Tragédia (anunciada) do Trem de Carga. Sai o nome dos 8 mortos

Publicado em 25 de novembro de 2013 às 10h21
Atualizado em 25 de novembro de 2013 às 10h28

Cristiano Furquim e Maria Stella Calças/Diarioweb — Um trem carregado de milho descarrilou por volta das 16 horas de domingo, 24, no Jardim Conceição, em Rio Preto, invadiu duas casas e provocou a morte de pelo menos oito pessoas. Como as buscas continuam o número de vítimas, 14 até agora, pode aumentar. Fotos dos leitores, e dos fotógrafos do Diário da Região Guilherme Baffi e Hamiltom Pavam.

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Segundo informações do capitão Edmilson Santana Branco, do Corpo de Bombeiros, a composição tinha nove vagões e um deles atingiu duas casas. Em uma delas acontecia uma festa. De acordo com vizinhos e familiares, de 8 a 12 pessoas estavam no local.

Até as 19h30, quatro mortes tinham sido confirmadas. Mais tarde, já de madrugada, foram registrados oficialmente outros quatro óbitos. No total, foram quatro mulheres, duas crianças e dois homens. Morreram na tragédia a dona de casa Graziela Joaquim dos Santos, 27, que estaria grávida de três meses, o filho dela Kauã dos Santos de Almeida, de 6 anos, além da doméstica Paula Ramos Cardoso da Silva, 36, e a filha dela Amanda Cardoso da Silva, 16, a farmacêutica Denize da Cruz Flora, 33, Rafaela dos Santos Barcelos, 2, e o auxiliar de serviços gerais Waldemar Dias da Silva, 41 anos. O marido de Graziela também estaria entre as vítimas fatais, mas ainda não foi identificado pela polícia.

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As outras vítimas foram encaminhadas para a Santa Casa, Hospital de Base (HB) e Hospital da Criança. Entre elas estão a doméstica Clauci Joaquim dos Santos, que foi levada para a Upa Jaguaré, a menina Marcella Barbosa Cardoso, 10, levada ao Hospital da Criança, a dona de casa Luzia Dias da Silva, 78, encaminhada ao HB, o garoto Lucas dos Santos, 7, que foi levado para a Upa Central e já recebeu alta, o engenheiro civil Vagner dos Santos Barcelos, 33, que sofreu politrauma, seu quadro é estável e está internado na Santa Casa, assim como Ronaldo Batista, que teve trauma no tórax e está em observação no local. O número de feridos ainda pode aumentar uma vez que o trabalhado de resgate continua.

Por volta das 19 horas de domingo, 24, uma máquina começou a retirar o milho do local para que um guincho pudesse erguer os vagões. Em meio ao medo e à tristeza pela morte das vítimas, vizinhos e familiares reclamam do descaso das autoridades em relação à passagem de trens no local.

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“Eu não durmo. Cada vez que o trem apita eu acordo. O medo de que algo aconteça é constante”, diz o autônomo Paulo Sérgio Maciel. Ele e a mulher moram há um ano na esquina de onde aconteceu o acidente e afirmam que depois da tragédia deste domingo vão mudar. Irmão de uma das vítimas, José Roberto Dias da Silva estava revoltado. “Eu acho que perdi o meu irmão, a pessoa que eu mais amo nesse mundo.”

ALL diz que ajudará vítimas

A America Latina Logística (ALL), empresa responsável pelo trem que descarrilou na tarde de domingo, 24, informou no início da noite que ainda estava apurando as causas do acidente. Por meio da assessoria de imprensa, a companhia disse que a prioridade foi auxiliar no socorro e prestar toda a assistência às vítimas. Ao mesmo tempo, a ALL se colocou à disposição das autoridades locais para auxiliar na investigação.

A direção se manifestou sensibilizada e solidária com as famílias das vítimas e, tão logo seja possível, divulgará uma nota oficial sobre a ocorrência. Para a empresa, o caso é tratado como uma das maiores tragédias da história da ALL.

Mais tarde, segundo relatório preliminar da companhia divulgado por volta das 3 horas da manhã, foi constatado que na hora do acidente o trem estava a 44 quilômetros por hora, dentro do limite de velocidade que é de 50 quilômetros por hora, descartando falha humana. A suspeita agora recai sobre o funcionamento dos freios.

A foto abaixo é de Josiane Domingos Carvalho, de Olímpia, ela fotografou o trem antes de ocorrer o acidente, ainda em Catiguá, e comentou: “Que velocidade…”

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Defensoria Pública entra na briga

Por Heitor Mazzoco

A Defensoria Pública de Rio Preto deve exigir ainda esta semana cópia de documento em que a empresa America Latina Logística (ALL) teria se comprometido, junto ao Ministério Público, a melhorar a linha férrea que passa pelo município. “Se necessário, exigiremos que a ALL apresente novo plano de recuperação e reforço dos sistemas de segurança (…) Temos que ver o que foi proposto e se o que foi feito atende mínimo de segurança para transporte, principalmente na área”, disse o defensor público Júlio Tanone.

Nesta segunda-feira, 25, uma funcionária da Defensoria irá ao local do acidente para colher dados dos familiares das vítimas. A Defensoria fará uma intermediação entre as pessoas e a empresa ALL para que sejam amparados. “A gente tem protocolo de atendimento das famílias para intermediação das assistências, visando garantir que os responsáveis disponibilizem de imediato as despesas das famílias, como moradia”, afirmou Tanone. O defensor disse ainda que cobrará agilidade judicial no caso para que os familiares sejam reparados, “por meio de justas e rápidas indenizações”.

Discussão antiga

Em mensagem enviada para o Diarioweb, o leitor Ednaldo Gonçalves revela que os trilhos que passam pelo Jardim Conceição estavam em péssimo estado de conservação. Ele faz um alerta e pede para que as autoridades tomem providências. No e-mail, consta um um link do Googles Maps onde é possível ver as fotos do local do acidente. Elas mostram que havia um desnível, ondulações na malha férrea.

Com mais um descarrilamento de trem em Rio Preto, uma história que se repete há anos e volta à tona é sobre a velha questão dos trilhos que cruzam a cidade, até que ponto vale a pena manter vagões carregados com toneladas de carga trafegando ao lado de pessoas, em área urbana??

Confira fotos dos leitores e dos fotógrafos do Diarioweb Guilherme Baffi e Hamilton Pavam:

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