OLÍMPIA PERDE O JORNALISTA MAIS ANTIGO E RESPEITADO: NELITO SANTOS

Publicado em 29 de junho de 2012 às 17h51
Atualizado em 29 de junho de 2012 às 23h50

Olímpia acaba de perder o seu jornalista mais antigo e respeitado: Manoel dos Santos, conhecido como Nelito, de 83 anos de idade (faria 84 em outubro), fundador do ‘Tabloide da Nova Paulista’. Apesar da idade, era um ‘faz tudo’ de seu jornal: escrevia, diagramava, comandava e até entregava parte da circulação, atravessando a pé a cidade. O jornal circula há 51 anos, já tendo possuído gráfica própria no passado.

NelitoSantos1

Ele vinha lutando contra um tumor no cérebro há cerca de duas semanas, chegando a ser internado na UTI da Santa Casa de Barretos. A notícia de sua morte foi confirmada na tarde desta sexta (29), por seus familiares, da Santa Casa local, onde estava internado nesses últimos dias. Ele deixa a esposa Maria Aparecida e o filho Ubiratan (servidor da Ciretran local).

NELITO-JORNAL

Na foto acima, o radialista Cléber Luís disse que captou um momento verdadeiro de Nelito: “Eu fiz essa imagem em uma tarde, quando fazia um trabalho para a faculdade, registrando pontos marcantes da cidade, em certo momento dei de cara com ele, e não pensei duas vezes, ele marcou.Essa é a imagem dele que também me marcou, onde mostrava a força de vontade e o amor que ele tinha pelo que fazia”. A jornalista Andresa Maieiros, que trabalhou com ele, inclusive, ao ver a foto comentou: “É esta a imagem que vou levar dele para sempre…..Trabalhando, andando a pé, com aquele envelope embaixo do braço…. obrigada por postar esta foto Cleber Luis”.

Até onde pode, Nelito foi o baluarte do ‘bom jornalismo’, sempre noticiando o que pudesse elevar o nome de sua querida cidade, Olímpia. Ele recebeu na Câmara Municipal, do vereador Zé das Pedras (PMDB), a comenda do Mérito Comunitário e Medalha Professor José Sant’anna, por seus serviços relevantes à comunidade.

À família enlutada, e à Paulinha, que foi sua fiel funcionária durante 11 anos ininterruptos (ela quem passava para o computador as matérias datilografadas por Nelito, já que ele sempre foi arredio à tecnologia digital), os nossos sentimentos.

O velório se realiza no jardim das Primaveras, ao lado do Cemitério São José. E o enterro será às 14h deste sábado (30).

O AMOR DE NELITO POR OLÍMPIA

Em 1º de fevereiro de 2008, Nelito Santos, assinando a sua coluna ‘Retalhos’, homenageava os 454 anos de São Paulo e, ao mesmo tempo, revela detalhes de sua infância e não renega, de jeito nenhum, o seu amor por Olímpia:

Uma das coisas que mais me intriga nesta vida, diz respeito às cidades que amo: Olímpia pelo fato de ser a minha terra natal e de jamais me esquecer da minha pequenina terra que tinha o Brejinho e o Formigão; e São Paulo onde morei na minha infância e mais tarde na adolescência, e que me traz gratas recordações de quando estudava no Arquidiocesano e era um dos moleques da Vila Mariana que mais “chocava bondes” nos trajetos Vila Mariana – Largo Ana Rosa – Paraíso; e Vila Mariana – Jabaquara – Bosque da Saúde.

Em Olímpia vivo em constante amor com minha cidade predileta e minha gente. De São Paulo, tenho gratíssimas recordações de quando morava na Rua Loéfreguen, na casa da  olimpiense Dona Sara de Campos (madrinha de batismo do meu irmão Braz Sabino) e que me fez estudar num dos melhores colégios de Sampa, o Arquidiocesano, isso quando eu  ainda era um menino cheio de sonhos na cabeça. Me arrepiar e sentir um frio na barriga quando minha terra natal Olímpia é homenageada, é uma coisa normal, normalíssima, mas me arrepiar e sentir friozinho na barriga quando vejo Sampa homenageada, me parece não ser uma coisa normal, no entanto, bem antes de Caetano Veloso dizer sobre São Paulo: “Qualquer coisa estranha acontece no meu coração/ quando cruzo a Ipiranga e Avenida São João/ isso já acontecia comigo, quando lá morei, e todas as vezes que lá fui à passeio.

