Ser Resilente

Publicado em 05 de junho de 2015 às 10h49
Atualizado em 05 de junho de 2015 às 10h51

Por Ivanaldo Mendonça — Conceito oriundo da física, resiliência é a propriedade que um material possui de voltar ao seu estado normal após sofrer tensão. Aplicado à ecologia, é a capacidade de recuperação de um ambiente frente a um impacto; no mundo dos negócios, caracteriza pessoas com capacidade de retornar ao equilíbrio após sofrer grandes pressões ou estresse; para a psicologia, é a capacidade em lidar com problemas, superar obstáculos, resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto.

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Palavra da moda, utilizada para designar um atributo humano, resiliência tem sido interpretada por muitos, inclusive profissionais, como um aplicativo, uma peça que pode ser acoplada a pessoas, equipes e organizações. Para além disso, ser resiliente consiste num conjunto de fatores que gera tomada de decisão, escolha e atitude de superação perante contextos de tensão. Mais que ao fazer e executar, resiliência pertence à ordem do ser. É, portanto, elemento fundamental, inerente, constitutivo do ser humano.

As demandas atuais nos interpelam. Ao mesmo tempo em que desfrutamos de um momento ímpar no processo de evolução da humanidade, que em milésimos de segundos coloca o mundo ao nosso alcance e disposição, gozamos de rapidez, praticidade e informações, deparamo-nos com uma geração fraca e vulnerável. O mínimo de tensão ou pressão gera desânimo, desistência, depressão, desencanto, auto-destruição e destruição do outro, expressas de tantas formas. Acomodação e conformismo são antônimos de resiliência.

Entre as possíveis causas deste desequilíbrio que gera sofrimento pessoal e coletivo está a falsa consciência, conceito e prática que considera felicidade sinônimo de facilidade e mínimo esforço. Nossa sociedade convencionou eliminar os desafios da vida das pessoas, interpretando-os como problemas. Queremos que a criança aprenda a caminhar sem cair e esfolar, privando-a de viver intensamente experiências que lhe darão reais condições de superar obstáculos ao longo da vida, criando recursos para suportar pressão e retomar ao equilíbrio, sem traumas.

Ser resiliente é participar da seleção natural à qual o ser humano está submetido, garantindo sobrevivência, desenvolvendo a capacidade de construir-se, positivamente, frente às adversidades, com maturidade, equilíbrio e responsabilidade. Autoestima consistente, independência, iniciativa, humor, criatividade e senso crítico, somados a valores atemporais, edificam e conferem sentido a este longo e contínuo processo de aprendizado. Sejamos resilientes!

 

  • Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia

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