Ciúme e Drama

Publicado em 15 de fevereiro de 2014 às 21h30
Atualizado em 15 de fevereiro de 2014 às 21h39

Por Karina Younan – Ciúme é sentimento universal. Existem registros deste sentimento em todas as épocas, nas mais diversas nações e culturas. Independente dos hábitos dos povos ou religião, nível intelectual e situação econômica. U-ni-ver-sal. No ar rarefeito, nas mais altas temperaturas ou no deserto mais longínquo, a sua presença é marcante entre os humanos.

karina

Fruto do amor ou filho pródigo da dor.

Quando precede o amor, a pessoa sente medo de perder quem o faz especial, fortalecendo a relação. Acometidos pelo ciúme mostram maior atenção e cuidado aos gostos e preferências do amado, notam sinais e gestos, se preocupam em agradar. O ciúme ressalta a beleza daquele que amamos. Mostra a entrega emocional, oferecendo status e sensação de pertencimento ao outro.

Mas tem o ciúme que é tortura, pura inquietação. Que afirma e reafirma que o outro não está na relação. É a certeza do não amor. Nega a atração e o interesse que o outro possa ter. Coloca o companheiro à prova o tempo todo, sufoca, oprime, fantasia ao extremo.

É o drama da menos valia em ação, perturbando o pensamento. Nosso lodo mental dizendo que não merecemos afeto, nos maltratando.

ciume

Esse ciúme patologia invade a rotina, o sossego, a privacidade. Passa dos limites. Faz intriga, abafa a alegria. E consegue o que mais teme, afasta o amor.

O convívio é sacrificante, o desgaste enorme. Mostrar o absurdo não adianta, quem está nesta condição controla e sofre em demasia, é preciso tratamento.

O enciumado não admite que pode ser feliz, a insegurança grita traições e abandono na vida desta pessoa… o cérebro age em estado de alerta e confusão mental, e a liberdade começa a chamar dentro do companheiro, formando um ciclo perseguidor. O ciúme é um Iago a sussurrar, ciúme é Capitú.

As raízes dessa incapacidade de aceitar afeto estão na infância. Registros em nossa história de vida. A inferioridade sentida, a comparação que nos regrediu, guardados num saco de negro de lembranças. Falas ou imagens de abandono, quebra de confiança, crítica e rejeição pela qual passamos. O elogio não recebido ou destinado a outrem, a felicidade que aceitamos que nunca seria nossa.

A psicoterapia restabelece a razão, abre caminhos entre a névoa. É preciso que o terapeuta faça às vezes de comando interior, para que a pessoa exerça algum controle sobre o próprio comportamento. Autovigilância e contenção, antes que o amor jogue a toalha.

* Karina Younan é Psicóloga em São José do Rio Preto (SP) e docente da Faculdade de Medicina (FAMERP)

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