Homens são de Marte e as Mulheres de Onde Quiserem!

Publicado em 23 de outubro de 2014 às 10h52
Atualizado em 23 de outubro de 2014 às 10h53

Por Karina Younan – Recebi um pedido do Diário de Olímpia pra escrever sobre a influência das brincadeiras no comportamento e na sexualidade das crianças. Será que brincar de boneca faria mal aos meninos? E jogar bola, masculiniza? Um participante do blog registrou que o papo já era careta, mas essa discussão ainda dá um caldo.

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Os homens ainda associam o “enfrescuramento” à perda de virilidade, como se aprender combinações e estilos de roupa, sapato e cabelo (e o que dizer de vinhos e gastronomia), não lhes tivesse feito um bem enorme. O charme do pai que sai sozinho com os filhos, sacola a tiracolo ou mamadeira no bolso, é ganho enorme para a humanidade – vai além de conseguir trocar o pneu ou conhecer o carburador. E nós sempre soubemos.

Uma arma de brinquedo nunca seria responsável pelo comportamento agressivo de uma criança, quem pensa um negócio desses, no mínimo limita seus conceitos não entendendo que as mensagens pra uma criança precisam de contexto. Arma de brinquedo não faria alguém mais ou menos violento, por que ela simboliza uma ação, é uma representação apenas .

Por outro lado, nascer homem e nascer mulher abrem um leque de comportamentos permitidos e estimulados em nossa sociedade, e fecham outros. Um exemplo é o da criança chorona, permitido para as meninas e temido no mundo de Marlboro.

A fixação é que preocuparia os pais, certamente com receio da desadaptação social. Se somos sexistas e preconceituosos, logo isso também se reflete nas brincadeiras. Convenhamos, enquanto um pai não garante a heterossexualidade do filho homem, ele não sossega!

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Na real, eles adoram brincar de boneca, e sabem que os pais não gostam de vê-los praticando esta atividade (a menos que estejam no papel de Ben, o namorado da Barbie, daí a situação não os coloca de forma passiva ou se subjugando a uma mulher.)

O problema é estar na atitude de passividade, como quando começam a namorar e os pais, ou os colegas e amigos machistas os observam se sujeitando aos desejos da namorada. Que pressão eles sofrem!! Como a masculinidade é agredida e zoada quando o amor aparece pra eles! e como faria bem às meninas jogar mais bola, correr e extravasar como os meninos!

Em um congresso sobre psicologia do esporte uma garota me perguntou se existia resistência dos atletas em obedecer uma mulher. Respondi em tom de provocação, que não conhecia nenhum homem que ainda não tinha entendido que ia obedecer uma mulher daqui pra frente. A plateia, formada por técnicos, atletas e profissionais da educação física, em sua maioria homens, depois de muito rir, passou a aplaudir a deixa. Era brincadeira, só que não.

Se os homens descobriram Marte aumentando seu contato na educação dos filhos, as mulheres ganharam um novo universo se aventurando no mundo corporativo, social, econômico, sexual. Galáxia tomada, jamais renunciaremos a ser livres.

Mas tanto o contato maior dos homens com os filhos melhorou a educação das pessoas, como o contato das mulheres com o poder, contribuiu para a gestão dos negócios. Temos muito a mesclar e enriquecer com a contribuição e o olhar diferenciado. A praticidade masculina e o tradicional zelo feminino não se perderão ou enfraquecerão neste caminho, só temos a ganhar.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

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