Dez anos de cadeia para peão que assassinou campeão de Barretos em 2007

Publicado em 14 de novembro de 2012 às 12h46
Atualizado em 16 de novembro de 2012 às 14h44

O peão de rodeio Aparecido Alves dos Santos, 50 anos, foi condenado a 10 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do tricampeão de Barretos Virgílio Gonçalves, 35, em 2007.

sentenca

A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri de Novo Horizonte, ontem, após nove horas de julgamento. Virgílio foi morto com um tiro na cabeça. O crime aconteceu durante a Festa de Peão de Novo Horizonte.

Durante o julgamento, os advogados de defesa do peão, Ribamar de Souza Batista e Jorge Geraldo de Souza, tentavam convencer os sete jurados – quatro homens e três mulheres – de que Santos matou o adversário das arenas em legítima defesa. Já o promotor de acusação, André Gandara Orlando, queria mostrar que, além de assassino, o peão também agiu por vingança, sem que a vítima tivesse chance de defesa.

O júri popular acatou parcialmente a tese do promotor e entendeu que o peão não deu chance de defesa para a vítima. Com isso, a pena inicial aplicada pelo juiz Sérgio Ricardo Biella chegou a 13 anos de prisão. No entanto, os advogados de defesa também convenceram os jurados que o peão havia sido provocado por Virgílio, já que minutos antes de ser morto, o tricampeão de Barretos agrediu Santos.

Essa tese, aliada à confissão do crime, colaborou para a redução da pena para 10 anos. O peão está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Rio Preto desde a data do crime. Santos é reincidente. Ele já havia sido condenado a cinco anos de prisão por tentativa de homício em Itapeva, na região de Ourinhos. As duas condenações somam 15 anos de prisão, sendo que o assassinato é considerado crime hediondo.

Com isso, o peão, que já cumpriu cinco de prisão, terá que passar ainda dois terços da pena, que dá 6 anos, preso em regime fechado, antes de obter o benefício da progressão para o regime semiaberto. A Justiça Criminal ainda não decidiu em qual penitenciária o peão cumprirá a pena.

Julgamento atrai curiosos

Ao final do julgamento, que atraiu aproximadamente cem pessoas para o Fórum de Novo Horizonte, os advogados que defenderam o peão de rodeio Aparecido Alves dos Santos e o promotor de acusação, André Gandara Orlando, disseram que vão recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ) para modificar a decisão dos jurados.

Enquanto o advogado Ribamar de Souza Batista alega que o assassinato cometido pelo peão deve ser enquadrado como crime de “homicídio simples”, o promotor destaca que o crime foi “qualificado”, ou seja, praticado com agravantes, como a vingança, e com “elemento surpresa”, já que Virgílio Gonçalves não teria tido chance de se defender do tiro que o matou.

“Houve legítima defesa. Ele (Santos) repeliu uma agressão que sofreu. Antes de disparar (o tiro), o réu foi agredido”, disse o advogado do peão. O promotor rebateu. “Ele (Santos) é tão sorrateiro que atacou a vítima pelas costas. O crime foi planejado, premeditado”, afirmou Orlando. O promotor vai pedir ao TJ que a pena aplicada contra Santos seja aumentada para 14 anos de prisão. Já o advogado quer a redução da pena para 8 anos de prisão.

Choro

A mulher de Santos, Valdete de Lazeri, que é empresária em Novo Horizonte, acompanhou o julgamento. Ela passou o tempo todo sentada na primeira fila da plateia. E chorou várias vezes durante o julgamento. Valdete não quis conversar com a reportagem.

Amigos de Virgílio também acompanharam o debate entre acusação e defesa. Eles também não quiseram comentar a pena aplicada contra o peão que matou o tricampeão de Barretos. (Diarioweb)

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