Sobre vontade e necessidade

Publicado em 27 de agosto de 2015 às 22h45
Atualizado em 27 de agosto de 2015 às 22h46

Por Ivanaldo Mendonça – Pais, mães, casais, educadores, empresários e líderes perguntam-se: onde foi que eu errei? Inconformismo, sentimento de culpa e incompetência, raiva, amargura, crise de pânico, depressão, estresse e prejuízo financeiro são alguns sintomas. A questão que mais leva pessoas a procurar ajuda psicológica, terapêutica, consultoria e orientação espiritual é seguida, na maioria das vezes, pelas afirmações: fiz tudo o que ele queria, dei tudo o que ele pedia.

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Quem assume a missão de coordenar-educar, não deve abrir mão do principio fundamental na arte de liderar pessoas: a capacidade de identificar e atender necessidades. Há um universo de diferença entre satisfazer vontades e satisfazer necessidades. Vontade é simplesmente um anseio, que não considera as conseqüências físicas ou psicológicas daquilo que se deseja. Necessidade é uma legítima exigência física ou psicológica para o bem-estar do ser humano.

Satisfazer vontades, de imediato, atrai aplausos e elogios, porém, a médio e longo prazo, traz prejuízos irreparáveis. Conforme mudam as vontades e não somos capazes de atendê-las, somos colocados em cheque, pressionados por dentro e por fora, obrigados a conviver com o próprio fracasso, expresso na derrotas dos que lideramos.

Identificar e satisfazer necessidades supõe, de imediato, capacidade para suportar críticas, perseguições e comparações, porém, a médio e longo prazo, obtemos saldo positivo: qualidade, organização eficácia e eficiência. A auto-realização dos que lideramos expressa nossa auto-realização.

Pessoas são diferentes, mas necessidades como amor, respeito, comprometimento e disciplina, são universais, cabem a qualquer pessoa, qualquer lugar e situação. As necessidades individuais exigem do líder flexibilidade, capacidade para identificar o nível das mesmas e desenvolver diferentes estilos de tratamento. Com a mudança das necessidades, mudam-se também as respostas, sem que se perca o propósito inicial, o que deve ser feito.

Investindo energia na satisfação das vontades de outros, muitos fracassam na vida pessoal, relacional, familiar, profissional e espiritual, condenados a carregar o pesado fardo do ‘onde foi que eu errei?’. Quem lidera para satisfazer vontades é escravo. Quem lidera para identificar e atender necessidades é livre.

Identificar e satisfazer necessidades é princípio básico na cartilha do líder servidor, aquele que é instrumento incentivador, criando condições para que as pessoas, tornando-se o melhor que podem ser, alcancem a excelência.

Ivanaldo Mendonça,Padre, Pós-graduado em Psicologia, [email protected]

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