Aplicativo de mensagens vira caso de polícia em Tanabi por causa de ‘lista de zoeiras’

Publicado em 21 de janeiro de 2015 às 8h31
Atualizado em 21 de janeiro de 2015 às 8h32

Mensagens enviadas pelo aplicativo WhatsApp acabou em agressão e virou caso de polícia, ontem, em Tanabi. A professora K.A.G., 35 anos, e a irmã dela N.A.G., de 31, agrediram a farmacêutica P.F.S., de 23 anos, porque se sentiram ofendidas com uma mensagem que ela teria repassado pelo aplicativo. O nome das duas consta em uma lista que está sendo repassada pelo celular entre os habitantes de Tanabi desde a semana passada. Nela, estão nomes de moradores com a classificação de “os mais chatos”, “os mais cornos” e “os mais gays”, além de ofensas contra mulheres da cidade.

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Só ontem, seis pessoas – entre elas as duas irmãs envolvidas na briga – haviam procurado à polícia para denunciar o problema. As irmãs afirmaram aos policiais que ficaram sabendo da lista e acusam P.F.S. de ter repassado a mensagem. Por conta disso, foram até ao local de trabalho dela, em uma farmácia, e a agrediram. Elas prestaram depoimento, registraram queixa por injúria e foram liberadas. Já a farmacêutica fez boletim de ocorrência por agressão e negou que tivesse repassado a lista com os nomes pelo WhatsApp.

Outra que procurou a polícia foi a assistente social F.G.P.V., de 36 anos. Ela afirma que teve a imagem prejudicada ao ser mencionada na lista. “Tenho um nome a zelar. Sou mãe de família e tenho dois filhos. Isso está afetando muito minha vida pessoal e profissional também. Foi coisa de alguma pessoa que tem inimizade comigo. Quero que essa pessoa seja punida”, afirmou.

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O delegado José Francisco de Mattos Neto, titular da delegacia de Tanabi, afirmou que todos casos foram registrados como injúria, ou seja, quando o acusado atribui a alguém qualidade negativa, que ofenda sua honra ou dignidade. A pena para quem comete esse tipo de crime é de um a seis meses de detenção ou multa.

“Todas ficaram ofendidas com essa lista de muito mau gosto. Duas delas agrediram uma moça porque acreditam que ela teria repassado as mensagens. Vamos começar a investigar para chegar à origem dessas injúrias”, afirmou o delegado.

Especialista diz que vai ser difícil encontrar suspeitos

Criado em 2009, o WhatsApp se tornou o líder de downloads dos usuários de smartphones e é ainda continua o mais baixado entre os aplicativos para celulares. Junto com o crescimento dele, aumentou também o número dos casos de injúrias, difamação e calúnia cometidos no mundo virtual. A aplicativo permite a troca de mensagens instantâneas entre pessoas por meio da internet. Também é permitida a criação de grupos de até cem integrantes.

Com tanta gente conectada, a velocidade com que uma foto ou um texto se propaga é grande, o que dificulta as investigações policiais. E o caso de Tanabi não foge à regra. A lista de mau gosto que rotula moradores da cidade começou a ser divulgada no último fim de semana e já chegou para a maioria dos usuários do WhatsApp daquela cidade. “Todo mundo está sabendo dessa lista. E cada um que recebe repassa e inclui algum nome, o que piora ainda mais a situação”, afirmou a assistente social F.G.P.V, vítima das mensagens.

Celular por celular

Além da rápida propagação das mensagens, as investigações policiais desse tipo de crime enfrentam outra dificuldade. De acordo com o professor Carlos Roberto Valêncio, especialista na área de banco de dados da Unesp de Rio Preto, esse tipo de aplicativo costuma armazenar os conteúdos apenas no celular do usuário, portanto para a polícia chegar até o autor da injúrias teria de examinar cada celular envolvido.

“Essas empresas geralmente guardam apenas os nomes de usuários e o número de mensagens enviadas, mas não o teor delas. Fica impossível guardar todos os conteúdos das conversas porque são muitas pessoas cadastradas. O melhor caminho para chegar até o responsável pelo envio da lista em questão é conseguir uma lista de suspeitos e examinar o celular deles”, sugere.

Fonte: Diarioweb

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