Após vários acidentes com trens na região, Edinho pede novo traçado ferroviário

Publicado em 12 de novembro de 2014 às 14h49
Atualizado em 12 de novembro de 2014 às 14h50

O deputado Edinho Araújo protocolou ontem (11), no final do expediente, uma indicação solicitando ao Ministério dos Transportes e à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) providências urgentes para iniciar os estudos para construção de um novo traçado ferroviário de cargas em todo o interior paulista, retirando os trens cargueiros das áreas urbanas.

O deputado também pediu o apressamento da obra do contorno ferroviário de Rio Preto (Mirassol a Cedral), prometida pelo governo federal, alegando falta de segurança na ferrovia e risco real de acidentes.

Edinho também está debatendo o assunto na Comissão de Viação e Transportes da Câmara, da qual é membro.

ÍNTEGRA DA INDICAÇÃO

O tráfego diário de até 20 comboios ferroviários, com cerca de 80 vagões cargueiros cada um, torna os trilhos da América Latina Logística no interior de São Paulo um importante escoadouro da produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro, rumo ao Porto de Santos.

Além dos comboios que levam a produção agrícola, a ferrovia é utilizada também para o transporte de combustíveis.

Ocorre que por ser originariamente uma ferrovia destinada ao transporte de passageiros, a malha corta praticamente todas as áreas urbanas no trecho compreendido entre Santa Fé do Sul e Campinas, de aproximadamente 540 quilômetros de extensão.

A passagem dos comboios é sempre um momento tenso para os moradores dessas cidades paulistas.

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A má conservação da malha férrea tem sido causa de sucessivos descarrilamentos no trecho, alguns muito graves, como o acidente com uma composição cargueira que matou oito pessoas em São José do Rio Preto, no Jardim Conceição, no mês de novembro de 2013.

Ainda na quinta-feira da semana passada (06.11.14), uma composição da América Latina Logística carregada de soja descarrilou por volta de 22 horas na região central da cidade de Catanduva, no sentido de São Paulo.

Onze vagões saíram dos trilhos, atingindo o muro de uma escola, o Colégio COC, causando pânico entre alunos e professores. Por sorte não houve feridos. Ainda em Catanduva e na cidade de Mirassol houve outros cinco descarrilamentos recentes, assustando a população.

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Nota-se, portanto, que há risco real de as tragédias se repetirem.

O risco tende a agravar-se com a entrada em operação do ramal da Ferrovia Norte-Sul, que conectará com a atual malha na cidade de Estrela D´Oeste, no Noroeste de São Paulo.

A previsão é de que o volume de tráfego triplique, aumentando os riscos de acidentes, seja por descarrilamentos causados pelo desgaste de trilhos e dormentes, seja pelas centenas de cruzamentos em nível, nas quais não existem cancelas, nem funcionários para vigilância.

A única medida de segurança, por incrível que possa parecer, é o apito de alerta do trem ao se aproximar as travessias em nível. A buzina soa a qualquer hora do dia e da noite, causando inúmeros transtornos às pessoas que vivem próximas à linha do trem.

O crescimento das cidades e o aumento das composições cargueiras tornaram-se incompatíveis. Não é mais viável que os trens cortem as cidades expondo, diariamente, seus moradores ao perigo de graves acidentes.

Assim sendo, senhor ministro, entendo que a única solução para aumentar a segurança no trecho ferroviário entre Santa Fé do Sul e Campinas é a duplicação da ferrovia em todo o trecho paulista, com a construção de um novo traçado fora das áreas urbanas.

Estou sugerindo o início imediato do competente estudo técnico para duplicar esse trecho paulista, preservando os trilhos atuais nas áreas urbanas como futura opção de transporte municipal ou intermunicipal.

Até que o projeto da nova malha esteja pronto, solicito pressa na execução do contorno ferroviário de São José do Rio Preto, obra já anunciada pela presidente Dilma, que irá desviar emergencialmente os trens cargueiros do centro de Mirassol, Rio Preto e Cedral, área densamente povoada.

A situação, hoje, reafirmo, é insustentável e extremamente perigosa. O crescimento das cidades levou as residências e o comércio para o lado dos trilhos, potencializando o risco de novas tragédias. É preciso agir preventivamente.

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