Bispo se reúne com líderes espírita e muçulmano e manifestam desejo de convivência pacífica

Publicado em 14 de janeiro de 2015 às 14h54
Atualizado em 14 de janeiro de 2015 às 14h57

Continuando seu encontro com líderes religiosos, o bispo diocesano, Dom Milton Kenan Júnior, se reuniu na manhã de hoje (14) com o Eduardo Croys Felthes, tesoureiro da União das Sociedades Espíritas de Barretos e Região, e o sheik Mohanad Mostufa Alhseen, líder da religião islâmica no município. O bispo disse que sabe que não é preciso agradecimento pela acolhida deles na reportagem publicada em novembro do ano passado pelo Jornal o Diário, dias após o anúncio de sua nomeação pelo Papa Francisco como sexto bispo para a Diocese de Barretos, mas que o encontro foi para dizer-lhes que “não passou despercebido” e que “quer somar”. Na última sexta-feira, o encontro foi com o até então presidente do Conselho Municipal de Pastores, Mauri Trevisan.

Às 10, Dom Milton se encontrou com Felthes no Lar da Criança Legionárias de Ismael. Antes apresentar a instituição ao bispo, disse que há muito tempo desenvolvem ações com diversas religiões, inclusive já desenvolveram um Festival da Pizza para colaborar com construção da capela de Nossa Senhora Aparecida (conhecida como Minibasílica), no bairro Marília. “Nós sempre trabalhamos em comum porque nós sabemos que o amor e a fraternidade entre as pessoas está muito acima da religião”, disse. Enfatizou que todo mundo quer a paz, mas dificilmente as pessoas lembram que “a paz começa com a tolerância, a solidariedade e a fraternidade”.

Disse que apesar da instituição ser mantida por uma entidade espírita o público atendido (cerca de 200 crianças e 100 gestantes por semana) é formado por 50% de católico, e que espera que o encontro de hoje com o bispo se repita várias vezes, o que foi confirmado pelo prelado.

Felthes disse que “o grande problema não são as religiões, mas as pessoas”, e que há 95% de coisas entre os católicos e os espíritas em comum, como a crença no Deus único. O bispo disse que o valor absoluto que nos une a todos é o Amor, e que o fundamental entre todas as religiões é a caridade, que nada mais é do que o amor transformado em obras, mesmo cada um tendo suas peculiaridades. “Jesus deixou um único mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, lembrou.

Com o sheik que vive em Barretos há um ano e três meses, o bispo diocesano se encontrou às 11h de hoje. Mohanad Mostufa Alhseen disse que ficou muito feliz com a presença de Dom Milton na mesquita, que é um local sagrado para os muçulmanos, que está aberta para sua visita sempre que desejar, não só em ocasiões especiais.

O prelado lembrou que o Papa Francisco,quando se encontrou com líderes religiosos de diversas partes do Oriente na Turquia em novembro passado, disse que a gente não pode perder de vista que entre o islamismo e o cristianismo há muitos elementos em comum que favorecem o diálogo, como a fé em Deus misericordioso, o valor da oração e do jejum, e a busca da paz que devem gerar o respeito e a convivência pacifica.

Dom Milton disse que, de maneira alguma, aprova o atentado à revista francesa “Charlie Hebdo”, no último dia 7, mas questionou as razões da publicação lucrar em espezinhar as religiões. “Quando a gente vê uma charge dá pra ver quando ela é positiva, construtiva, com um humor sadio”, salientou o bispo ao lembrar que, segundo o alcorão, ninguém tem o direito de representar o profeta Mohamed e nem fazer imagens de Allah, e que a revista por várias vezes fez isso e de forma desrespeitosa para os muçulmanos.

Falou ainda que, se dissessem a ele que ninguém poderia usar o nome de Allan Kardec, por que razão iria querer lucrar em usar este nome? “Vamos respeitar, se pra mim não tem significado para outra pessoa tem. Ao mesmo tempo é preciso um bom senso (…). Seria uma leviandade de nossa parte generalizar os grupos como se todos os membros de uma fé, de um credo, agissem da mesma forma, ou que concordassem com esse tipo de ação. (…) O que uma pessoa, um grupo faz a gente não pode dizer que isso seja promovido por todos. Por isso, mesmo que haja grupos que promovam o terror e a violência, as religiões merecem sempre o nosso respeito, o nosso apresso e a nossa abertura”, enfatizou.

Finalizando, o bispo diocesano de Barretos disse que “estando com os três líderes religiosos comprovou que há também por parte deles o desejo de estar junto, de dialogar, e de uma convivência pacífica no respeito mútuo”.

Fotos: Milton Figueiredo

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