"Quem gosta de divisão é bandido, vim somar a Polícia Civil num só corpo", declarou Osinski aos repórteres sobre destino do 1° DP

DSC07932“Eu não vim fechar nenhum Distrito Policial, não tenho esse poder, só o governador pode. Eu vim fazer um teste, se não der certo volto atrás. Quero unir delegados, investigadores, escrivães e demais funcionários num só local, na Delegacia de Polícia, para servir bem à população de Olímpia, e espero que a minha mensagem seja bem-vinda, bem compreendida, principalmente pela população e pelas suas forças vivas”.

DSC07947A declaração foi feita hoje pela manhã pelo delegado seccional João Osinski, de Barretos, em coletiva à imprensa, ao anunciar que o trabalho da Polícia Civil de Olímpia será concentrado no prédio da Delegacia de Polícia da rua São João, deixando de dar despesas ao município com aluguel de prédio, e mantendo os seus funcionários unidos para a realização do mesmo trabalho, hoje, com o 1° Distrito Policial, é realizado em duplicidade e, nem sempre, uníssono e, pior ainda, sem atender satisfatoriamente a população e favorecendo, muito mais, ao marginal.

Em breve, a DDM também será concentrada no prédio da Delpol, com a desvinculação da Ciretran da Segurança Pública (leia mais abaixo).

A coletiva à imprensa foi concedida na presença, também, do delegado Mário Renato Depieri Michelli. O delegado titular João Brocanello Neto estava dando aula na Academia de Polícia, em Ribeirão Preto (SP).

DSC07933“O Distrito Policial de Olímpia foi criado pelo decreto 33.714/91 do governador e só poderia ser extinto por decreto, então foi uma má interpretação quando eu li por aí que eu, delegado seccional, viria fechar o 1° DP de Olímpia. Eu não sou o governador, não posso fechar nenhuma unidade policial”, iniciou esclarecendo Osinski. “O que é o correto é que, há mais de um ano, vem sendo feito um estudo, chamado de ‘reengenharia dos órgãos da Polícia’ e, num ato de coragem, nós, da ponta da linha, estamos sendo consultados do que é ou não interessante para a região, para a população da cidade”, acrescentou.

Daí, quando essa ‘reengenharia’ teve início, o seccional Osinski sugeriu que, na região de Barretos, que engloba Olímpia, algumas unidades policiais poderiam ser reagrupadas: “A unidade não seria extinta, nem os cargos e as chefias, mas se faria uma experiência para prestar um bom serviço para a coletividade”.

E fez questão de deixar claro que “essa decisão que estamos tomando não partiu de cima, não tem nada a ver com outro projeto que vem sendo anunciado de reestruturação de delegacias no Interior paulista, foi apenas uma infeliz coincidência. Essa decisão é nossa, da base, do seccional”.

A POLÍTICA DOS ANOS 90

O delegado seccional lembrou que, na década de 90, “através de uma política de segurança pública de se criar mais unidades policiais, dividindo as cidades em regiões distintas e, assim, foram criadas sem que, ao mesmo tempo, fossem também implementados mais cargos, então o que se fez foi apenas dividir o que se existia – os funcionários e os móveis – e, da noite para o dia, falaram que o trabalho seria dividido metade para lá e a outra metade para cá. Então, desde a década de 90 não houve aumento de cargos e nem de estrutura para isso”.

“E isso foi se alastrando até, de certa forma, política, porque todo mundo queria um distrito, uma delegacia perto de sua casa”, ressaltou o seccional. Segundo ele, “com o decorrer dos anos, a Polícia Civil foi envelhecendo, perdendo a sua identidade, e se criou a falsa cultura de que delegacia traz segurança. A Delegacia não é responsável pelo policiamento preventivo e ostensivo, mas sim é um local onde o policial civil tem o dever de fazer um trabalho de inteligência, de investigação, prestando o serviço à comunidade ao esclarecer os crimes”.

CRIMINOSO UNIDO, POLÍCIA DESUNIDA

Osinski revelou que, na prática, “não é isso o que a gente vê; temos uma sobrecarga de serviços com um número reduzido de funcionários naquelas unidades e, no caso de Olímpia, a divisa de um distrito para o outro é o rio. A população vai em uma e recebe a resposta: ‘Vá em outra, que o problema está lá’. Enquanto que a criminalidade se uniu, se organiza, nós fazemos o contrário: dividimos os esforços que temos”.

