Palmada é Polêmica

Publicado em 14 de junho de 2014 às 11h25
Atualizado em 14 de junho de 2014 às 11h27

Por Karina Younan — Polêmica por aqui, onde as estatísticas revelam: mais de setenta por cento da população aprova a palmada como forma de correção. De fato, o Brasil apenas passa a seguir o exemplo dado pela Suécia em 1979: abolir a palmada por força de lei. Outros 19 países já fizeram o mesmo.

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As crianças precisam de limites, mas nunca o limite da pancada. Não se educa pela palmada ou qualquer outro tipo de imposição física. É imperativo o uso da razão ao educar. Da fala, da paciência, da inteligência, do estímulo.

Chinelada pedagógica ou “eu apanhei e não me traumatizou” é abobar um assunto sério, a lei é feita pra coibir a violência que a criança sofre de forma desmedida em nosso país, incluindo mortes por espancamento.

Muitos adultos foram física e moralmente maltratados quando crianças, trazendo para suas condições de educadores esse comportamento equivocado. Se você apanhou e conseguiu superar o episódio não repetindo a violência com seus filhos, já é uma sorte. Mesmo assim é possível dizer que seus relacionamentos ou talvez o seu salário não estejam condizentes com você.

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Não dá pra dizer que a criança que apanha não vá conseguir compreender, mais tarde, a falta de recursos ou a frustração que leva a essa atitude. Nem dizer que os pais não serão compreendidos em seu amor e esforço em educar, isso se estivermos falando de uma palmada ocasional. Por que apanhar provoca rebaixamentos. O reflexo é cognitivo, as crianças tem queda do rendimento intelectual, se apegam a relacionamentos dependentes ou degradantes e tem perda da iniciativa pessoal. A autoestima é bastante danificada e sabemos de sua importância no progresso da personalidade, seja no campo afetivo ou profissional.

As maiores causas de agressões são: Alcoolismo, que muitas vezes aflora a agressividade contida no adulto. Imaturidade para lidar com situações desconhecidas. Sentimento de impotência diante das demandas das crianças e jovens. Incapacidade de dialogar.

Incapacidade de vislumbrar alternativas no momento de impor limites. Dificuldade em reconhecer o que de fato provoca a ira, como questões pessoais mal resolvidas, do tipo estresse no trabalho ou no casamento. Evidente que ninguém deseja a intervenção do Estado, a não ser que a correção aplicada pela família ofenda a dignidade da criança. Repare no que diz a lei: A criança e o adolescente têm o direito de serem educados e cuidados pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar, educar ou vigiar, sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação, ou qualquer outro pretexto.

* Karina Younan é psicóloga em São José do Rio Preto

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