Maíra estava livre das drogas. A discussão foi sobre a presença de mais uma pessoa no projeto de seu jornal: “Não é ciúmes”, dizia ela.

Publicado em 23 de outubro de 2009 às 2h23
Atualizado em 24 de outubro de 2009 às 11h32

Prof.Juscelino, que lecionou no COC Ribeirão Preto para Maíra. Ela o procurou para aconselhá-la quanto ao futuro jornal

Prof.Juscelino, que lecionou no COC Ribeirão Preto para Maíra. Ela o procurou para aconselhá-la quanto ao futuro jornal

A razão do suicídio de Maíra Franco Ruiz coincide com a última postagem que ela fez, talvez nos últimos dias, para o site de um ex-professor de português, cujo teor está na primeira reportagem que publicamos tão logo soubemos, infelizmente, dessa ação extrema da jovem de 27 anos: a vontade quase que desesperada de ser reconhecida como jornalista, de ter o seu valor e a sua capacidade acima de qualquer suspeita no seio familiar, incluindo o seu namorado, neste mesmo projeto – um jornal evangélico em fase adiantada de execução.

Segundo fontes próximas à família, e ao contrário do que já se espalha com velocidade condizente à uma cidade pequena que tem o péssimo hábito de multiplicar os atos e muito mais ainda os boatos, não há drogas, violência contínua ou desamor nessa tragédia.

Também não está descartada possível depressão pós-parto, conforme até relatou a prima Viviane Ruiz, em comentário a este blog. Mas, com toda a certeza, embora ela tivesse nesta sexta-feira (23), consulta agendada para o seu tratamento, nem o uso de remédios poderiam ter torpedeado e distorcido valores que Maíra perseguia.

Este Blog conseguiu as primeiras revelações do que poderia ter levado a jovem a tentar, pela terceira vez, e agora com sucesso, o suicídio.

Este professor se chama Juscelino Pernambuco, atualmente é coordenador do curso de Letras(presencial) e coordenador do curso de pós-graduação em ensino de Português,Literatura e Redação, na modalidade a distância, do Centro Universitário Claretiano. Para Maíra, foi professor do COC Ribeirão Preto (onde lecionou de 1997 a 2005). Entramos em contato com ele para mais detalhes, vamos aguardar o retorno.

Apenas o desejo de ser reconhecida como jornalista e, talvez, aí sim, uma dose de ciúmes. Segundo uma das fontes que conversou com a mãe da jovem, nos momentos seguintes à perda súbita da filha, Bêne teria contado que foi mesmo um desentendimento familiar causado por uma atitude do namorado que teria desagradado Maíra.

OUTRA MULHER EM SEU JORNAL

Não um comportamento infiel ou de desvio de caráter. Nada disso. Com o projeto do jornal evangélico praticamente pronto, através do designer gráfico Jorge Damion, Maíra não aprovou a presença de uma segunda mulher que, segundo consta, teria sido trazida pelo namorado, seu sócio no projeto, provavelmente para auxiliar na confecção, redação ou vendas – esse ponto ainda não está claro, mas o pivô teria sido realmente mais uma integrante nesse projeto editoral evangélico.

Começou a discussão em torno dessa nova presença. Maíra, um pouco descontrolada, chorando, brigando com todos, teria dito que não era por ciúmes que ela se encontrava naquela situação.

Uma de suas frases teria sido: “Mãe, não é por ciúmes, é porque ninguém me reconhece como jornalista, pelo valor que eu tenho”.

Ela perseguia esse sonho de ser jornalista incansavelmente, e a carta deixada ao professor Feliciano comprova essa tese. Ela já tinha trabalhado na Rádio Difusora antes de passar no concurso público da Prefeitura em primeiro lugar.

Livre de vícios, procurava se apoiar em dois pilares: a fé cristã através de igreja evangélica e no seu talento em escrever e, finalmente, ter o seu jornal.