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De posse de documentos relatando estatísticas do trabalho policial em Olímpia e região, o delegado seccional revelou aos repórteres: “Em 2010, o 1° DP instaurou 242 inquéritos, e a Delegacia do município com 229, portanto bem menos do que o Distrito”, e prosseguiu: “Tenho 576 boletins de ocorrência de autoria desconhecida elaborados no 1° DP, contra 650 na Delegacia Titular, só que, por outro lado eu tenho 163 esclarecidos no 1° DP e 89 na Delegacia. E isso aliado ao número de funcionários totalmente distintos: 17 funcionários na Delegacia e 7 no 1° Distrito. Então, alguma coisa está errada nisso”.

Assim, Osinski continua com o seu raciocínio quanto ao destino do 1° DP: “A ideia não é extinguir nada, muito pelo contrário, é tentar reagrupar o que temos, os mesmos esforços para o mesmo lugar. Bandido não vê o rio como limite. E o que ocorre é que, por exemplo, o furto que acontece na área do 1° DP a Delegacia não tem conhecimento, porque é registrado lá, fica lá, e vice-versa”.

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Segundo ele, “a ideia de trazer para uma única unidade todo o serviço significa que você pretende prestar o melhor serviço à sociedade e, neste prédio onde estamos, na Delegacia Titular, com amplo acesso ao deficiente, sala de espera, o plantão noturno só funciona aqui, neste prédio são tirados CNH, RG, ou seja, temos tudo agrupado aqui e, por outro lado, temos um DP que fica lá, no outro lado do rio, com dois funcionários para meramente registrar BO durante o dia”.

SERVIÇO DOBRADO, INVESTIGAÇÃO (QUASE) PARADA

Com esses dados em mãos, o delegado seccional confessa que “dessa forma como vem sendo feito em Olímpia não estamos prestando um bom trabalho à população, não estamos investigando nada, e estamos fazendo tudo em dobro: mensalmente, por exemplo, essa prestação de contas é feita pelas duas unidades. Todos os dias, o plantão tem de separar, logo cedo, o que é do primeiro ou da Delegacia. Serviço dobrado. Todos os dias, registra-se tudo novamente, no Distrito, o que já foi registrado aqui na Delegacia. Escritura-se todos os dias os livros, e são mais de 20, lá e aqui. Estamos perdendo tempo com a burocracia enorme, os funcionários ficam vinculados a preencher livros, prestar contas, uma série de coisas e não o objetivo-fim que é o inquérito policial bem feito, um termo circunstanciado bem feito e, o que é mais interessante: um serviço de inteligência bem feito, de aprimoramento da investigação”.

DSC07950Com esse cenário, o delegado seccional lança a pergunta à comunidade olimpiense: “Não seria melhor todas as ocorrências policiais serem registradas no mesmo local? Não é melhor todo mundo investigar os crimes que ocorrem aqui? Por que o 1° DP não pode investigar os assuntos da Delegacia? Por que eu não sei o que acontece lá e o que acontece aqui? É uma questão, enfim, de prestar um bom serviço à coletividade. E é simples: vocês saem daqui e vão ver o prédio do 1° DP. Não tem questão política, nem com o prefeito, com os vereadores, porque todo mundo quer mais delegacias, mais delegados, mais policiais, todos queremos segurança, mas a questão aqui é a de trazer, aqui, o melhor serviço à população”.

TRANSPARÊNCIA

O delegado seccional assinala que “a minha ideia foi mostrar isso para a população através de vocês, da imprensa, e vejam o que é melhor para todos. Se eu tenho aqui um plantão todas as noites, inclusive sábados e domingos o dia todo, por que eu não posso fazer aqui um plantão concentrado, nesta Delegacia, ininterruptamente, atendendo a população 24 horas”.

E, faz uma comparação com o trabalho prestado pela Polícia Militar: “Quando a PM atende à uma ocorrência, ela não quer saber se vai levar para um ou outro distrito, ela leva para onde está atendendo. A população sabe onde vai reclamar, para o jogo de empurra-empurra: a verdade é que hoje um empurra para o outro o problema, concentrando num só lugar acaba com isso e a cobrança fica mais clara e direta”.

