O Caminho da Libertação

Publicado em 11 de abril de 2014 às 19h59
Atualizado em 11 de abril de 2014 às 19h59

Por Ivanaldo Mendonça — A quaresma é o tempo de preparação para a Páscoa, celebração do mistério da Paixão-Morte-Ressurreição de Jesus, centro de fé cristã. Enviado de Deus, Ele assumiu a condição humana, exceto no pecado e, doando-Se na cruz, pela força da ressurreição, venceu a morte, garantindo ao homem a salvação eterna. Por mistério de fé entende-se: sendo a ação de Deus infinitamente superior às possibilidades humanas, limitado, por força da natureza, aquele que crê abre-se à ação de Deus. O que parecia distante e escondido, na força da fé, revela-se, gratuitamente.

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Visando despertar, motivar e fortalecer a abertura à ação salvadora de Deus, a quaresma apresenta um itinerário espiritual a ser percorrido, individualmente (por cada homem de fé) e coletivamente (pela comunidade dos que creem), considerando três principais aspectos: a relação com Deus, a relação consigo próprio e a relação com o outro, expressos nos exercícios da oração, jejum e esmola. Cada semana da quaresma apresenta, num crescendo, a possibilidade de acolher, refletir, e experimentar os valores essenciais da fé cristã.

Refletimos, na primeira semana, acerca das tentações (Mateus 4,1-11) que, discretamente, querem distanciar-nos de Deus. Para vencê-las é preciso estar continuamente na presença do Senhor e permitir que Ele esteja conosco. Na segunda semana, a passagem da transfiguração do Senhor (Mateus 17,1-9), apresentou-nos a necessidade de subir a montanha, lugar da presença de Deus, no qual Ele transfigura, transforma nossas vidas. Subir a montanha exige disposição, ousadia e desapego dos muitos pesos, de dentro e de fora.

O Evangelho da samaritana (João 4, 5-42), na terceira semana, levou-nos a refletir sobre o sentido da vida apontando-nos Jesus como fonte que jorra para a vida eterna. Através do dom da fé, somos preenchidos pelo amor de Deus e, por isso, capazes de amar acima de todas as coisas. Na quarta semana, o Evangelho do cego de nascença (João 9,1-41), propôs-nos refletir acerca da ação de Deus que ultrapassa os limites e possibilidades humanas. É preciso crer, libertarmo-nos das tantas cegueiras, permitir e colaborar para que outros sejam libertos. O Evangelho da ressurreição de Lázaro (João 11,1-45), na quinta semana, apresenta Jesus como Aquele que tem o poder de devolver a vida, não apenas a um defunto, mas, a cada ser humano que, mesmo biologicamente vivo, morre, de tantas formas, sob a força do pecado.

O propósito desde itinerário espiritual ultrapassa a quaresma, exige conversão permanente. A Semana Santa, culminando este processo, propõe-nos permitir que o poder amoroso de Deus vença as mortes e trevas que, desde agora, querem escravizar-nos, roubando-nos o sentido da vida. Celebremos intensamente! Perseveremos no caminho da verdadeira libertação!

* Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia, [email protected]

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