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Internet.org: O mundo precisa da Internet de Mark Zuckerberg?

Por Stéll Albuquerque — Segundo o relatório de Desenvolvimento Humano da ONU em 2014, cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo vivem em situação de pobreza. Isso representa mais de 1/3 da população mundial. O relatório anual do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) ainda alerta sobre a presença da “pobreza multidimensional” que afeta 91 países em desenvolvimento, o que significa que esses cidadãos passam por privações nas áreas de saúde, educação e “padrões básicos de vida”.

Ainda sobre estatísticas, estima-se que 2/3 da população mundial não esteja conectada à Internet. O que representa aproximadamente 5 bilhões de pessoas sem acesso aos diversos serviços online básicos e gratuitos. As causas são diversas, mas o fator principal é que a maioria delas, além de viverem em situação de extrema pobreza, moram em países em desenvolvimento que carecem de infraestrutura necessária para acessar a rede mundial de computadores.

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Foi com base em números como esses que o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, criou o projeto Internet.org, visando unir forças para levar a conectividade a baixo custo para esse “bilhão ascendente”.

O que é o Internet.org

O Internet.org é uma iniciativa “filantrópica” encabeçada pelo líder do Facebook com o objetivo de levar serviços básicos de Internet para os 5 bilhões de pessoas no mundo sem conectividade e em situação de pobreza. Levar conectividade a essas pessoas significa proporcionar acesso à informação, dando oportunidade de se comunicar com pessoas de outras partes do mundo de maneira rápida e fácil e, sobretudo, de contar as suas histórias.

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Princípios do projeto:
  • Acessibilidade

Pensar em soluções que reduzam o custo do fornecimento de dados para pessoas no mundo inteiro e ajudem a expandir o acesso à Internet em comunidades carentes.

  • Eficiência

Buscar parceiros no desenvolvimento de ferramentas e softwares para aprimorar a capacidade de compressão dos dados e para permitir que as redes e serviços funcionem melhor.

  • Modelo Econômicos

Trabalhar parcerias no sentido de introduzir modelos empresariais que proporcionem às pessoas mais formas de acesso à internet.

Quem pode ajudar

Desenvolvedores, operadoras móveis e fabricantes de dispositivos já estão juntos nessa corrida rumo ao desenvolvimento de tecnologias capazes de baratear e custear a oferta de serviços básicos de Internet de maneira gratuita e barata para comunidades carentes e sem conectividade.

Empresas como Qualccomm, Samsung e Nokia também estão nessa gigante empreitada.

Alianças políticas

A ambição de Mark o fez correr em busca de alianças políticas importantes para viabilizar o projeto em algumas partes do mundo. O Brasil, por exemplo, foi um deles. Alguém se recorda dessa foto da presidente Dilma ao lado do CEO do Facebook?

Ela representa uma etapa importante do projeto. O acordo entre eles previa a oferta de internet gratuita para a população de baixa renda.

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Mas o jeito Zuckerberg de fazer negócios sempre dá o que falar. O empresário, além de visionário, é conhecido por suas ambições no mundo dos negócios e, acredite, quando se trata de um projeto com cunho filantrópico como o Internet.org isso pode ser preocupante.

O lado negro da força

Após o possível acordo entre Dilma e o líder do Internet.org, muitas pessoas e entidades demonstraram forte rejeição uma vez que o projeto, aparentemente, esquece de contemplar regras básicas estabelecidas no Marco Civil da Internet.

A possível limitação de acesso a conteúdos fere a questão da neutralidade da rede e direito ao fluxo livre de informações. Além disso, ainda existem questões sobre privacidade do usuário e infraestrutura utilizada para realizar a parceria que não foram claramente explicadas.

A falta de transparência de um projeto com boas intenções, começa a torná-lo um fiasco. E ao contrário de conquistar apoio e alianças, ele consegue ganhar na verdade uma porção de inimigos que farão de tudo para que sua ação se torne inviável.

Os argumentos da “oposição” valem um pouco da nossa reflexão, afinal, alguém tão engajado com a tecnologia e cercado de alianças importantes no setor, como Mark tem, não conseguiria fazer os mesmos esforços em prol de uma internet livre, sem supostos interesses mercadológicos por trás?

Isso sim seria filantropia…

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O outro lado da moeda ou razões para acreditar

Devemos concordar que, na teoria, o Internet.org é um projeto cercado de boas intenções, ou pelo menos deveria ser. Afinal, para atingirmos a igualdade de oportunidades e poder garantir que as pessoas no mundo tenham acesso a serviços básicos, precisamos de pessoas como Zuckerberg. Pessoas pró-educação, engajadas, cercadas de boas ideias, dispostas a doar parte de sua fortuna e tempo para investir em projetos focados na resolução de problemas mundiais.

Levar internet a lugares em que não há conectividade  é uma meta grandiosa que sem dúvidas geraria um impacto bastante positivo sob vários aspectos. Tudo isso me faz lembrar dos modelos de negócios pensados para BoP (Bottom of the Pyramid), bastante conhecidos em 2002 após a publicação do artigo “The Fortune at the Bottom of the Pyramid” de Stuart Hart.  O que significa criar e oferecer produtos adaptados para a população que ocupa a base da pirâmide.

Pensar em maneiras de inserir uma população de baixa renda no “mercado de consumo”, além de ser uma estratégia de mercado, pode reduzir a pobreza. Segundo economistas da London School of Business, oferecer 10 telefones por 100 pessoas pode aumentar em 0,6%o PIB de um país em desenvolvimento. Nicholas Sullivan explica muito bem esse impacto em seu livro “You Can Hear Me Now: How Microloans and Cell Phones are Connecting the World’s Poor to the Global Economy”  (Você pode me ouvir agora: como os microempréstimos e telefones celulares estão conectando os pobres do mundo à economia global). ¹

Imagine quantas pessoas hoje poderiam mudar o mundo e a situação em que vivem se tivessem acesso a internet?

A internet é um meio democrático e cheio de possibilidades. A tecnologia garante o avanço do desenvolvimento, mesmo a comunidades muito carentes, sem abundância de recursos básicos, pois oferece àquela população uma nova experiência e motivos para acreditar em uma mudança que começa a partir de cada um. É garantir que esses também sejam cidadãos com voz ativa e conectados ao resto do mundo. Como isso pode ser possível se não estivermos na mesma rede?

Precisamos conversar sobre o Internet.org…

Entre tantas controvérsias, acredito que devamos conversar mais sobre o Internet.org. Questionar a que custo vale a pena levar uma internet limitada à população de baixa renda e se já não somos capazes de oferecer a internet como conhecemos, democrática e sem barreiras, para todos.

Se o mundo precisa da internet de Mark Zuckerberg eu ainda não sei, mas o mundo com certeza precisa saber mais sobre essa internet.

Conheça mais sobre o Internet.org clicando aqui.

Vamos conversar sobre isso? Deixe sua opinião nos comentários. Aqui é livre!

¹ Com informações do livro “Abundância: O futuro é melhor do que você imagina”.

d2404b78d318900e97d53dd02bdab097Stéll Albuquerque — Stéphanie é muito grande, podem me chamar de Stéll. Sou pós-graduanda em Comunicação e Marketing de Mídias Digitais (um dia eu termino o TCC), trabalho com Marketing Digital e agora escrevo pro Digaí. Sou apaixonada pela internet, gosto de ler, andar de bike e tomar café. Me segue! Snap: @stellalbuqrq 😉 www.digai.com.br

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