As recordações, primeiro da minha infância (3 anos em São Paulo) e depois da minha adolescência (4 anos lá residindo), até hoje povoam meus pensamentos e me dá uma tremenda saudade do Bairro da Bela Vista (o Bexiga) e minha turma de roda de samba: Domingos Romanelli (nome artístico Domingos Real devido à então famosa estrela da TV Tupi, Márcia Real), Aristarco de Morais (nome artístico Ari de Morais), o negão Benedito Lima (apelido Ditão do cavaco), Chiquinho Romanelli e seu violão mágico, a Nate, o
Mudinho e todos os outros.

Gente boa, gente da melhor qualidade, gente que me ensinava a solfejar para que eu pudesse colocar letras nas suas composições! As recordações quase me matam quando eu me lembro da música Pretexto, que quase foi gravada e cuja letra está até hoje na minha cabeça: Um pretexto arranjei pra ver você/ e você nem sequer notou/ o desgosto, no meu rosto só não vê/ quem não amou, quem nunca chorou/.

Mas, agora vou dizer-te oh! minha flor/ deixe ao passado, essa mágoa, esse rancor/ volte pros braços meus/ esqueça o que sucedeu/ é melhor para nós dois, meu amor/ é melhor para nós dois, meu amor. Mas, a minha saudade não é só do bairro do Bexiga, nem da Rua Santo Antonio, nem da Loéfreguen, do Arquidiocesano, nem das Vilas Mariana e Clementino, nem das chocadas de bonde até o largo Ana Rosa/ Paraíso, ou Jabaquara/ Saúde, minha saudade é de toda cidade de São Paulo, naquele tempo, sim, a legítima “terra da garoa” com os bairros da época: Alto do Ipiranga, Água Branca, Água Rasa,  climação, Bom Retiro, Bairro da Luz, Bairro do Limão, Belém, Belenzinho, Butantã, Casa Verde, Carandiru, Freguesia do Ó, Guarapiranga, Higienópolis, Ipiranga, Jaçanã, Lapa, Liberdade, Mooca, Pari, Perdizes, Pacaembu, Pacaembuzinho, Paraíso, Pinheiros, Parque do Carmo, Penha, Sacomã, Santo Amaro, Sumaré, Sumarezinho, Santana, Tatuapé,Tremembé, Vila Carrão, Vila Madalena, Vila Prudente, e outros que minha memória não lembrou ao escrever esta crônica. Eu amei e sempre vou amar São Paulo, se bem que nunca mais quero morar naquela metrópole, pois o Nelito de hoje é bem diferente daquele Nelito dos tempos da garoa. Hoje sou maduro e quero paz, naquele tempo eu era jovem e queria quanto mais agitos melhor. Já não adoro mais as madrugadas frias. Hoje as quero bem quentes no recesso do meu lar. Já não sou mais de andar pelos bares da vida “Gato que Ri”, “Adega Xavier de Toledo”, “Nosso Engenho”, “Jeca”, “Santa Rita”, Bhrama”, “Spadoni”, “Ponto Chic”, etc.

Hoje sou mais é de andar pelas ruas tranquilas de Olímpia, espirando paz e rejeitando orgias, mas sou obrigado a confessar que entre meus mil amores, Olímpia e São Paulo serão sempre os primeiros.

PARABÉNS, PAULICÉIA, PELOS SEUS BEM VIVIDOS 454 ANOS. QUE SEJAM MUITO FELIZES SEUS ONZE MILHÕES DE HABITANTES!

Assunto(s): ,

Leia também:

12 comentários

  1. NELITO FOI MEU PRIMEIRO EMPREGADOR. EU TINHA 17 ANOS. VOU SENTIR SUA FALTA, OLÍMPIA , MUITO MAIS.

  2. SIDNEI REGONHA -FARM N S APARECIDA disse:

    OS MEUS SENTIMENTOS A TODA FAMILIA,SEU NELITO GENTE BOA DEMAIS, OLIMPIA PERDEU UM CIDADÃO EXEMPLAR, UM SENHOR DE IDADE AVANÇADA MAS QUE ESTAVA SEMPRE DISPOSTO A TUDO E A TODOS, EXEMPLO PARA NOS JOVENS,DESCANSE EM PAZ MEU QUERIDO….

