Zé das Pedras quer corrigir o caos que o seu partido causou na telefonia celular

Publicado em 30 de maio de 2012 às 10h49
Atualizado em 30 de maio de 2012 às 10h59

O líder do PMDB, vereador José Elias Morais (Zé das Pedras), sinalizou para a bancada governista que, com o seu voto, será possível, finalmente, tirar Olímpia do caos da telefonia celular, ocasionado por uma lei que o seu partido, há quase quatro anos, aprovou, inclusive com o seu voto, impedindo a instalação de estações de radio base (ERBs) das operadoras em área urbana.

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“Eu votei, sim, a favor da lei em vigor, mas hoje estou arrependido. Hoje mal falamos nos celulares, o sinal é péssimo, as cidades progridem em tecnologia e vamos caminhando para trás”, disse o vereador.

De fato. Após a derrota do partido na eleição passada, motivada por um grupo de senhoras ‘preocupadas’ com a instalação de uma torre de celular na vizinhança, aprovou-se às pressas uma lei – de autoria do vereador, hoje reeleito e pré-candidato a prefeito, João Batista Dias Magalhães, criando dificuldades para a propagação das torres, contrariando, inclusive, a lei da física, dando crédito ao mito de que “telefonia celular dá câncer”.

A campanha foi tão ridícula que propagou-se que a escala de horror dos supostos efeitos iria de uma simples dor de cabeça, ou de aparecimento de tiques e de zumbido nos ouvidos, até o câncer, a leucemia e as malformações fetais. O então vereador, hoje prefeito, Geninho Zuliani (DEM), preferiu se abster da aprovação.

O ALERTA DA DIFUSORA

À época, a Difusora AM fez várias reportagens, repercutidas no jornal Gazeta de Olímpia, através do repórter Leonardo Concon, em que o renomado cientista Renato Sabbatini rebatia a campanha das “senhoras de Olímpia” e alertou, por diversas vezes: “Vocês, em Olímpia, em curto espaço de tempo, falarão apenas ‘alô, alô?’, e será o caos”. O caos chegou, realmente, pouco tempo após a aprovação da lei. Enquanto cidades da região adquirem novas tecnologias, inclusive de internet, em Olímpia ocorre o retrocesso.

antena-claro-oi-vista-geral11Naquela campanha, as mulheres e até ‘um conhecido engenheiro’ diziam que morar ao lado de uma estação radio base seria o mesmo que “receber a carga de um forno microondas”. Mas, a resposta foi imediata: “A não ser que você suba em uma antena de ERB e fique por lá por umas horas (o que é terminantemente proibido), nenhuma antena de celular tem potência suficiente para causar qualquer efeito mensurável sobre organismos vivos”, disse o cientista, acrescentando que “mesmo se alguém morar à uma distância pequena (cerca de 40 ou 50 metros), o total cumulativo de ondas eletromagnéticas que recebe por ano é menor do que ficar ao lado de um forninho de microondas por alguns minutos, ou que ficar tomando sol na piscina por algumas horas”.

Sabbatini ironizou: “Ora, ninguém tem dúvida que as radiações solares (também eletromagnéticas) são muito perigosas para a pele, e que comprovadamente causam cânceres horríveis em quem abusa e tem susceptibilidade racial ou genética, como o mortal melanoma. Nem assim o povo deixa de ir à praia ou se torrar à beira das piscinas ou em spas com lâmpadas ultravioletas. Mas ficam com medo das antenas”.

O ‘MEA CULPA’

O mesmo secretário de Obras do governo passado, engenheiro Gilberto Tonelli Cunha, que defendeu a malfadada lei contra as ERBs, reconheceu, em público, em sessão técnica com todas as operadoras de telefonia celular na Câmara Municipal, no ano passado, que “erramos porque não tínhamos informações suficientes, mas iremos mudar a lei”. Errado: informação ele teve, corrigida, na hora, naquela sessão, pelo repórter Leonardo Concon: “O cientista Renato Sabbatini avisou, sim. Nós, da imprensa, avisamos. Vocês é que perderam a eleição e prejudicaram ainda mais a cidade”.

Um ano após a reunião, nenhuma medida foi tomada e a cidade reclama, cada vez mais, do precário sinal. Não houve investimentos, ao contrário do que disse o líder do governo Luiz Salata (PP) na sessão ordinária passada, após o sinal verde de Zé das Pedras. Nas redes sociais, como Facebook, a revolta é geral. A internet é lenta. O sinal de algumas operadores sequer chega em alguns bairros distantes, mas Salata prometeu: “Fico feliz com o aval do Zé das Pedras, agora poderemos aprovar a mudança da lei, porque, sem o seu voto, não passaria com tranquilidade”.

É esperar e torcer para que, em pouco tempo, o sinal das operadoras não caia de vez. Vamos continuar cobrando.

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3 comentários

  1. Willian Quennehen disse:

    Vasculhando o Diário de Olímpia, vi esta matéria e gostaria de saber como anda esta questão, pois sou amante de tecnologia, uso de tudo o que os avanços na área oferecem, desde conexão de banda ultra-larga até a tecnologia 3,5G, que aqui em Olímpia costuma me decepcionar, quando não deixa de existir, sem falar em alguns lugares que ela nem sequer respira (diga-se Baguaçú e Ribeiro dos Santos). Cade a alteração da lei, Zé das Pedras? Aliás, temos muitos “cades”, não é?! Pergunta ao povo das COHAB’s I e II onde está o “Cristo”, ou o dinheiro arrecadado para colocá-lo… cade Zé, cade? “E agora, José?!”

    • Leonardo Concon disse:

      Vamos por partes. Acho que vc trabalha na Prefeitura e poderia obter essas respostas mais facilmente:

      1. Tecnologia Digital de Celular – depende de lei do prefeito. O Zé das Pedras bem que tentou, mas está na mão do líder Salata. Questione-o.

      2. Eu já escrevi sobre o tal Cristo e isso tb depende de lei e de dinheiro, e o dinheiro arrecadado não foi em vão: todos compraram adesivos, que custou dinheiro, não caiu do céu, e o balancete, com míseros 100 reais arrecadados dessa população tão católica (parece que foram 100 milhões né mesmo?), está na empresa Pedras Decorativas Nossa Senhora Aparecida. Vc que se interessa pelo assunto, ligue lá: 3281-3144. Vou passar tb essa preocupação para o Zé das Pedras e, talvez, ele o procure para lhe explicar.

      3. e cadê os outros cadês? Pode perguntar para a FAER, entidades assistenciais, religiosas, o que o vereador faz. Quem sabe obterá mais respostas do que dúvidas. Seria bom perguntar para tantas outras pessoas, que se candidatam por aí, não cadês e sim o que já fizeram.

  2. Willian disse:

    Bom, obrigado por esclarecer algumas dúvidas. Primeiramente, sobre as antenas, prefiro manter o silencio (assim como meu celular), para não pecar com palavras. Sobre o tal “Cristo”, eu não sou nem católico, mas apenas reivindico uma explicação pública, nada mais. Um simples informativo neste blog já resolveria o mau entendido, não é mesmo! E não faço apologia a nenhum vereador, longe disto, apenas faço meu papel como cidadão: questiono! Obrigado, Leonardo, mais uma vez, por abrir espaço em seu blog, e pelas informações.

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