Olímpia e cidades da comarca, preocupadas com crise da Santa Casa de Barretos, querem mudar referência

Publicado em 05 de dezembro de 2013 às 23h32
Atualizado em 05 de dezembro de 2013 às 23h34

A saúde pública de Olímpia, assim como as cidades da comarca, que integram o Colegiado de Gestão Regional (CGR), estão preocupadas com a crise que atinge a Santa Casa de Misericórdia de Barretos, que está sob intervenção da prefeitura daquela cidade.

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“Esta situação atinge em cheio a assistência de Saúde pública de Olímpia e das cidades de nosso Colegiado”, afirma a secretária Sílvia Forti ao Diário de Olímpia.

Segundo Sílvia, houve a interrupção dos serviços de Neurocirurgia, Ortopedia, Psiquiatria e Gestação de Alto Risco, estamos extremamente preocupados, pois é nossa referência. Já solicitamos ao DRS-Barretos outra referência para os pacientes de Olímpia”, que pode ser São José do Rio Preto.

A secretária da Saúde disse, ao Diário: “Estamos fazendo levantamento, pois pactuamos recursos financeiros na Santa Casa de Barretos e o município de Olímpia nunca ultrapassou os limites pactuados, dessa forma é necessário que os mesmos sejam realocados onde se dará a assistência”.

A CRISE

A Prefeitura de Barretos está cortando gradativamente 30 dos 250 leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) da Santa Casa para tentar reverter uma crise financeira e uma dívida acumulada de R$ 63 milhões. A administração municipal, que assumiu o controle do hospital há três meses por solicitação do Ministério Público, atribui à alta demanda de serviços – com pacientes de mais 19 cidades da região, além de outros estados – um déficit mensal de R$ 800 mil.

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Os cortes serão feitos por dois meses, período em que a Prefeitura espera receber repasses dos governos estadual e federal para reequilibrar as contas da unidade. Caso isso não aconteça, além das vagas não serem restabelecidas, outros procedimentos começarão a ser cortados. O Departamento Regional de Saúde (DRS V) não falou sobre o assunto até a publicação desta matéria. O Ministério da Saúde comunicou que está analisando um processo sobre a Santa Casa de Barretos.

Os leitos serão fechados gradativamente, à medida que pacientes de diferentes especialidades receberem alta, disse o prefeito de Barretos Guilherme Ávila (PSDB). Os cortes não afetam casos mais graves, da unidade de terapia intensiva (UTI), garantiu o chefe do Executivo. Visando uma economia de, no mínimo, R$ 50 mil por mês, a contenção de gastos também inclui a concessão de férias para dez funcionários – nenhum deles é médico.

Ávila justifica que a administração municipal não dispõe de orçamento suficiente para atender a atual demanda de pacientes, bem como prover recursos para melhorar a estrutura sucateada em alguns departamentos do hospital. “Infelizmente não tem como o município bancar. A Prefeitura já repassava R$ 500 mil antes de assumir o hospital. Após a intervenção, a administração passou a repassar mais R$ 500 mil. É inviável continuar mantendo R$ 1 milhão por mês. O município não tem esse recurso”, disse.

A Prefeitura informou ter comunicado o DRS sobre as mudanças, assim como o Ministério da Saúde, sobre a necessidade de verbas. Em dois meses, Ávila espera receber um repasse de R$ 800 mil do Estado ou da União. Caso contrário, novos serviços, como cirurgias, começarão a ser suspensos gradativamente – com exceção do pronto-socorro, que, por lei, deve permanecer em funcionamento. “Fizemos tudo o que o governo federal pediu. Enviamos todos os protocolos, estudos, documentos, para receber recurso. Até agora, nenhuma novidade.”

Crise financeira

A Prefeitura assumiu o controle da Santa Casa de Barretos em 5 de agosto, por solicitação do Ministério Público no final de julho, devido a uma crise financeira que levou a direção da unidade a suspender serviços como ortopedia, ginecologia, psiquiatria e UTI neonatal.

Após a intervenção, o funcionamento desses setores foi normalizado, porém ao custo de um déficit mensal de R$ 800 mil, mesmo com uma otimização de gastos, afirma o prefeito. “Estamos gastando R$ 100 mil a menos com folha de pagamento, otimizamos os custos, melhoramos as contas do hospital, colocamos pagamentos em dia”, afirmou.

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Ministério da Saúde

A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que está em fase de conclusão a análise de um ofício encaminhado pela Prefeitura de Barretos sobre a Santa Casa. (Com G1)

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