  3. Lúcia Arlene disse:

    Mais uma pessoa boa é convidada a fazer parte do Reino dos céus. sr. Nelito, que tanto fazia, para não deixar grandes lembranças de nossa cidade se perder, sempre relembrando-os em seu jornal.
    Foram anos de grande prestigio e com certeza será lembrado por todos. Eu nome da minha família que durante 15 anos prestigiava o semanário “Tablóide da Nova Paulista”….os sinceros votos de condolências à família e demais amigos….

  4. Marcos Garcia "Barba" disse:

    Grande personagem da história de Olímpia, com muitas histórias vividas e pra contar…
    Entre suas contribuições para a memória da história de nossa cidade, está sua participação no DVD “Olympia em Preto e Branco”, dirigido pelo Ivair Augusto Ribeiro.
    Meus sentimentos à família.

  5. ivo zangirolami junior disse:

    Vi agora…meu Deus…estou triste…
    O Nelito sempre me apoiou…principalmente quando fui correr na Inglaterra…ele me dizia que era novidade para ele…poder noticiar um corredor de autos de Olimpia…e depois com meu Luciano…
    O Nelito vai fazer muita…muita mesmo…e como disse meu amigo Ivo Aidar…para Olimpia…muito mais…
    Descanse em paz guerreiro!!!

  6. Gustavo Boscon disse:

    Como pessoas que as vezes não são parentes, não temos convívio diário nos trazem uma paz ter o pouco contato com elas.
    Assim era o Nelito que quando o encontrava em poucas palavras sabia transmitir em sua serenidade as suas opiniões.
    Deixo aqui meu pesar à família e amigos próximos.
    Com certeza nós – Olímpia – perdemos uma pessoa que um dia lembraremos com orgulho e contaremos à nossos netos!

  7. Jesus Buzzo disse:

    Nelito sua historia ficará para sempre na memória dos olimpienses.
    Você não apenas plantou uma semente em prol do jornalismo regional, você plantou uma floresta.
    Fará muita falta.
    Meus sentimentos aos familiares.

  8. Rose Martin de Macedo disse:

    Aqui, desde a Paulicéia, com o coração bem amargurado, li essa homenagem q o blog fez ao meu querido tio Nelito.
    Tio Nelito, o tio querido da minha infancia, o q me levava sempre pra passear,o tio presente, aquele q criava cachorro pra eu brincar na casa da Vólita, o tio Nelito de tantos “causos” e memória fantastica, da minha fase adulta.Agora se foi o ultimo baluarte da minha primeira familia e como vai fazer falta! Não encontra lo sempre q for praí.Descanse em paz, meu querido tio.Vc estará sempre presente nas minhas orações e na minha saudade.Obrigada ao blog por esta homenagem q meu tio sempre mereceu.

  9. Taxistas da estaçao rodoviaria disse:

    Aos familiares as nossas condolencia de seus amigos taxistas da estaçao rodoviaria.

  10. fabio disse:

    parabens pela reportagem

  11. fernando disse:

    Mentes grandes discutem idéias, mentes medianas discutem eventos e fatos, mentes pequenas discutem pessoas, eis ai um Homem, apenas um Homem, porém homem este, que distoava em seu discutir e existir, pela lisura de seu carater e servidão as causas de sua apaixonante Olimpia, paixão esta tão dificil de encontrar em tempos atuais, em outros tantos cidadãos que se dizem “apaixonados por esta terra”;a cidade perde, mas o universo não, apenas o redireciona à outro local,e vale dizer: qualquer dia amigo a gente vai se encontrar.

  12. Tive a honra de Conhecer o Nelito, foram poucos anos, mas guardo com carinho a amizade e o respeito que tive por este senhor. Fiquei triste a ler no meu facebook, a notícia da perda do mais ilustre jornalista de Olímpia. Meu amigo Leo, existem 4 pessoas nesta cidade que já foram morar com o Senhor Deus: Meu pai querido, Paulo Olmedo, o nosso Saudoso Prof. Santana e agora o Nelito. Meus sentimentos a família enlutada, que Deus os conforte. A você amigo Leo, aquele abraço, triste mas um grande abraço, teu amigo Daniel.

Faça um comentário