Prefeitura reúne produtores rurais para projeto ambiental (e ambicioso) do Olhos D’Água

O prefeito de Olímpia, Geninho Zuliani (DEM), deverá concretizar, até o final do mês, um ambicioso projeto de recuperação e preservação da mata ciliar do Córrego Olhos D’Água, principal fonte de abastecimento de água do município, ao mesmo tempo que tenta conscientizar os produtores rurais ribeirinhos a cumprirem o código florestal de 1965.

Até o final do mês, o projeto abrangendo o Olhos D’Água deverá ser protocolado no Fundo Nacional do Meio Ambiente e, com isso, R$ 300 mil poderão ser liberados para a sua execução.


Cerca de 50 produtores rurais atenderam ao convite do prefeito para uma reunião na sede do Sindicato Rural, às 20h, juntamente com membros do Conselho Municipal de Desenvolvimento do Meio Ambiente (CONDEMA), do Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura, para, juntos, ouvirem a palestra da engenheira florestal Silvana Torquato Duarte, de Rio Preto, responsável pelo projeto voltado para o Córrego Olhos D’Água.

O diretor de meio ambiente da Prefeitura, Fernando Velho, disse que a reunião foi direcionada aos proprietários que possuem imóveis rurais na bacia de captação da água de Olímpia. “Estamos buscando recursos no Fundo Nacional do Meio Ambiente para recuperar as áreas degradadas, localizadas nas áreas de preservação permanente da Bacia dos Olhos D’Água. A política do governo municipal é a de preservar a água”, revelou.

Quanto à verba federal, o diretor disse que “o mínimo é de R$ 200 mil e o máximo é de R$ 300 mil, para um projeto com aval dos proprietários rurais para que possamos realizar ações de recuperação e preservação nessas áreas degradadas”. Segundo assinalou, essa foi a terceira reunião para a concretização do projeto, e outras semanais serão realizadas até o final do mês. Na quinta, foram colhidas assinaturas de adesão dos proprietários se comprometendo a atender à política de preservação dos mananciais e a orientação do governo municipal de Olímpia.

FUTURO OU DESTINO?

“Eu nem tinha nascido em 1965 e já havia a preocupação com a mata ciliar, mas por culpa das gerações passadas nem sempre foi cumprida e a degradação está ameaçando o nosso ecossistema e o bem-estar das gerações futuras”, disse o prefeito Geninho aos produtores.”Quem planeja, tem futuro; quem não planeja, tem destino. E olhem o destino que nos aguarda se não pararmos e planejarmos a partir de agora a recuperação do que foi destruído”, acrescentou.

Geninho agradeceu ao diretor Fernando Velho e presidente do CONDEMA, Paulo Minari, pela oportunidade da reunião, trazendo a engenheira Silvana Duarte “para mostrar a realidade de nossos mananciais aos produtores rurais”. Ele lembrou que o seu governo tem sido “bastante democratíco, primeiro com um Conselho de Desenvolvimento Rural bastante deliberativo, o CONDEMA com o mesmo poder de decidir; pela primeira vez em sua história, Olímpia terá verba para a Agricultura em 2010 com cerca de R$ 500 mil, que antes era zero, para serem aplicados no meio ambiente e na Agricultura”.

NASCENTES SENDO ‘MORTAS’

O prefeito lembrou que os agricultores estão “muito achatados”, e justificou: “Eles tem de reservar 20% da propriedade para reserva legal, mais 30 metros de área de APP (Área de Preservação Permanente), e 50 metros de proteção das nascentes. E isso não é o Geninho que está inventando, é o Código Florestal de 1965. Só que os nossos antepassados, não por culpa dolosa, mas por falta de cultura, degradaram o meio ambiente, comprometendo a Mata Atlântica, a Floresta Amazônica e, para situarmos em Olímpia, aqui se ‘matam’ de duas a três minas de água por dia, por isso estamos tentando resgatar toda essa estrutura através do trabalho de conscientização, protegendo o Olhos D’Água, desde a Aurora Forti Neves até a cidade de Severínia, onde o córrego nasce, e cada produtor vai ter de replantar árvores nativas para segurar os barrancos, evitar erosões, fazer com que, de fato, a mata ciliar cuide dos rios”.

Geninho denunciou que, atualmente, “existem nascentes sendo pisoteadas por vacas, gradeadas por tratores, água sendo retirada para servir às grandes indústrias, como do suco de laranja, e isso não pode acontecer mais”. Por tudo isso, ele reconhece que “a situação do produtor está cada vez pior, perdendo áreas para cumprir a legislação, fora os preços da laranja, da cana, enfim, ele está bastante achatado, por isso não vamos impor nada a eles, mas vamos, sim, forçar a conscientização, mostrar o que acontece desde a nascente até a torneira da criança que bebe água”.

Por isso, a prefeitura de Olímpia ajudará os produtores a protegerem os mananciais instalando cercas na extensão da mata ciliar e fornecendo mudas nativas. Para isso, o Viveiro Municipal está sendo reestruturado para fornecer, em larga escala, cerca de 80 espécies de mudas nativas, segundo confirmou o presidente do CONDEMA, Paulo Minari.

CONDEMA

Para Minari, a preocupação do prefeito Geninho com o meio ambiente e, agora, com a preservação dos mananciais, especialmente dos Olhos D’Água, “só vem completar o trabalho que os produtores já vinham fazendo há algum tempo, mas sem a estrutura que agora será fornecida”. Segundo ele, as empresas nacionais ou estrangeiras, organizações como Rotary, Lions, tem contribuído com ações ambientais. “A ideia agora é juntar todas essas ações numa só, onde todos possam participar, caminhando no mesmo sentido, e essa reunião com produtores representantivos da bacia de contribuição dos Olhos D’Água a partir de amanhã, com certeza, vão estar divulgando essa proposta”.

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