Sobre novelas, beijo gay e crianças

Publicado em 02 de julho de 2014 às 16h01
Atualizado em 02 de julho de 2014 às 16h02

Por Karina Younan – Vou direto ao ponto da questão: as crianças são influenciadas (sexualmente falando) pelo que assistem na TV? São.

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Não todas, porque algumas não são, parece que a influência hormonal é muito mais determinante, mas a influência social é um elemento de estímulo ou repressão para preferências e até modismos.

À luz da psicologia, Freud observou que a criança nasce perversa e polimorfa, influenciada pelos estímulos do meio.

O que as pessoas parecem confundir é que ela não será levada à homossexualidade assistindo a uma cena de romance homoafetivo, mas não considerará anormal se por ventura essa for a sua orientação.

Vivemos em uma sociedade preconceituosa, extremamente homofóbica e pedófila – o beijo gay causa alvoroço e o caso de amor entre o ex-noivo da mãe com a garota que tem idade para ser sua filha, não choca ninguém.

Nossas propagandas usam a estética pueril como modelo de beleza, Lolitas proliferam em nossas escolas.

Não foi a televisão que inventou uma nova modalidade de atração sexual, e me parece justo, digno e relevante, que ela apresente com naturalidade a homoafetividade tanto quanto a heteroafetividade.

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Luis Fernando Veríssimo tem um texto brilhante sobre como nós, adultos, permitimos que a criança assista a tudo: pais que assassinam filhos, filmes zumbis, bombas explodindo cabeças e uma série de outros horrores como a corrupção nos telejornais… desde que não apareça um pipi. Se tiver um pipi pra fora na TV, pulamos do sofá.

As crianças podem assistir mamãe e papai se divertindo vendo uma mulher se atracando a outra por causa de dinheiro, do amante, do diabo a quatro… e está sendo influenciada também por esse gozo expectador. Soco na cara, baixo calão, tramas e assassinatos, as novelas chafurdam na cafajestagem e todo mundo adora!

Daí a segunda questão: devemos tirar as crianças da frente da TV?

Nessa altura já deu pra entender a minha opnião né? Tire da frente da TV e dê a elas um bom livro, sempre!

* Karina Younan é psicóloga em São José do Rio Preto

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