Amores Tarja Preta

Publicado em 13 de novembro de 2014 às 11h22
Atualizado em 13 de novembro de 2014 às 11h55

Por Karina Younan – Felicidade sempre esteve associada à simplicidade, a olhar para o que se tem, querer o que é possível, focar nos benefícios e não se prender às dificuldades, erros, faltas. Valorizar o esforço, ser generoso.

Não é um conceito que aceita muita variação, perde feio para as centenas formas de ser destrutivo em um relacionamento, a infelicidade é muito mais criativa.

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Alguns vivem relacionamentos tão amortecidos, anestesiados e chatos que é de se duvidar que exista um sopro de vida ali dentro, a rotina é… esperar a morte chegar. Outros se digladiam sistemática e repetidamente (e os motivos nem variam, passam anos batendo nas mesmas teclas, dá até pra ouvir o bémbémbém…) outros alternam dor e prazer e se ofendem na mesma medida em que se amarram, brigam pra fazer as pazes e vice versa. Os que observam do lado de fora vivem tentando acudir, separar e ajudar, até que percebem a dinâmica e se irritam com a dupla. Cada um que sustente o próprio sadomasoquismo, é justo. Outro tipo muito comum seria cômico se não fosse tão… odeio, mas não consigo viver sem.

O "ne me quites pas" do amor esquece que todas as receitas foram postas e examinadas, não adianta inventar.

Não adianta inventar que existem vidas mais importantes que a sua e que depois de cuidar dos filhos, da casa, do trabalho, dos pais, dos netos, dos amigos, dos vizinhos e do papagaio, você cuidará de sua felicidade. Isso não é humildade, é auto abandono. Basta de fugir.

Abra a janela deste quarto escuro aonde você vive fantasiando que existe vida confortável e sem problemas e a sua é só dilemas e dificuldades. Que você não tem tantos recursos quantos as outras pessoas e que a felicidade existe, mas não é pra você. Isso não é modéstia, é suicídio martirioso.

A receita é simples, os manuais estão em toda parte.

Cultive, cuide, olhe, escute. O bolo que o marido gosta, uma flor pra sua mulher. Quanto consolo não retiramos das pequenas atenções, das pequenas delicadezas. Voltar de viagem no dia do aniversário dela, ser generosa em elogiar as qualidades dele, não custa tanto assim.

Se a sua rotina está repleta de deslealdades e desatenções, se vocês não tem objetivos em comum e consultam diariamente seus medos e frustrações, colecionam erros do outro, se agridem desmesuradamente e não se lembram mais de como era viver antes do tarja preta, talvez vocês já tenham ido longe demais. Se ninguém mais sabe pegar o caminho de volta, precisam de ajuda profissional, ou vencer o medo de enfrentar o mundo. A vida não é só o estreito quadrado do relacionamento, e sem a mínima auto confiança não se atravessa um quarteirão.

Se as faltas não foram tantas ou tão graves, recomece. Trocaram a alegria pelo comodismo? A luta pela frustração? Aonde foi que se perderam? Você precisa admitir que escolheu esse caminho, podia ter passado por cima de um monte de bobagens. Podia observar que o outro estava ali. Não do jeito que você queria ou até merecesse, mas estava se esforçando também. Eu desafio você a se lembrar de tudo o que seu companheiro fez, tudo a que ele se priva, a luta que ele tem pra se fazer melhor compreendido dentro do relacionamento de vocês, e desafio você a correr o risco de observar sua vida melhorar.

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Não espere que o mundo mude algo em sua vida, tome as rédeas. São quase 7 bilhões de umbigos para girar em torno. Ia cansar esperar chegar a sua vez, espere não.

Resgate o carinho, quem está com você hoje lutou pra estar ali. Enfrentou seus caprichos e manias, sofreu, persistiu. Cadê aquele caminhão de sal que você dava? Vocês já foram apaixonados.

O amor é mesmo a única revolução verdadeira, a única que vale a pena. Acredite que você pode, merece e deveria ter uma vida melhor. Não existe razão para não se tentar, o risco que se corre é o de ser feliz.

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

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