Governo reconhece que a lei de Carneiro ‘engessou’ a telefonia celular de Olímpia e sinaliza com mudanças para liberar 10 torres

100_0534O secretário de Obras de Olímpia, Gilberto Tonelli Cunha, reconheceu que o caos que os usuários sofrem na telefonia celular da cidade teve origem com a lei sancionada pelo então prefeito Luiz Fernando Carneiro, de autoria de seu então líder João Magalhães, hoje reeleito, ambos do PMDB, ao apagar das luzes da gestão de oito anos, na última sessão legislativa.

Educado e ético, já que foi secretário de obras também de LFC, Tonelli não citou nomes, mas disse, durante a sessão técnica promovida pela Câmara Municipal na noite de hoje para discutir esse caos, que a lei 3.330/08 “engessou a liberação de novas antenas de telefonia celular, já que as 100_0535condições impostas às operadoras ainda são rigorosíssimas, há uma grande limitação operacional”.

O engenheiro da Prefeitura Renê Alexandre Gallette confirmou: “Há, no mínimo, dez pedidos de operadores querendo ampliar os seus sinais em Olímpia, a e legislação não deixa”.

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A sessão foi originada pelo requerimento do líder do governo, vereador e engenheiro Luiz Salata (PP), com a presença de engenheiros, técnicos e advogados das operadoras TIM, Vivo, Claro e Oi. Amplamente divulgada, nenhum jornalista ou radialista acompanhou o evento, exceto o Blog e os assessores da Câmara e TV Prefeitura.

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O presidente da ACIO (Associação Comercial e Industrial de Olímpia) Flávio Vedovato também acompanhou os debates. A galeria estava tomada por interessados e alunos dos três anos de Administração da ETEC local.

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Os vereadores de oposição, nem mesmo o autor da lei que ‘engessou’ a telefonia celular em Olímpia, João Magalhães, compareceram, já que a maioria está alinhada com o ex-prefeito do PMDB.

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ENTENDA O CASO

Como já foi amplamente noticiado, o ex-prefeito Carneiro e a sua bancada na Câmara, foram incentivados por um grupo de senhoras, vizinhas a um morador que tinha alugado o seu terreno para a operadora Oi, que alardearam que ‘torres de celular são fornos microondas sobre as nossas cabeças e que causam câncer”. Com a eleição perdida de seu sucessor, o então vice-prefeito José Augusto Zambom Delamanha (PMDB), Carneiro não aceitou debater o assunto e mandou o seu líder, João Magalhães, apresentar o projeto de lei, copiado, talvez, de outra cidade tão retrógrada quanto a mentalidade das senhoras que faziam aquela campanha.

sabattini_sub20761De nada valeram as exaustivas entrevistas de um dos mais respeitados cientistas da atualidade sobre o assunto, Renato Sabbatini, feitas por este repórter quando, à época, comandava o radiojornalismo da Difusora AM. “Vocês ainda vão falar ‘alô?, alô?’ e não terão resposta, por causa dessa lei que, a meu ver, é tão ridícula quanto acreditar que o homem não foi à lua”, avisou o cientista.

Dito e feito. Hoje, a cidade vive o caos, dizendo ‘alô?, alô’ e, muitas vezes, como no caso de algumas operadoras, nem isso, porque, sim torres, sem células olhando umas para as outras, a telefonia celular não sobrevive. E não dá câncer, como foi explicado hoje pelos técnicos.

O PROCON

Aprovada por Luiz Salata por unanimidade, e marcada para a noite desta quarta (18), a sessão técnica foi aberta pelo 1º secretário Guto Zanette (PSB), já que, presentes, estavam apenas os vereadores, além dele e Salata, Aguinaldo Moreno (Lelé, DEM) e Dirceu Bertoco (PR).

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Em seguida, o diretor do Procon local, Leonardo Simões, mostrou que, desde 2009, as operadoras de celular estão na berlinda das reclamações em Olímpia. Em 2009, a campeã era a Claro, seguida da Vivo e, depois da TIM e, totalizadas, representavam 40% das reclamações da área de Serviços Essenciais.

No ano seguinte, 2010, segundo o diretor, a Vivo passou a liderar, seguida da Claro, a Oi e, por fim, a TIM, mas o percentual aumentou: 50% das reclamações dos serviços essenciais.

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E, finalmente, em 2011, até maio, as reclamações dos olimpienses envolvendo as operadoras Claro, TIM, Oi e Vivo (nessa ordem) atingem 80% da área de Serviços Essenciais do Procon local.

