Adolescência, o momento de partir

Publicado em 07 de outubro de 2014 às 13h05
Atualizado em 07 de outubro de 2014 às 13h06

Por Karina Younan – Quando ainda somos crianças, as coisas parecem se resolver por nós, as regras são ditadas pelos adultos e o futuro é uma palavra que designa algo muito distante. Já na adolescência outras exigências se impõem, ter que escolher uma profissão é uma delas, e muitos conflitos surgem por causa dessa necessidade.

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Além disso, a vida se abre às primeiras paixões, as primeiras desilusões, a incerteza de ser amado ou atraente o bastante, e o vale tudo para ser aceito entre os amigos. Atender às expectativas dos pais e Medo do futuro e de não conseguir tudo aquilo que deseja. Difícil entender as mudanças que acontecem nessa fase da vida e as dificuldades se refletem as emoções.

A cena é conhecida: um mau humor, vindo não se sabe de onde, uma irritação em relação a tudo o que os outros fazem ou dizem, principalmente quando esses outros são os pais ou irmãos e a permanente sensação de que ninguém é capaz de entender seus sentimentos ou pensamentos.

Infelizmente, todos esses conflitos não se resolvem facilmente. A insatisfação com vários aspectos da própria vida, as incertezas sobre o amor e as angústias em torno da profissão acompanham as pessoas pela vida afora. A partir do momento que a criança põe o pé fora de casa e passa a ir à escola, ela ganha batalhas que precisa resolver sozinha.

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Muitos pais não estão preparados para deixar os filhos resolverem seus problemas ou errar, arcar com as consequências de suas atitudes e com isso crescer. Querem resolver todos os problemas que pensam que os filhos tem: namoro, colegas, estudos… envergonham e infantilizam os rebentos, e não os desafiam a lidar com os próprios problemas, atemorizados de não tê-los preparado bem para a vida. Compensam suas frustrações pessoais superprotegendo os filhos.

O medo dos pais influencia inconscientemente os jovens, e os momentos de crise são especialmente ocasiões para estimularmos as competências já adquiridas, o contrário de resolver por eles.

Se a falta de assistência se traduz no desamparo, o excesso de cuidados e o amor excessivo geram dependência e são graves obstáculos ao desenvolvimento. O ideal é que os pais tenham a sensibilidade de se afastar gradualmente e de fininho da vida dos filhos, para que a maturidade não tenha constrangimentos em chegar.

Adquirir força para o trabalho e as decepções decorrentes, construir o papel de futuros cuidadores.
Alguns se acomodam com os pais na retaguarda, ou na verdade talvez nunca enfrentem o medo da vida, e não partem. Tem coisa melhor do que viver sob o conforto da família? E tem coisa pior?

* Karina Younan é formada pela PUCCamp, psicodramatista federada pela Febrap e agora mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Dá aulas na Pós-Graduação da Eduvale, de Olímpia, em Psicologia e Aprendizagem, e aulas para o curso de administração, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico. E colaboradora do Diário de Olímpia.Com

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