Benditos os que sempre voltam

Publicado em 21 de agosto de 2015 às 14h02
Atualizado em 21 de agosto de 2015 às 14h05

Por Ivanaldo Mendonça — A conhecida parábola do Filho Pródigo, registrada no Evangelho de Lucas, deveria ser chamada, parábola do Pai Misericordioso, porque, o amor e misericórdia do Pai é infinitamente maior que o erro do filho que, iludido, saiu de casa.

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Perdeu tudo: amigos, mulheres, dinheiro, beleza, músculos, o sentido da vida. Quis voltar, não pelo dinheiro, pois pensava não mais ser considerado herdeiro. Voltou, porque, em lugar algum, encontrou sentido verdadeiro, como o amor do Pai, o amor de Deus. O Pai? Foi correndo ao seu encontro, abraçou-o, cobriu-o de beijos, pediu que trouxessem roupas novas, sandálias, anel e convocou todos à festa.

De onde menos se esperava veio a surpresa: o irmão mais velho, todo certinho, que nunca se revoltara contra o pai, que trabalhava muito, ia a igreja, devolvia o dizimo segundo o costume, que se imaginava perfeito, inconformado, quis colocar limites ao amor do Pai, como que reivindicando: Este teu filho pecador, ladrão, assassino, drogado, prostituto, não pode mais ser amado, não pode mais ser acolhido.

Pobres filhos mais velhos! O do Evangelho e nós, quando a ele nos igualamos. Eles não entenderam nada. Continuam se achando perfeitos, excluindo, perseguindo os irmãos que voltam e os que se esforçam para acolhê-los.

Benditos os filhos que saíram. Não porque saíram, mas porque voltaram.

Malditos os filhos que nunca saíram fisicamente, mas sempre estiveram distantes, deixando-se tomar pelo ódio, rancor e injustiças. Malditos os que não são capazes de se alegrar porque o irmão voltou para a casa do Pai.

Benditos os filhos que sempre voltam. Benditos os pais, mães, crianças, adolescentes, jovens, idosos, que não se deixam dominar pelo ódio ou comparações e se esforçam para acolher. O critério para a salvação é “o quanto somos capazes de amar e perdoar”.

Bendito sejais, Pai Misericordioso, porque muito ou pouco distantes de sua casa, o Senhor é sempre capaz de dizer a cada um de nós, a cada filho que volta: “Meu filho, que bom que você voltou. Eu te amo. Fica comigo!”

 

 

Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia, [email protected]

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