Limitado sim, fechado não!

Publicado em 12 de junho de 2015 às 21h10
Atualizado em 12 de junho de 2015 às 21h11

Por Ivanaldo Mendonça – A lida com pessoas permite-nos entrar em contato com as muitas e diversas realidades que envolvem o ser humano. A forma como se concebe e administra pensamentos, sentimentos e comportamentos e como os caminhos e meios escolhidos impactam diretamente sobre o viver, nos desperta atenção. Nesse contexto destacamos dois elementos: limitação e fechamento.


As situações-problema e os desafios que a vida apresenta exigem que,  seguir adiante, as pessoas se reinventem, se reposicionem; a relação estabelecida entre limitação e fechamento é determinante para a superação e o encontro do equilíbrio. 

Ao ingerir alimentos ‘pesados’ deparamo-nos com os limites do sistema digestivo; porém, como ele não está fechado, assume o desafio de digerir o alimento, superando-se, continuamente. Assim, tantas pessoas, limitadas, porém abertas, surpreendem-nos, constantemente.

​ Ser limitado não é atributo negativo ou pejorativo, limitação não é incapacidade ou fraqueza. A consciência acerca das limitações fortalece o ser humano: saber quem somos, de quais recursos dispomos e até onde podemos chegar não nos faz melhores ou piores que ninguém, mas diferenciados, à medida que servimo-nos destes elementos a nosso favor, em favor daquilo em que acreditamos e nos propomos a realizar.

A consciência acerca dos limites favorece a construção do auto-conceito e permite-nos criar e manter relacionamentos saudáveis uma vez que possibilita-nos considerar o outro em suas limitações.

Ser fechado consiste na atitude regressiva de negar-se a explorar, conhecer e administrar as possibilidades existentes, alcançando a consciência dos limites e ultrapassando-os.

Pessoas fechadas privam-se do direito de ir além, motivadas por razões conscientes ou inconscientes, relativas à realidade em que vivem e às condições que influenciaram a formação de sua personalidade: relações afetivas, modelo de educação e formação, traumas, referências culturais, influência dos grupos sociais…

O entrecruzamento destes elementos merece consideração: pessoas limitadas e fechadas sequer exploram o próprio potencial; pessoas limitadas e abertas identificam os recursos necessários e superam limites.

Alguém limitado pela pobreza material, porém aberto, pode tornar-se milionário, enquanto alguém abastado materialmente, porém fechado, pode acabar na miséria.

Eis o desafio: administrar a consciência das limitações, abertos à superação. Exercício árduo, porém, ilimitadamente compensatório.

Limitado sim, fechado não!

• Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia

 

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