Cajobi completa 113 anos, com destaque para cinco ‘cajobienses’ que fizeram história

Publicado em 13 de maio de 2014 às 13h48
Atualizado em 13 de maio de 2014 às 13h50

Por Jean Morelli — Nesta terça-feira (13), o município de Cajobi completa 113 anos de história. A cidade fica a aproximadamente 430 km da capital São Paulo, pertence à comarca de Olímpia, é conhecida como “Cidade Jardim”, por ter um dos jardins mais belos do Brasil. Com um clima subtropical, o município faz divisa com Severínia, Monte Azul Paulista, Embaúba e Tabapuã. Cajobi conta ainda com um distrito, Monte Verde Paulista.

A pequena cidade que desde 1901 vem fazendo história foi berço de várias pessoas, algumas que se destacaram nacionalmente e internacionalmente, desde a guerra na Itália até trabalhos para a NASA. Conheça agora os cinco Cajobienses que fizeram história fora do município.

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Antonio César Ferreira

Antonio César Ferreira nasceu em Cajobi, no interior de São Paulo, estudou Química pela Universidade de São Paulo (USP), fez mestrado e doutorado. Candidatou-se então ao pós-doutorado no Texas. Pensava em ficar um ano. Ficou um, dois, três – e lhe foi oferecido um “green card”, o visto para estrangeiros. No total, passou quase dez anos nos EUA. Trabalhou, entre outros, em projetos para a NASA, para o Exército e para o Departamento de Energia americano. Empregado primeiro num instituto de pesquisa e depois numa empresa privada (MER Corporation) desenvolveu projetos também para multinacionais japonesas (Sony e Fuji).

Em 1996, decidiu abrir uma microempresa no Brasil, a Unitech, sonhando com a volta. “Não voltaria para dar aulas em universidade”, diz Ferreira, que tinha um convite de Wall Street para abrir uma empresa em Connecticut. Mas dominava uma tecnologia que não existia na América Latina: célula a combustível. Nos primeiros dois anos, porém, só teve prejuízo. Em 1998 ingressou no Pipe, o plano de apoio da Fapesp a empresas de até 100 funcionários, e começou a recolher os R$ 300 mil com os quais montaria seu laboratório em Cajobi.

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Jorge Nalvo – nasceu em Cajobi em 17/04/1918

Homem simples, ele foi convocado para servir no 5º Regimento de Infantaria, em Lorena. Em um País católico e praticante. Com a declaração de guerra, em 1942, o cabo foi convocado – era alfabetizado e tinha o serviço militar completo. Mas, em vez de ser engajado na tropa paulista, o 6º Regimento de Infantaria, acabou indo parar na tropa mineira, o 11º Regimento, de São João del-Rei.

Treinou pouco e foi para a Itália no 3º escalão da FEB, em setembro de 1944. Deixou no Brasil a noiva, Alzira Pontes Nalvo, grávida, em Coroados, oeste paulista, onde moravam. Ele só conheceria o filho, Nilton, depois do fim da guerra.

Nalvo foi um dos raros soldados que tiveram a preocupação de legendar suas imagens de guerra. Guardou tudo em um baú. E lá esse material ficou até o momento que familiares as encontraram. O pracinha Nalvo morreu em 2001.

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José Marton – nasceu em Cajobi em 18/02/1966

É arquiteto, designer e cenógrafo brasileiro, renomado no mundo das artes. Na arquitetura de varejo, fez projetos para as lojas da Luiggi Bertolli, Cori, Barbara Strauss, Lool, VR, Eudora, entre tantas outras. Na cenografia já executou cenários para o Fantástico, SPFW e Instituto Italiano, na moda, tem suas idéias desfilando em passarelas para marcas conhecidas como Animale, Cantão, Cris Barros, Blue Man, Colcci, Fórum e Alexandre Herchcovitch.

Em 1995 ele fundou junto com o seu irmão, Fernando, a marcenaria Marton + Marton nela concebeu, em 2001, um sistema de acrílico listrado, pioneiro no país. Essa inovação rendeu, em 2006, o iF Design Award, um dos mais importantes prêmios de design do mundo, para duas luminárias da série Entrelinhas.

