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Líder não nasce pronto

Por Ivanaldo Mendonça – Atento à conversa dos jovens, notei que o assunto abordado era liderança. Com argumentos pontuais, considerando os atributos pessoais, discutiam sobre quem deles seria o líder do grupo. Serviam-se de conceitos complexos: pró-atividade, assertividade, organização, inteligência, influência, perfil, capacidade de persuasão…

A experiência daquele grupo retrata os anseios da humanidade. Como o modelo tradicional, o de chefe, não corresponde às exigências do fenômeno da humanização, discutimos, também, sobre as principais características daqueles que devem conduzir-nos. Como devem ser e quem serão nossos líderes?

Dentre tantas perguntas e poucas respostas, uma constatação: o mundo enfrenta uma forte crise de liderança, em todos os segmentos. Elemento fundamental, porém, ignorado por boa parte dos que abordam o assunto, é a necessidade de considerar que o líder não nasce pronto. A primeira e principal característica do líder excelente é ser seguidor excelente, ser discípulo excelente. Esse aprendizado demanda tempo e energia em todos os sentidos: cronológico, biológico, mental, emocional e espiritual.

O seguimento fiel, dedicado e comprometido dá ao discípulo condições para, a partir do que ele pensa, sente e faz e das referências daquele a quem ele segue, acolher a liderança como dom, como vocação, definir sua identidade e, no uso da liberdade criativa, elaborar seu jeito próprio de liderar. No exercício do discipulado, aprende-se o que deve ser feito e o que deve ser evitado.

Quem não segue com inteligência, sabedoria, humildade e equilíbrio, não lidera com eficiência. Aquele que melhor segue o líder é, em geral, o que desenvolve mais rapidamente qualidades de liderança. Ser um seguidor, um discípulo comprometido, tem muitas vantagens, entre elas, a oportunidade de assimilar o conhecimento do líder.

O líder não nasce pronto! Admitir esta verdade nos tornará capazes de permitir que, os que trazem em sua essência, capacidade para liderar, acolham-na de forma natural, processual, humana e busquem os adequados meios para desenvolver e aprimorar conhecimento, habilidades e atitudes.

Enquanto isso, assistimos o aborto coletivo de futuros líderes quando, sobretudo, instituições que têm como público-alvo adolescentes e jovens, impõem-lhes o pesado título: líder. Coroando-os de distintivos e honrarias, isolando-os dos demais, sobrecarregando-os de compromissos, impedem que aprendam a ser discípulos excelentes e, consequentemente, líderes excelentes.

Ivanaldo Mendonça é Padre, Pós-graduado em Psicologia, [email protected]

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