Concluindo o seu pensamento, antes das perguntas dos repórteres, o delegado seccional deixou claro que “foi apenas uma infeliz coincidência essa nossa atitude regional com a questão macro de segurança pública do governo do Estado que, conforme mostram as reportagens da grande imprensa, vai fechar delegacias de cidades com população inferior a dez mil habitantes, nem estou por dentro dessa estratégia, isso é de governo, a nossa decisão aqui foi regional”.

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E, voltou ao ponto inicial: “Ninguém veio fechar Unidade Policial. O que estamos anunciando aqui é agrupar os recursos. Encerraremos todos os livros das duas unidades e passa-se a ter um único registro. A distribuição dos Boletins de Ocorrência será única para toda a equipe de investigações. Tenho quatro escrivães na Delegacia e dois no 1° DP, sendo que um fica encarregado, o dia todo, de preencher papelzinho. Então, tenho um só. E com o plantão noturno, acabo tenho meio escrivão só. A cidade não vai perder nada, muito pelo contrário. É uma questão de reengenharia, uma questão técnica”.

O seccional disse que é preciso “acabar com essa mentalidade que servidor público bate cartão e vai embora, temos de buscar a mesma eficiência, ou pelo menos tentar chegar perto, do que acontece na iniciativa privada”.

O prédio do 1° DP é alugado pela prefeitura e com despesas dobradas com a Delegacia, explicou Osinski. “Com o agrupamento num só local, o prédio poderá ter outro destino e as despesas cortadas pela metade: dois telefones, dois faxes, dois aluguéis, mas a prefeitura está tendo uma despesa desnecessária que poderia ser aplicada em outra área. Além do mais, quem disse que prédio físico traz segurança? Do lado tem os bombeiros, então aquele lado continuará com polícia. Não somos polícia ostensiva, o DP não fica aberto o tempo todo, daí não vejo necessidade nessa divisão de tarefas, duplicidade de trabalho e população sendo mal atendida”, acentuou.

E. finalizou: “Não é questão política, é técnica”.

TRÂNSITO E DDM

Com a passagem das Circunscrições de Trânsito (Ciretrans) para a Secretaria de Gestão e não mais para a Segurança Pública, em no máximo 120 dias o atendimento de trânsito deverá, também, sair do prédio da Delegacia Titular, já muda a esfera de responsabilidade. Daí, a intenção do seccional é concentrar, também, a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) no local onde hoje é a Ciretran de Olímpia.

“Não tem sentido alugar um prédio só para uma delegada e dois funcionários. Se lugar de bandido é na Delegacia, então vai estar no local certo dentro em breve”, afirmou Osinski.

Pelos dados do seccional, a DDM realizou de janeiro até hoje 90 inquéritos e cerca de 400 boletins registrados. “Nada impede que ela funcione aqui (na Delegacia titular). Se o sujeito bate na mulher, vai bater também na delegada, nas duas funcionárias e ninguém vai dar apoio, se continuar isolada”, disse.

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2 comentários em “"Quem gosta de divisão é bandido, vim somar a Polícia Civil num só corpo", declarou Osinski aos repórteres sobre destino do 1° DP”

  1. Acho um absurdo o que estão fazendo. Ora… vai fechar e afirma que não vai fechar? O que importa se vai ou não demitir? Importa que, para a população, é algo que se perde em tempos de segurança pública.

    Realmente, prédio não traz segurança, mas se tiver mais dois ou três funcionários, se o Estado contratar mais e falar menos, quem sabe as coisas melhoram.

    Cadê o prefeito, os vereadores, todo mundo contra???

    Selma

  2. Fecha e não fecha…kkkkkkkk…essa é boa… 1° de abril mesmoooooooooooooooooo… se fechar o prédio, os funcionários vão para a Central… e daí? Se o 1 DP produz mais do que a Central… não seria exatamente o contrário a fazer? Ou ver a razão de lá produzir mais do que aqui?

    Contratemmmmmmmmmmmmmmm… é o melhor a fazer.

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