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Mário Chamie – Cajobi 01/04/1933 – São Paulo 03/07/2011

Foi poeta, professor, publicitário e advogado. No ano de 1948, mudou-se para a cidade de São Paulo, onde, em 1956, conclui o curso de ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Em 1962, publicou o livro Lavra Lavra (o livro recebeu o Prêmio Jabuti de 1963.), que instaura no Brasil a poesia práxis, e fundou a revista Praxis, que contou com a colaboração do modernista Cassiano Ricardo (1985 – 1974), do crítico literário José Guilherme Merquior (1941 – 1991), do cineasta Cacá Diegues (1940) e dos críticos de cinema Jean-Claude Bernardet (1936) e Maurice Capovilla (1936). Em 1963, foi convidado pelo Itamaraty, para pronunciar uma série de conferências sobre literatura brasileira em países da Europa e do Oriente Médio. Realizou palestras sobre os problemas da vanguarda artística em diversas universidades dos Estados Unidos, em 1964.

Entre 1979 e 1983, ocupou o cargo de secretário municipal de Cultura de São Paulo, responsabilizando-se pela inauguração da Pinacoteca Municipal, do Museu da Cidade de São Paulo e do Centro Cultural São Paulo – CCSP. Em 1994, concluiu o doutorado em ciência da literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Seus poemas foram publicados em francês, inglês, italiano, espanhol, alemão, holandês, árabe e tcheco. Desde 2004, em São Paulo, exerceu o cargo de professor titular de comunicação comparada da Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM. O poeta morreu aos 78 anos, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Era viúvo da artista gráfica Emilie Chamie, sua companheira de muitos anos, falecida em 2000. Era também pai da musicista e cineasta Lina Chamie.

Premiações:

1958 – Porto Alegre RS – Prêmio Nacional de Poesia, pelo livro Os Rodízios

1962 – São Paulo SP – Prêmio Jabuti, pelo livro Lavra Lavra, concedido pela Câmara Brasileira do Livro

1974 – São Paulo SP – Prêmio de Televisão, pelo programa Dimensão 2 (TV Cultura), concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte

1974 – São Paulo SP – Prêmio Governador do Estado de São Paulo, pelos originais do livro Linguagem Virtual

1976 – São Paulo SP – Prêmio de Ensaio, pelo livro Linguagem Virtual, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte

1977 – São Paulo SP – Prêmio de Poesia, pelo livro Objeto Selvagem, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte

2003 – Prêmio Portugal Telecom – (3° lugar), pelo livro Horizonte de Esgrimas.

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Ozualdo Ribeiro Candeias – nasceu em Cajobi em 05/11/1918

Sua primeira experiência com a direção cinematográfica foi o curta “Tambau – Cidade dos Milagres” (1955), que já trazia elementos característicos de sua obra, como a retratação dos miseráveis, a ironia e a provocação. Além de “A Margem”, estão entre seus longas mais emblemáticos “As Belas da Billings” e “O Vigilante”.

O cineasta também dirigiu e produziu curtas-metragens sobre a Boca do Lixo. Com José Mojica Marins, o Zé do Caixão, dirigiu em 1968 a “Trilogia de Terror”, composta por três contos – ele assinou “O Acordo”, que fala de um pacto demoníaco pelo qual uma mãe entrega sua filha virgem ao Diabo.

Candeias também trabalhou com Marins em “Ritual de Sádicos” (1969), no qual atuou. João Silvério Trevisan, David Cardoso, Rubem Biáfora e Valêncio Xavier foram outros cineastas que contaram com sua colaboração. Em 2013 o cineasta Eugênio Puppo produziu o documentário “Ozualdo Candeias e o Cinema”, a partir de depoimentos em áudio de Candeias e de vasto material audiovisual, remonta a trajetória do caminhoneiro que se tornou um dos mais importantes cineastas do Brasil. Ozualdo morreu em 2007 aos 88 anos, de insuficiência respiratória em São Paulo.

Confira os longas-metragens de Candeias:

“A Margem” (1967)
“Trilogia de Terror” (1968), com José Mojica Marins
“Meu Nome É Tonho” (1969)
“A Herança” (1970), baseado em “Hamlet” de Shakespeare
“Zézero” (1974)
“A Opção” (1981)
“Manelão, o Caçador de Orelhas” (1982)
“A Freira e a Tortura” (1983), adaptação da peça de Jorge Andrade
“As Belas da Billings” (1987)
“O Vigilante” (1992)

Veja o trailer do documentário “Ozualdo Candeias e o Cinema”:

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