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O Super Humano, por Ivanaldo Mendonça

A diversidade de pessoas nos dá, igualmente, a oportunidade de entrar em contato com a diversidade de experiências que marcam, profundamente, o processo de desenvolvimento e amadurecimento humano. Inúmeras experiências, motivações, percursos e desfechos, independentemente das variáveis, trazem, como imperativo, o profundo e nobre desejo humano de auto-realização.

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Neste mar de opções, salta aos nossos olhos, a experiência dos ‘super-homens’, especificamente, os homens e mulheres que, em virtude de grandes dificuldades impostas pela vida, tiveram que sobreviver, a qualquer custo. A vida não perguntou seu nome, sua cor preferida e seus desejos; não lhes permitiu sonhar, nem dormir; muitos, sequer sabem qual a sensação de poder recostar a cabeça no colo de outrem e, aliviado, respirar. Nas poucas tentativas, frustrantes, foram surpreendidos por cacetadas, assumindo, como referência interna, estar em alerta constante.

Os ‘super-homens’ tiveram que aprender, ou, simplesmente, engolir, a duras penas e, especialistas nesta ciência, tornaram-se referência a outros que lhes prestam culto, venerando-nos como heróis, como ‘super-heróis’. Obrigando-se a ter resposta certa, na hora certa e do jeito certo, assumiram a frente de muitos projetos, da condução da família à direção de grandes organizações. Os que não se renderam às mais diversas formas de sedução e corrupção adotaram como postura estar sempre a disposição, para tudo e para todos, pois bem sabem o que significa não ter nada, nem ninguém. Não conhecem o descanso, não diferenciam o dia da noite, seu lema é: estar pronto.

A vida mais uma vez os surpreende com grandes baques quando não sabem o que fazer, falar e responder. O homem forte, incansável, determinado e tudo o mais, citado nos discursos formais e informais como referência e modelo de superação, simplesmente desaba. Chorar não sabe, pois nunca pode e, quando pode, não se permitiu; pedir ajuda, não sabe, aliás, foi sempre ele quem ajudou; não aprendeu dizer “eu preciso de você”. O ‘super-homem’ sente-se fraco, destruído, inútil, incapaz, fracassado. E agora?

É tempo de recomeçar! Os que diante da crise se permitem recomeçar, mesmo com dificuldades, redescobrem a si próprios e ao sabor da vida, reaprendem e passam a enxergar, pensar, sentir, e viver como nunca. Tornam-se fortes, não insensíveis; tornam-se firmes, não duros; tornam-se grandes, não pesados. Acima de tudo reconhecem que não precisam carregar sobre si o fardo pesado do ‘super’, aprendem que podem ser apenas ‘homens’, por inteiro, plenamente. Agora voam bem mais alto e, sem fazer força, flutuam, sem tirar os pés do chão. Não é possível ser ‘super’ sem ser suficientemente humano. Ser ‘super’ não depende da inteligência, força física e poder econômico. O que nos faz ‘super’, de verdade, é a força da fé e a abertura de coração. Mais que ‘super-heróis’, seja ‘super-humanos’.

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

[email protected]

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