Parque Ambiental pioneiro no País será criado em Olímpia

Publicado em 27 de fevereiro de 2015 às 13h56
Atualizado em 27 de fevereiro de 2015 às 13h57

O município da Estância Turística de Olímpia será pioneiro em seu porte no Brasil a instalar um Parque Ambiental, sistema para descarte de resíduos sólidos diferente do Aterro Sanitário, para onde vai todo tipo de lixo, de forma indiscriminada. O sistema do Parque Ambiental é diferenciado porque ali se processarão os resíduos em três etapas, visando o objetivo final que é reduzir ao máximo os rejeitos e tirar do meio ambiente urbano tudo o que for nocivo a ele. Este projeto também contempla a coleta seletiva de lixo, além de muitas outras ações.

ambiental

O assunto foi tratado na tarde de anteontem, quarta-feira (25), pelos professores-doutores José da Costa Marques Neto, da Universidade Federal de São Carlos-Ufiscar, e Rodrigo Eduardo Córdoba, da Universidade Paulista-Unip, em reunião com os membros do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente-COMDEMA.

Foi uma pré-audiência com os responsáveis por conduzir a audiência pública desta sexta-feira, 27. O evento está marcado para às 19 horas, na Câmara de Vereadores. A implantação do Parque faz parte do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de Olímpia, que por sua vez é exigência de Lei Federal, a que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

O Plano foi elaborado em parceria com a Universidade Federal de São Carlos-Ufscar, no tocante à implantação das etapas de diagnósticos e de prognósticos, linhas de ações, para um período estimado de 20 anos. Trata-se de um planejamento composto de uma série de ações visando a melhoria da qualidade de vida da população em relação aos resíduos que são gerados.

“Nos diferentes resíduos que foram estudados, existe um gerenciamento específico. A equipe planejou e instituiu uma série de metodologias e uma série de ações para serem implantadas a longo prazo. E nem é interessante que seja a curto prazo, por causa das diferentes ações. Mas ao mesmo tempo existe a necessidade de a cidade cumprir a legislação federal”, explica o professor José da Costa Neto.

“O Parque Ambiental é uma infraestrutura de tratamento de deposição ambientalmente adequada, em consonância com a Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Foi idealizado com base em modelos de infraestrutura europeia e americana. Assim Olímpia dá um passo à frente de municípios de seu porte, de forma pioneira”, complementa Neto. O Parque Ambiental tem um prazo de 20 anos para ser implantado de forma completa. “Vão ser implementadas diferentes ações, em conjunto com diferentes atores”, observa Neto.

“Infelizmente a visão que predomina no Brasil em relação aos resíduos sólidos é a implantação de aterro sanitário. Mas nós entendemos, após estudos, que o Parque Ambiental, a segregação de resíduos, a separação em diferentes tipos, e o seu tratamento e destinação adequados, é o mais importante por provocar diminuição de volume, diminuição de massa, e até para a comercialização de diferentes resíduos que têm valor agregado, o que hoje não é feito. Vai trazer benefícios para a cidade e para o Poder Público. De fato, entendemos ser o melhor caminho.”

Mas, para que tudo saia a contento, o professor diz ser mais que importante a parte da educação e informação, principalmente para o munícipe, em relação a como será o funcionamento do sistema. “Isso é fundamental”, enfatiza. “Como proceder, a destinação ambientalmente adequada dos resíduos, que tipos de resíduos, até porque às vezes a população desconhece as tipologias, qual a maneira mais adequada de dispor destes resíduos”, observa.

Ele defende, inclusive, o ensino nas escolas sobre o tema. “Seriam planos de educação, nas escolas, desde o Fundamental, passando pelo Ensino Médio. A informação transversal em todos os níveis pode contribuir para que a cidade vá culturalmente se informando e crescendo ao longo do tempo”, opina.

De acordo com Neto, “uma cidade com o porte de Olímpia e com as características que ela tem, ser pioneira neste tipo de projeto, é motivo de orgulho, por isso, parabenizo a equipe gestora e o prefeito Geninho, por trazer para cá esta proposta, e de nos procurar enquanto Academia, já que por esta parceria importante traremos o que existe de mais avançado tecnologicamente para o campo da sociedade civil”.

 

 

 

Com Parque Ambiental Olímpia inverte lógica dos aterros sanitários

 

Além de dar um passo importantíssimo rumo ao futuro na relação com o seu Meio Ambiente, o município da Estância Turística de Olímpia inverte uma lógica nefasta que impera no Brasil, que é a da implantação de aterros sanitários para dar fim aos resíduos sólidos que produz. A observação é do professor-doutor da Universidade Paulista-Unip, Rodrigo Eduardo Córdoba. “Vai ser um grande avanço para o município pela inversão desta lógica”, enfatiza o mestre.

“Devemos esquecer isso de que o aterro sanitário é a melhor coisa para se resolver a questão dos resíduos sólidos. Por isso, o melhor é trazer a ideia do tratamento, prioridade de não gerar o resíduo e criar este polo de destinação ambientalmente adequada do resíduo”, explica.

“Isso vai possibilitar ao munícipe conhecer, saber onde destinar cada resíduo que ele gera, ao longo de um prazo de 20 anos. Mas a iniciativa inicial já foi dada, que é esse Plano (Municipal de Resíduos Sólidos). Agora vai ser criado o tratamento adequado e destinado a esse polo integrador que é o Parque Ambiental de Resíduos Sólidos”, complementa.

Para implantar o Parque Ambiental em Olímpia ainda falta uma boa estrutura, que segundo Córdoba será alcançada ao longo deste prazo de 20 anos. O projeto começará pela coleta seletiva e formação de equipe de triagem para destinar o material somente reciclado. “O que falta é isso, coleta e destinação ao Parque Ambiental. Esse é o primeiro passo que o município vai dar”, diz.

“São três etapas, sendo a posterior a que atenderá o resíduo da construção civil e depois pode ser feito um acordo com fabricantes, por exemplo de lâmpadas, o que demandará um pouco mais de trabalho, para que ele se responsabilize pelo material após depositado no Parque Ambiental. Esta etapa dará mais trabalho porque tem que se sentar com cada produtor, para acordos setoriais. Pneu o município já faz (o repasse para o fabricante). Lâmpadas, pilhas e baterias serão etapas subsequentes”, relata.

Rodrigo Córdoba disse não haver um prazo definido para cada etapa. “Há um prazo global de 20 anos. Em prazo curto serão implantadas as ações emergenciais, digo em dois a três anos. Depois as outras duas, a médio e longo prazos. Quando se chegar à etapa final, o projeto tem que ser revisto, vê-se o que funciona, mantem o que está bom, e depois se faz uma reestruturação, se necessário”, finalizou.

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