O radialista e o ex-mototaxista: a culpa era de LFC!

Publicado em 16 de setembro de 2009 às 10h06
Atualizado em 19 de setembro de 2009 às 18h38

O comentário foi geral ontem, terça-feira (15): um radialista, de uma certa emissora (não vamos dar nomes para não dar direito de resposta, só se a carapuça servir), passou por uma saia-justa ‘ao vivo’, na primeira parte do radiojornalismo, de manhã, ao entrevistar o ex-mototaxista Adelmo (não foi citado o sobrenome). O ‘gancho’ era o fato de Adelmo alegar que deixou de ser mototaxista por ‘perseguição’ da Prefeitura de Olímpia e que, mesmo assim, a categoria continua reclamando das altas taxas cobradas pelo como classificou Adelmo, de ‘cartel das empresas de mototáxis’. Tudo tratado com o pano de fundo de que o atual prefeito, o atual governo municipal, fossem culpados por Adelmo estar desempregado e pela sua ex-categoria pagar caro nesse tal cartel.

Mas, a questão era bem diferente. Adelmo declarou, com todas as letras, que foi expulso de ser mototaxista, impedido de seguir na profissão, por culpa de um prefeito, sim, mas não foi neste ano. “Foi no ano passado”, disse o mototaxista. Acontece que o ano passado o prefeito era Luiz Fernando Carneiro (PMDB). O clima ficou tenso no estúdio. Deu pra notar pela voz do próprio Adelmo, que foi freando aos poucos o seu entusiasmo em ‘meter o pau’ na emissora que, todos sabem, tem afinidades praticamente confessadas pelo grupo carneirista-peemedebista.

“Ele vai explicar tudo direitinho. Era mototaxista até agora pouco, e não é mais”, chamava o intrépido radialista, como se “agora pouco” fosse neste governo. O próprio Adelmo, ao fazer a saudação inicial, colocou pilha no apresentador: “Bom dia a todos, estou nesta rádio democrática para revelar o que vem acontecendo com a nossa categoria há muito tempo”.

O cerne da questão era o fato de Adelmo ter tentado fundar uma cooperativa de mototaxistas, após ter consultado o Sebrae e outras entidades buscando apoio, além de não ter conseguido o seu intento, alegando que o prefeito não deu sinal verde e, se não bastasse isso, impediu o Adelmo de prosseguir na profissão (como se isso fosse possível, a menos que o prefeito da época seja também dono das quatro empresas existentes). E mais: foi se queixar o ex-mototaxista, em nome dos ativos (mesmo sem a procuração de uma cooperativa ou associação em atividade), que as empresas de mototáxis da cidade exploram os profissionais com taxa de manutenção.

Vou direto ao assunto, na pergunta do radialista afoito pela resposta que ele achava que seria outra: “Mas, por que você foi expulso e cassado pela prefeitura? Isso foi quando?” Adelmo respondeu, tranquilamente: “Isso foi no ano passado”. O apresentador fez um muchocho:”Hummm…” Com certeza, se fosse na atual gestão, “o pau comeria”, com ele mesmo gosta de alardear. Adelmo, então, completou: “A prefeitura me cassou, tirou os documentos de minha moto, tudo porque eu queria o melhor para a minha classe”.

O assunto foi desviado para a taxa cobrada pelas empresas e, claro, para aproveitar a presença do ex-mototaxista, e para não perder a entrevista, o prefeito atual acabou levando a culpa também, como se ele, além da cidade, tivesse de cuidar de quatro empresas de mototáxi da cidade.

Pano rápido. Não se falou mais no assunto.

5 comentários

  1. Pedro Souza disse:

    Tive a oportunidade de ouvir a entrevista com o adelmo, o tal radialista foi secão achando que em estava perseguindo o moto-taxista era o atual prefeito, quando na verdade quem perseguiu foi o antigo, algo que era normal no governo passado, a perseguição.

  2. disse:

    Leonardo, parabens pelo blog. Espero que seja inparcial. A respeito da radio aí, nem ouço mais aquilo, eles não tem mais credibilidade nenhuma. E estão desesperados com a boa administração do prefeito, ainda mais comparado com o prefeito anterior. A cidade voltou a ter bons ares.

  3. Obrigado Pedro Souza e Zé: O espaço será imparcial, sim, mas não poupará críticas quando necessárias, reparos e comentários. Vai ter revide, posso esperar, mas é natural do embate democrático. Espero sempre contar com a presença dos amigos. Boa quarta-feira.

  4. João Paulo disse:

    Será que o radialista vai chamar o verdadeiro culpado pela situação do pobre mototaxista? Se fosse agora com certeza iriam gritar e bater na mesa. Mexer com o chefe ninguém quer, né?

  5. João Paulo, obrigado por estar em nosso blog.
    Quanto à sua pergunta, o Manual de Redação de qualquer empresa séria de jornal ou rádio diz que o outro lado deve ser ouvido sempre, até mesmo no mesmo dia ou edição se for possível, ainda mais em rádio em que a audiência é rotativa. Estou à espera disso também.
    Agora, você me deixou curioso: quem é chefe de quem???

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