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“Sou eu mesmo!”

Por Ivanaldo Mendonça — Não poucas vezes ouvimos e/ou falamos: “Eu queria ser outra pessoa”. “Se eu fosse outro…”, ou então, “se meu marido fosse outro”, “se meu patrão fosse diferente”, “se meus pais fossem os pais do fulano…”.

‘Ser outro’ apresenta-se, para boa parte das pessoas, como a única solução. Esta tendência atinge também a dimensão espiritual, movendo religiões a advogar a favor do ‘ser outro’: ‘outra vida’, ‘outro corpo’, ‘quando você era outro’, ‘quando você for outro’. Esta tendência, ‘ser outro’, aproxima-se daquilo que estudiosos denominam despersonalização: desordem dissociativa, caracterizada por experiências de sentimentos de irrealidade, ruptura com a personalidade. Ultrapassamos a esfera pessoal, conferindo à despersonalização uma dimensão relacional, familiar, profissional, social, religiosa, cósmica.

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“Sou eu mesmo!” Cristo Ressuscitado, após confortar os discípulos abatidos, mostra-lhes as mãos e os pés, marcas da crucifixão. Aos que imaginaram ser uma manifestação de ‘outro mundo’, um fantasma, Ele completa: “Não tenham medo, sou Eu mesmo”, eliminando todo e qualquer tipo de dissociação a respeito de Sua pessoa, Sua missão e propósito. Com o Ressuscitado aprendemos que, para ser vitorioso, o ser humano não precisa ‘ser outro’, no sentido de negar a si próprio, mas deve buscar a renovação, a transformação de si mesmo. Nascer de novo não significa voltar ao ventre da mãe, mas sim, entregar-se totalmente aos cuidados de Deus, sem fuga e negação, tendo os pés no chão da realidade, com maturidade e equilíbrio.

O processo que caracteriza a evolução do ser humano chama-se desenvolvimento, pressupondo que o potencial de cada pessoa deve, ao longo da vida, tornar-ser ato, ação, atitude, desenvolver-se. A genuína evolução do ser humano passa pelo ‘ser eu mesmo’ transformado, renovado, amadurecido; empreendimento que é fruto de esforços e competências pessoais sob o sustento da graça de Deus, continuamente derramada sobre nós. ‘Ser outro’ é sinônimo de querer glória sem sacrifícios e esforços. Esta compreensão distorcida da existência humana faz com que o valor do processo, de como as coisas acontecem, seja perdido, ignorado.

“Sou eu mesmo!” O Ressuscitado convida-nos a transformar a realidade. Aquele que assume ‘sou eu mesmo’ compromete-se, esforça-se, disciplina-se para transformar-se, um pouco mais, a cada dia. Mostre suas mãos e pés, as cicatrizes que testificam que estás em condições de administrar as vitórias que à custa de esforços, amparado pela graça de Deus, tens alcançado. Maravilhoso viver esta experiência sem medo, sem fuga e expressar: “Sou eu mesmo”, em Cristo.

 

* Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia

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