Prefira o desconforto

Publicado em 29 de janeiro de 2015 às 10h05
Atualizado em 29 de janeiro de 2015 às 10h05

Por Ivanaldo Mendonça – Diploma, casa, carro, bom emprego, status e estabilidade financeira são critérios utilizados para caracterizar pessoas bem-sucedidas e vitoriosas. Educados e estimulados a entender conforto como sinônimo de felicidade, nossas metas pessoais, profissionais e espirituais são regidas pela ânsia em atingir níveis e padrões estabelecidos pela sociedade. Através de pesquisa aplicada em 700 pessoas, homens e mulheres, acima dos sessenta anos, todos bem sucedidos, Daniel Goleman, estudioso do desenvolvimento emocional, identificou como sendo seus principais fatores motivacionais, em primeiro lugar, o desafio criativo, o estímulo do próprio trabalho e a oportunidade de continuar aprendendo; em segundo, o orgulho em fazer as coisas, as amizades e a oportunidade de ajudar as pessoas. Status e ganho financeiro apareceram bem depois.

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Percebe-se que, após um longo e árduo percurso, muitos dos que atingem e até superam os padrões estabelecidos gozam de conforto, mas não de felicidade; outros, sequer, conseguem desfrutar dos recursos adquiridos; muitos ainda, paralisados, desencantados, sucumbem à depressão. Importante refletir sobre as possíveis causas deste fenômeno.

A psicologia dispõe do conceito de ‘zona de conforto’ referindo-se a ações, pensamentos e comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter, que não causam medo, ansiedade ou risco, dando-lhe sensação de segurança e estabilidade. Embora perseguida obstinadamente como o pote de ouro no fim do arco-íris, a zona de conforto, ao mesmo tempo em que possibilita tornar realidade sonhos, desejos e necessidades, limita, aprisionando-nos numa única forma de ser, pensar, sentir e agir, tornando-nos vítimas conscientes da acomodação. Os efeitos desse fenômeno podem ser percebidos quando temos que lidar com situações não previstas em nosso repertório intelectual, emocional e comportamental, diante das quais não sabemos como reagir, assumindo posturas extremas.

A criança aprende a buscar o equilíbrio enquanto está em desequilíbrio ensina o educador Piaget. Precisamos do desequilíbrio para atingir o equilíbrio, situações de instabilidade nos impulsionam à busca pela estabilidade. Somos estimulados a permanecer na zona de conforto, geradora da acomodação. O desafio está em buscar a zona da limitação e desconforto que, a princípio incomoda, exige capacidade de elaboração e reconstrução em todos os sentidos e dimensões. O desconforto ativa nossos potenciais e desafia-nos à auto-superação. “Grandes empreendedores estão confortáveis em estar desconfortáveis”, ensina Steve Blank. Busque o conforto, prefira o desconforto!

* Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia, [email protected]

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