Vencer a Indiferença

Publicado em 14 de novembro de 2013 às 10h33
Atualizado em 14 de novembro de 2013 às 10h35

Ivanaldo Mendonça — Se por vezes experimentamos sobre nossas cabeças o peso de avalanches, por outras, saboreamos leveza, paz e satisfação. Enquanto as experiências positivas despertam-nos afeição, paixão, interesse, cooperação entusiasmo, firmeza, empenho e júbilo, as experiências negativas tendem a gerar medo, incerteza, apreensão, desânimo, abatimento e cólera. A mistura destas experiências nos acompanha ao longo da vida e, independentemente de juízo de valor, impulsionam, despertam e motivam, certificando-nos de que buscamos sentido para a existência.

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Quem, já tendo percorrido uma etapa do caminho da existência, goza de bom senso e maturidade, sabe e testemunha a necessidade de posicionar-se diante da vida, e que isso significa correr risco; embora busquemos sempre o melhor, não há absoluta certeza daquilo que nos espera. Considerando as peculiaridades de cada etapa do processo de desenvolvimento e amadurecimento humano, acertos e erros, sucessos e insucessos são absolutamente normais. Fundamental é a percepção de que, a cada tempo, a existência pede de nós posturas e atitudes e que, as oportunidades, dão-nos condições de melhorias. Independentemente das variáveis é preciso ter clareza e certeza de que não vale a pena aliar-se a mãe de todos os males, a apatia, a indiferença.

Conceitualmente, a apatia diz respeito á tudo aquilo que afeta o corpo ou a alma. No aspecto físico, se associa ao desgaste, enfraquecimento dos músculos, falta de energia; a psiquiatria a caracteriza como desinteresse geral, insensibilidade aos acontecimentos; a medicina, como estado de entorpecimento das faculdades morais, insensibilidade à dor ou prazer. A psicologia entende a apatia como estado de indiferença, no qual um indivíduo não responde aos estímulos da vida emocional, social ou física; depressão, no nível moderado, e transtorno dissociativo de identidade, no nível extremo.

Causa profundo estranhamento, numa minoria, o estado de apatia que toma posse das pessoas e, consequentemente, de tudo que as envolve. O momento histórico que vivemos é profundamente marcado pela indiferença, doença, em última análise, muito mais devastadora que tantos outros males, porque coloca o ser humano numa condição que nega, absolutamente, do aspecto físico ao espiritual, as razões de sua existência. A devastadora grife da indiferença vestindo pessoas de todas as raças, culturas, condições econômicas e credos, aniquila a capacidade de reflexão, alimenta a preguiça e o descaso.

Sonhar e comprometer-se com a realização dos sonhos faz parte de nós. Que nossos sonhos ultrapassem a esfera particular, tornem-se projetos de vida e, compartilhados, comungados por outros, se convertam em ideais e causas. Vençamos a indiferença!

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

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