetitivas vinganças, humilhações e exploração pessoal. Mas as pessoas não se agridem, vitimizam ou se martirizam intencionalmente, é por isso que esses desejos, ocultos do pensamento, precisam ser deflagrados. A simples revelação pode amenizar a defesa neurótica, ou chantagem emocional.

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É preciso observar que, quando uma pessoa “se faz de vítima”, quase sempre está se sentindo rejeitada e efetivamente carente. Os dependentes químicos, sejam de fumo, álcool ou drogas, embora conheçam e sintam os efeitos negativos de seus hábitos, permanecem entregues a eles, como se lhe existissem uma programação interna o compelindo à ruína física, moral e mental.

Se o sadismo e o masoquismo têm ligações com os desvios sexuais e com sentimentos de culpa, ele pode ter se originado do hábito de sofrer. Pela valorização do sofrimento e do sacrifício e da dor como virtude ou na crença de que o sofrimento seja necessário, e não simplesmente uma adversidade a ser combatida.

É possível nos libertar, através da conscientização, apoiados pela psicoterapia. Aumentarmos a distância entre o prazer e a dor. Voltarmos nosso comportamento para a busca pelo prazer originado, planejado e impulsionado pelo consciente, detentor da razão, do equilíbrio e do bom-senso.

* Karina Younan é psicóloga em São José do Rio Preto (SP) e colaboradora do Diário.

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Propaganda para Crianças e a Polêmica da Censura

Por Karina Younan – A criança é hoje o grande motor do consumo! E o tempo que ela passa em frente à televisão contamina seu desejo, ao ponto da falta daquele objeto representar toda sua carência afetiva. Nossa legislação, ao contrário da grande maioria dos países desenvolvidos, não protege a criança de ser exposta ao merchandising.

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O sapato que vai torná-lo popular entre os coleguinhas por que a luz pisca, ou a boneca que vai causar inveja nas amiguinhas. A sedução e a aparência física não deveriam entrar na lista de preocupações de uma criança pequena, mas elas preferem comprar e se comparar, a qualquer outro programa. A brincadeira é ganhar mais alguma coisa.

Existe uma poderosa sedução para o consumo que diariamente nos invoca desejos com promoções, ofertas, facilidades – criando uma demanda artificial e impossível de ser conquistada. No meio dessa intoxicante guerra pelo consumidor estão nossos filhos, vítimas da ferocidade de um sistema que conhece a importância do desejo da criança na decisão de compra.

A maioria das famílias vive grandes conflitos na hora de comprar, o momento de ceder e quando dizer não, pois queremos agradar nossas crianças, atender seus apelos, e fazemos isso tentando possibilitar-lhes uma vida repleta…de coisas.

Aí é que está o erro. Um adulto sabe que uma bolacha recheada de doce não é um alimento vitaminado, como ele é exposto em sua propaganda, mas uma criança pouco sabe a respeito de proteínas e carboidratos. Quando muito pequena, a criança não tem juízo de valores suficientes para filtrar os apelos do comércio, então quem deve decidir o que serve ou não e deve ser consumido são seus pais.

Mas a realidade é que hoje os pequenos determinam os programas familiares, a alimentação da casa, tudo gira em torno de suas satisfações. Verdadeira ditadura da infância! Para as famílias mais pobres ainda existe o dilema entre os desejos dos filhos e o poder aquisitivo que mal cobre as necessidades básicas. Entre os endinheirados, o difícil é administrar o próprio desejo em agradar.

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Sabemos que limites ensinam o autocontrole. Não ter tudo o que se quer é aprender a conviver com frustrações, deixando os desejos no terreno do possível. A criança que tem todos os desejos atendidos tem grandes chances de virar um adulto neurótico e com valores distorcidos, pois sua educação não foi calcada na realidade. Com campanhas milionárias, repetidas à exaustão, a publicidade acaba anulando a autoridade dos pais, que ficam reféns das demandas consumistas criadas nos filhos.

Claro que o consumo possibilita uma relação prazerosa com o mundo, mas as crianças precisam aprender a fazer escolhas saudáveis. Antes de defender a censura à propaganda devemos pensar que os pais devem refletir sobre sua própria ânsia consumista, discutindo o que há por traz dos anúncios, analisando a influência que a propaganda quer exercer e assim educando seus filhos com consciência. Explicar que nem tudo é possível, ajudando a disciplinar a vontade de consumir e evitando que seus filhos se tornem marionetes de um mercado agressivo.

* Karina Younan é psicóloga em São José do Rio Preto (SP)