Jovens mortos em Santa Maria são lembrados em Missa de Cinzas da Igreja São José

Publicado em 14 de fevereiro de 2013 às 1h14
Atualizado em 14 de fevereiro de 2013 às 11h31

A Missa de Cinzas celebrada nesta quarta-feira (13) na Igreja-Matriz de São José, em Olímpia, abriu a Campanha da Fraternidade de 2013 – ‘Fraternidade e Juventude’ – e prestou homenagem póstuma a cada uma das 239 vítimas do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), ocorrido no último dia 27.

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O pároco Ivanaldo Mendonça citou, nominalmente, cada um dos jovens e celebrou uma longa missa, pouco mais de duas horas de duração, para cerca de 400 pessoas, mais da metade jovens, entre eles o ex-vereador e empresário José Elias Morais (Zé das Pedras). Sem lugares disponíveis, o padre convidou os jovens a sentarem-se ao redor do altar. O Papa Bento 16, que renunciará oficialmente no próximo dia 28, também mereceu homenagem e boa parte do sermão da homilia.

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Inicialmente, o padre havia separado metade dos bancos da igreja para os jovens que a sua comunidade convidou. O lema era que cada um trouxesse mais quatro jovens. De fato, praticamente cada vítima do incêndio da Kiss tinha um representante jovem na celebração. Mas, a igreja começou a lotar, também de idosos, e o padre liberou todos os bancos. Os jovens ocuparam os demais espaços vazios, inclusive o altar.

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A fotografia do Papa renunciante foi a primeira imagem trazida pelos jovens para o altar, um canto reservado para a cruz e demais símbolos da campanha que envolve os jovens, e também a lista das 239 vítimas da Kiss.

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Os jovens adentraram à igreja – selecionados entre 15 a 30 anos de idade – com faixa preta no ombro em sinal de luto, e com uma vela apagada (que seria acesa ao final da celebração na Vela do Círio Pascal). Eles ocuparam o altar ao redor do padre. Em seguida,  se misturaram aos fieis e pelas escadarias do altar.

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Em seu sermão, o pároco Ivanaldo Mendonça falou da importância da quaresma – o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa. O período marca também o início da Campanha da Fraternidade que esse ano tem como tema “Fraternidade e juventude”. O padre relembrou que esse é um período de reflexão, perdão e de abrir o coração para o próximo. Um dos destaques da missa foi a homenagem póstuma a cada uma das 239 vítimas do incêndio na boate Kiss – os nomes foram lidos em diversas partes da celebração.

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Na homilia, Ivanaldo falou da dor que cada ente querido está sentido, da “ferida aberta para sempre em seus corações” diante da tragédia, e disse que “tudo estava escrito, mas não pelo destino, mas porque uma série de irresponsabilidades ocorreram”.

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Sobre a quaresma, padre Ivanaldo disse que “é um grande apelo à conversão. É preciso que seja uma conversão sincera, que brote do nosso coração. Não apenas atos externos, mas aquilo que é interior. Mudar o coração para mudar a vida”, afirmou.

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Na celebração, antes da eucaristia, houve a benção das cinzas que, por sua vez, foram usadas por jovens para fazerem o sinal da cruz na testa dos fieis. O sinal da cruz feito com cinzas na testa simboliza o pecado e a fragilidade humana, representando sinal de penitência e conversão. “O início do tempo quaresmal marca o inicio da imposição de cinzas sobre a cabeça dos fiéis, lembrando nossa condição humana ‘somos pó e ao pó voltaremos’. Iniciando o tempo quaresmal para nos mostrar que é um tempo de penitência, um tempo de mudança de vida, rezar mais, buscar mais a Deus”, explicou o pároco.

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Ao citar a decisão de renúncia do chefe maior da Igreja Católica, o Papa Bento 16, o padre disse que “é uma decisão humana, de coragem e, acima de tudo, de amor à Igreja, porque ele deixa um enorme poder, que está em suas mãos, mas que, com humildade, reconhece que outro poderá fazer melhor do que ele, ele somente deixaria de ser Papa em sua morte, mas preferiu, em vida, reconhecendo a sua fragilidade e por amor à Igreja, fez como Jesus Cristo, que, em meio aos humanos, se doou em favor de todos”.

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Ainda antes da eucaristia, a igreja toda se deu as mãos e orou o Pai Nosso, inclusive em memória dos jovens mortos em Santa Maria. E, após a eucaristia, a vela do Círio Pascal foi colocada ao centro da Igreja, diante do altar, e todos os jovens foram convidados a acender a sua vela, retornando ao lado de uma pessoa mais velha, mesmo que não a conhecesse. As luzes da Igreja foram apagadas, os jovens abraçados aos adultos que, por sua vez, desataram a fita preta do luto, jogando-a (a morte) ao chão.

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O padre estava com vestimenta roxa. A cor roxa usada nas igrejas é o sinal do luto e penitência dos cristãos. Mas na celebração o alerta, pois o Jejum deve ir além da privação do que se gosta. “É a oportunidade para as pessoas repensarem os excessos que cometem no dia a dia. É abrir mão do que se gosta para reencontrar o equilíbrio emocional e físico”, concluiu o pároco Ivanaldo Mendonça.

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