“O vendedor promete mundos e fundos a respeito do aparelho que está vendendo e dos serviços de cada operadora, mas na prática existe uma grande decepção do consumidor que, às vezes compra o aparelho em outra cidade, como Rio Preto, e ao chegar na cidade, nem encontra o sinal para falar”, disse Leonardo Simões.

OS DEBATES

Dos convidados presentes das operadoras Vivo, Claro, TIM e Oi, falaram Vanessa Reis Leite, engenheira de telecomunicações, e o engenheiro João Paranhos. Ela explicou como são feitos os laudos radiométricos, mais para segurança da população do que, propriamente, para evitar riscos à saúde, mantendo assim as radiações eletromagnéticas (não confundir com radioatividade) dentro dos parâmetros exigidos por lei.

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A engenheira deixou claro que as emissões das antenas de celulares são não-ionizantes, ou seja, não penetram na pele, ao contrário do Sol que, este sim, pode causar câncer de pele. Além disso, a potência de energia é baixíssima e inofensiva.

Por sua vez, João Paranhos explicou como funcionam as antenas e, se a cidade não as tiver em número suficiente, nos horários de pico realmente algumas pessoas ficarão sem conseguir o sinal. Os alunos da ETEC se interessaram pelo assunto e fizeram muitas perguntas, inclusive “se por causa do horário de pico a Vivo (no caso do engenheiro) não estaria bloqueando o MSN”, software de comunicação mais utilizado no mundo.

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“É claro que a operadora quer estender o seu sinal para todo mundo, mas, no caso de Olímpia, a Vivo esbarra na legislação de ocupação do solo das antenas”, explicou o engenheiro.

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Paranhos explicou que ele, e os demais convidados das demais operadoras, deixaram para os vereadores exemplos de legislação que estão dentro das normas exigidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), da saúde pública e do bom senso, evitando, como já foi bastante difundido antes da aprovação da lei retrógrada 3.330/08, o efeito paliteiro, ou seja, a mesma antena pode ser utilizada por todas as operadoras, evitando o visual ‘carregado e feio’ das antenas em cima dos prédios e espalhadas pelos terrenos.

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Durante a sessão, o secretário de Obras confessou: “Aquele foi um momento de emoção, de transição, não tivemos a chance de ter um debate como este de hoje, mas sempre é tempo de renovar”.

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Após os debates, a sessão técnica foi encerrada pelo 1º secretário Guto Zanette, elogiando a iniciativa do líder do governo e afirmando que “vamos tratar de mudar essa lei o mais urgente possível, vi disposição dos vereadores e do prefeito Geninho, precisamos recuperar o tempo perdido nessa era da telefonia celular”.

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O líder do governo disse que “agora será mais fácil, com a legislação deixada pelos especialistas e com a discussão que tirou todas as dúvidas. Quem não veio, perdeu uma excelente oportunidade de aprender e se esclarecer um pouco mais”.

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2 comentários em “Governo reconhece que a lei de Carneiro ‘engessou’ a telefonia celular de Olímpia e sinaliza com mudanças para liberar 10 torres”

  1. Agora eu lhe pergunto, para que fazer isso que o Carneiro fez? Isso demonstra claramente que ele nunca esteve nem aí para a população, igualmente os vereadores que votaram a favor dessa lei.
    Pode ter certeza que os vereadores do contra vão votar contra a alteração da lei, pois eles demonstraram que não querem nem saber da população, querem é votar contra o que o prefeito quer.

    Uma pergunta, alguém hoje vive sem celular? Quase tudo que fazemos dependemos dele, principalmente quem depende dele para trabalhar.

    Abraços,

    Murilo Esteves

  2. Excelente sessão técnica. Muito esclarecedora.
    Principalmente quanto a “de quem é a culpa” por não termos um serviço adequado de telefonia celular.
    Bom pra população saber que a culpa não é das operadoras de celular, muito menos do prefeito Geninho…
    Estive na Câmara, ontem, e ouvi do engenheiro da Vivo o interesse da empresa e a urgência que existe para que se instalem novas antenas em nossa cidade, para que o serviço melhore exponencialmente.
    Agora é acompanhar as ações dos vereadores, para que dêem a devida atenção ao projeto da nova Lei… E lotarmos a galeria no dia da votação, para sabermos quem vai contra e quem vai a favor do progresso da nossa cidade…
    Parabéns ao vereador Salata pela iniciativa.

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