Quem não tem TOC?

Publicado em 22 de janeiro de 2014 às 13h57
Atualizado em 22 de janeiro de 2014 às 13h58

Por Karina Younan – Obsessões podem ser definidas como eventos mentais, tais como pensamentos, ideias ou imagens, vivenciados como intrusivos e incômodos. Podem ser criados a partir de qualquer substrato da mente: medos, preocupações, memórias, imagens, músicas ou cenas.

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As compulsões são definidas como comportamentos ou atos mentais repetitivos, realizados para diminuir o incômodo ou a ansiedade causado pelas obsessões ou para evitar que uma situação temida venha a ocorrer.

Não existem limites para a variedade das obsessões e das compulsões. Cerca de 3% da população mundial sofre de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), e geralmente ele está associado à limpeza, organização, simetria ou perfeição.

O sujeito passa a reconhecer as próprias ideias como sendo absurdas e exageradas, mas é incapaz de refutá-las.

Rituais e superstições são normais para qualquer fase do desenvolvimento humano, eles têm o objetivo de auxiliar o desempenho e dar uma sensação de controle sobre os eventos. Conferir várias vezes um procedimento, arrumar objetos, procurar pela simetria, repetir situações associadas ao sucesso esperado – mas não confunda com doença, todo mundo tem um tio que senta no mesmo lugar ou usa a mesma camisa pra assistir ao futebol.

Os rituais são comuns na fase pré escolar, e acontecem geralmente os horários de dormir, comer ou tomar banho. Dos dois aos quatro anos de idade, as crianças apresentam intensificação dos comportamentos repetitivos. Uma história precisa ser contada da mesma forma várias vezes, o banho precisa de um brinquedo específico, etc.

A matriz são as ansiedades – portanto, crianças ou adultos que apresentam ideias obsessivas de doença podem ter seus sintomas confundidos com transtorno de pânico. A ansiedade de separação, que acomete um número elevado de crianças, também pode ser confundida com o TOC quando o medo da ausência dos pais se mistura com a preocupação de que algo ruim aconteça a elas.

Para que seja clinicamente diagnosticado tendo um Transtorno Obsessivo Compulsivo, é necessário considerar a faixa etária do indivíduo, histórico familiar, a duração diária dos comportamentos, sua intensidade e, se interferem ou limitam as atividades ou desenvolvimento da pessoa.

É certo que todo mundo tem manias, mas torna-se muito difícil conviver com alguém que mantém comportamentos rígidos e repetitivos. Medos persecutórios, ou pensamentos catastróficos, o individuo está aprisionado a eles e acaba submetendo todos a sua volta. O verdadeiro sinal é: Causa incômodo ou sofrimento aos familiares? Então esta pessoa talvez já precise de ajuda.

* Karina Younan é psicóloga e docente da FAMERP – Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, e colaborada deste Diário.

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