Brasileira que está no Japão conta o drama que viveu (e ainda vive) do terremoto e tsunami

Kiteria-com-irmas-que-estao-no-Brasil-Ladjane-(esq)-e-Laudiceia-(dir)A diretora deste Blog, Laudicéia Cordeiro Morais, tem uma irmã que mora Japão e que viveu, e ainda vive, o drama do terremoto e tsunami de anteontem, sexta (11). Quitéria Bião Sato era enfermeira em Pernambuco e, há 20 anos, foi morar no Japão para se casar. 

Ela foi entrevistada pelo repórter Ed Wanderley, do Diário de Pernambuco, que este Blog reproduz.Hoje, ela vive em Tsurume, perto de Tóquio. Ela nunca imaginou que passaria por um susto como o de anteontem.

Sem celular ou energia elétrica para saber que o filho estava bem, deixou o trabalho pegando dois ônibus e caminhando a maior parte o caminho por três horas e meia.

Onde você estava quando o terremoto atingiu o país?
Sozinha, no segundo andar da fábrica onde trabalho. Meus colegas que estavam embaixo começaram a gritar por mim, assustados. Juntei-me a eles e fomos para o campo.

Você já tinha passado por uma experiência semelhante?
Não. Nem os próprios japoneses tinham. Foi muito forte. Tinha gente que ficou pálida no meio do campo, com medo.

E voltaram a trabalhar?
A fábrica não parou. Saí às 17h e meu chefe achou ruim. Estava preocupada com meu filho. Nenhum celular funcionava. Meu chefe disse que eu não estava pronta para ´viver no Japão`.

E como foi o caminho na volta para casa, até conseguir ter notícias de seu filho?
Dois ônibus nos tiraram da fábrica, mas não faziam o caminho inteiro. Tivemos que andar duas vezes, por mais de meia hora cada. Só cheguei em casa às 20h40. Fiz o percurso na escuridão. Graças a Deus, ele (o filho, Isao Sato, 18) já estava bem, dentro de nossa casa.

E como estão os amigos…?
Outro.

Outro o quê?
Outro tremor. O medo que temos é justamente esse. A cada quarenta minutos, uma hora, tudo treme novamente. Não tem como ficar sem medo.

Preparada para seguir com o cotidiano?
Ainda não consegui dormir desde os abalos que vêm acontecendo. O meu filho já está dormindo porque amanhã (hoje) trabalha, se Deus quiser. Ainda tenho muito medo porque estava tudo tremendo até agora há pouco, mas já deu uma parada… Agora é esperar e torcer para que tudo dê certo…

RISCO NUCLEAR

As autoridades japonesas decretaram estado de emergência numa segunda usina nuclear, a de Onagawa (nordeste) também afetada pelo forte terremoto de sexta-feira, anunciou neste domingo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"As autoridades japonesas informaram à AIEA que o primeiro estado de emergência (o nível mais baixo) na central de Onagawa foi registrado pela Tohoku Electric Power Company", explicou a agência da ONU, com sede em Viena.

Os três reatores da planta de Onagawa "estão sob controle", segundo as autoridades japonesas, precisou a AIEA.

De acordo com a regulamentação japonesa, "o alerta foi declarado depois dos níveis de radioatividade registrados superarem os níveis autorizados na zona próxima à central", explicou la AIEA.

"As autoridades japonesas tentam determinar qual é a fonte das radiações", acrescentou a agência.

Da AFP/Paris

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