“Além da dengue, temos de combater outra guerra: a do trânsito”, afirma piloto na Tribuna Livre

Publicado em 12 de maio de 2015 às 15h41
Atualizado em 12 de maio de 2015 às 15h45

O piloto e idealizador do projeto Direção para a Vida, Ivo Zangirolami Júnior, 48, ocupou o expediente ‘Tribuna Livre’, da Câmara Municipal, para convidar, ou melhor, convocar, os vereadores e cidadãos olimpienses ‘para uma guerra’: a da conscientização de um trânsito seguro. “Reconheço que não temos as melhores malhas viárias do mundo, mas a imprudência ainda ceifa milhares de vidas no País, e mesmo em nossa cidade e região, ultimamente, tivemos muitas vítimas, inclusive fatais”, disse Ivo. Fotos Gustavo Luppi

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Na galeria, além de cidadãos que usualmente acompanham as sessões legislativas, estavam lideranças da DOA (Deficientes Olimpienses Associados), Baixos Olímpia (carros rebaixados) e de aficionados em Carros Antigos. Os vereadores Luiz do Ovo e Paulo Poleselli adentraram o piloto ao plenário, a convite do presidente Luiz Salata.

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Emocionado e nervoso, justificou: “Já dei palestras para centenas de pessoas, mas aqui, nesta Casa, esses minutos valem milhões, valem vidas”. Ivo relembrou a sua história, já publicada com exclusividade pelo Diário há cinco anos, de “ex-tirador de rachas”. Revelou que iniciou carreira de piloto de “forma totalmente errada, tirando rachas na praça Panamericana, Cidade Universitária e marginal Pinheiros na capital paulista”. “Sou um ex-babaca”, disse.

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“Comecei realmente de forma muito errada, não tenho vergonha de falar, muito pelo contrário, estou a fim de ajudar a conscientizar as pessoas, especialmente os jovens, para que essas coisas não se repitam. Se eu não sofri nenhum acidente nas ruas foi por pura sorte, não foi por habilidade. Volto a repetir: quem faz isso está errado e coloca as vidas de outras pessoas em risco”.

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Na Inglaterra, correu na Fórmula Ford Inglesa, quase que o campeonato inteiro (faltou apenas uma corrida para completar as 18), e Fórmula 3: “Na verdade, fiz umas duas corridas apenas, meu chefe de equipe sugeriu que eu fizesse kart para poder render mais na carreira. Já minha carreira no Brasil foi super curta, apenas oito corridas. Quando fui para o Exterior, não tinha uma estrutura, como patrocinadores, contatos, de entender realmente como é o automobilismo, por isso foi tudo muito rápido e corrido, não tinha muita experiência”. Com essa bagagem, das ruas para as pistas e, nos últimos anos, correu, e venceu algumas provas, pela Copa Clássicos de Competição com um Passat 74 ‘feito em casa’.

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E, de três anos para cá, idealizou, juntamente com o seu irmão, também piloto, Luciano Zangirolami, comanda o projeto Direção para a Vida, reconhecido pelo Parada pela Vida, do governo federal, e com do Não foi Acidente, apoiado pela Band. “Ainda não chegamos à Brasília, precisamos dessa força, estamos em uma guerra, a cada minuto vidas são ceifadas no trânsito, temos 50 milhões de pessoas sequeladas irreversivelmente oriundas do trânsito, das rodovias. Além da malha viária, a imprudência é a maior responsável, hoje automóveis chegam facilmente até a 200 quilômetros reais”.

DSC_4918Ivo se emocionou quando comparou as mortes do trânsito com as de dengue. “Sabemos que a dengue deve ser combatida, dentro e fora de casa, e fiquei feliz quando vi que os senhores vereadores tem projetos relacionados ao tema, apresentados na noite de hoje, mas a dengue é uma doença, tem todo um ciclo, igualmente grave, mas previsível. O acidente de trânsito não. De repente, dois carros, a 90 quilômetros por hora, se chocam, e o barulho é horrível, você se recorda dele para sempre, a reação é segurar o volante com as duas mãos, esticá-las, e a caixa do motor vem a com a lata de retorcendo até o seu corpo. Eu já sofri uma acidente e até hoje vem à memória esse som, esse momento”.

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“Um acidente destrói sonhos, famílias, Natais, qualquer data. O telefone toca e aniquila com uma família, com esperanças, deixa um rastro terrível de destruição”. O acidente acontece em um segundo, e pode ser fatal, ou deixa sequelas e, muitas vezes, a pessoa morre tempos depois e nem entra nas estatísticas do trânsito”, disse o piloto do Direção para a Vida.

Na realidade há três referências. O Denatran informa algo em torno de 35 mil óbitos anualmente. O Ministério da Saúde, cerca de 43 mil/ano, porque inclui os mortos até 30 dias depois das ocorrências registradas. O número mais confiável poderia ser da Seguradora Líder, administradora central do DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres), que pagou 54.767 indenizações por mortes no ano passado. Este último número inclui vítimas de acidentes fatais dos últimos três exercícios do calendário civil, conforme prevê a lei, o que não deixa de significar uma imprecisão estatística.

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E a maioria dos acidentes envolvem motos. Ivo revelou aos vereadores que “vivemos uma epidemia de motos, cerca de 3,8 motos são vendidas no Brasil por minuto. Ter moto é um direito, mas tem de ser um dever saber conduzí-la corretamente”.

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“Olímpia está crescendo, felizmente, e por isso a nossa preocupação. O trânsito é uma área que, às vezes, passa desapercebida, mas é crucial desenvolvermos soluções, levar esse tema para as escolas, para a educação de nossas crianças, essa questão vir de berço, além de estimularmos, com ações, essa conscientização constante”, assinalou Ivo.

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Recentemente, Ivo criticou, nas redes sociais, os trevos caóticos, desordenados, que tem resultado em acidentes constantes. “Não vejo muito futuro em termos regionais de avanço, mas não podemos ficar calados, quietos, temos de agir. Assim como temos de combater a dengue, temos de combater essa guerra do trânsito”.

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