Na discussão, a informação postada anteriormente por este blog de que houve agressão física confere com essa outra versão contada por fonte próxima à família e aos fatos ocorridos. Bêne, a mãe, teria tentado acalmar a filha com algumas palmadas (isso mesmo: nada de surras ou algo pior) e, aí sim, o irmão Matheus teria dado um tapa, ou soco, em seu rosto.

A mãe para resguardar a filha em casa, escondeu as chaves dos carros. Não adiantou. Ela tomou o rumo da vicinal Olímpia-Tabapuã e, descalça, com as sandálias nas mãos, aguardou um veículo.

OS INSTANTES FINAIS

Era a sua terceira tentativa de suicídio em apenas 27 anos, segundo essa fonte. A primeira vez, foi nos pulsos. A segunda, se jogou defronte um caminhão ao ver rompido um relacionamento. Agora, a terceira, infelizmente, deu certo.

Aliás, o Boletim de Ocorrência Policial foi lavrado, inicialmente, como atropelamento e poderá resultar em homicídio culposo ao motorista se a tese do suicídio não vingar, mas pelos acontecimentos relatados e pelo histórico de Maíra de tentativas anteriores, não tem como colocar a culpa no motorista que, por sinal, ele, a esposa e a irmã, chegaram à Delegacia de Polícia em estado de choque pelo que viram Maíra fazer e pelo resultado fatal.

Ela caminhou cerca de 400 metros além do Ginásio Municipal de Esportes “Olintho Zambom” e ficou do lado direito, descalça. Segundo relato do motorista que a atropelou, o marceneiro Vanderlei Antonio Gratão, de 40 anos, ela estava com os sapatos nas mãos e, nesse trajeto que ele vinha, sentido Tabapuã-Olímpia, ela se jogou diante do automóvel, um Fiat 95, vermelho, placas BUQ-8238. Foi fatal. A batida no lado esquerdo do veículo lhe causou várias fraturas e morte instantânea.

Esposa e irmã de Vanderlei – Ana Maria de Souza Gratão, 38, cozinheira, e Silvana Gratão – estavam dentro do Fiat e presenciaram a cena. Todos chegaram em quase estado de choque, chorando muito, inclusive Vanderlei, na Delegacia para lavrarem o Boletim de Ocorrência.

3 comentários

  1. vivi disse:

    Acho que realmente algumas informações estão desencontradas… em nenhum momento quis dizer que o que levou a fazer foi medicação, ao contrario. Maíra estava fazendo acompanhamento psicoterapico 2 vezes na semana, estava tomando medicação e inclusive tinha consulta psquiatrica em Rio Preto hoje, segundo minha tia.

    Viviana Ruiz

  2. Viviana, eu sei. Mas, é preciso deixar isso bem mais claro, entendeu? Eu também conheço bem a família e sei dos problemas que enfrentam por causa desse tipo de coisa que, felizmente, no caso dela, estava superado.
    O que eu quis ressaltar, e isso todos comprovam, até você, de que ela tinha muita força de vontade em conseguir o sonho dela. Uma emissora de rádio insistiu muito em depressão pós-parto, em medicamentos etc e tal. Pode até ser, claro, que isso também a ajudou a tomar esse tipo de decisão drástica, mas, acima de tudo isso, estava a sua vontade de vencer.
    Aliás, o que vc passou no comentário anterior é que as doses não estavam corretas ou na proporção de “acalmá-la, inclusive naquela hora da discussão com o namorado. Olha, não estava lá e nem a conheço bem, mas remédios não segurariam o seu sonho de fazer o jornal e de ter o seu valor, finalmente, reconhecido como jornalista, mulher e ser inteligente, e não uma paciente em tratamento mental.

    Abraços,
    Leonardo

  3. Juscelino Pernambuco disse:

    Estou muito triste com o passamento da Maíra, minha ex-aluna das Faculdades COC.Ela entrou em contato comigo pelo meu site e eu fiquei comovido com a mensagem dela.Fiquei aguardando novo contato para poder, quem sabe,ajudá-la no lançamento do jornal.Não houve tempo: ela se foi.Que o nosso Pai misericordioso a acolha, para o descanso eterno.Rezemos todos pela sua alma.Prof.Juscelino Pernambuco.

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