time-do-olimpia-de-sao-paulo_thumb.jpg

Olímpia-SP nega ser "paraguaio", mas provoca Atlético com galo azul

Duas notícias foram publicadas nesta terça-feira (22) fazendo comparação entre o Olímpia Futebol Clube e o homônimo Club Olímpia, da capital mineira, e do Paraguay propriamente dito.

Primeiramente, a manchete do Gazeta Press, publicada na Placar online, com o título reproduzido acima. E, na sequência, o jornal ABC Color, do Paraguai, edição também online. “El portal brasileño Gazeta Press publicó una nota que no puede pasar desapercibida. Es la historia del Olimpia Fútbol Club, un club que tiene sede a unos 600 kilómetros de Belo Horizonte, en San Pablo. Conozca su historia en este artículo”, inicia a sua matéria.

O Diário reproduz as duas matérias. Primeiramente, do Gazeta Press:

GAZETA PRESS —A 600 quilômetros de distância do Mineirão, o município paulista de Olímpia tem uma população (pouco mais de 50.000 habitantes) insuficiente para lotar o estádio onde será decidido o título da Copa Libertadores da América de 2013. “Mas estamos na final e vamos fazer o possível para vencer”, sorriu Milton Aparecido da Silva, presidente do Olímpia Futebol Clube, apropriando-se do feito do Club Olimpia do Paraguai.

time-do-olimpia-de-sao-paulo

A brincadeira feita por Milton já virou comum entre torcedores, simpatizantes e até adversários do Olímpia-SP, equipe da última divisão do futebol paulista. Se o site oficial do finalista da Libertadores saiu do ar às vésperas da final com o Atlético-MG, o do seu homônimo brasileiro passou a receber muitos cliques de visitantes paraguaios. “Eles estão deixando um monte de mensagens para a gente”, contou o presidente. Quando conversa com dirigentes de outros clubes do Estado, ele fica ainda mais orgulhoso ao ouvir a pergunta: “O que você está fazendo aqui? Não acompanhou a delegação do seu time em Belo Horizonte?”.

Apesar do desejo de estar ao lado do Club Olimpia na capital mineira, o Olímpia Futebol Clube não deixou de ser brasileiro. Seus dirigentes querem resistir à tentação de apoiar a equipe homônima na Libertadores para mostrar nacionalismo e torcer para o Atlético reverter a derrota por 2 x 0 do jogo de ida. “Até porque o Olímpia legítimo é o brasileiro. O outro é paraguaio, pirata!”, gargalhou Gustavo Boscon, idealizador e vice-presidente do Grupo de Apoio a Olímpia (Gapo), que administra o time paulista.

O Olímpia tem até mesmo algo em comum com o Atlético. No início dos anos 1990, quando o clube viveu o seu auge (disputou a Série A-1 do Campeonato Paulista em 1991), moradores da cidade do noroeste do Estado denunciaram à polícia um galo que não parava de cantar à noite. O time local adotou o animal como mascote e chegou a levá-lo para alguns jogos no Estádio Tereza Breda (a única arena paulista a ter o nome de uma mulher, segundo os olimpienses). A tradição foi mantida pelo já falecido gandula Jair Roberto Rocha, que adotou outro galo na temporada passada – o bicho ganhou uniforme e era paparicado até com picolés após as partidas.

Há uma peculiaridade, no entanto, que faz o Galo de Olímpia soar provocativo para os atleticanos. ‘Tenho uma empresa de fertilizantes e vou muito a Minas Gerais a trabalho. Quando estou por lá, o pessoal diz que o nosso Olímpia cometeu o maior sacrilégio do mundo com o Atlético. O nosso mascote é o galo azul! Justamente a cor do Cruzeiro! Ou seja, temos um galo cruzeirense!’, comentou Gustavo, o dirigente do Gapo. “Mas galo azul é mais forte ainda, sô! Somos Galo também, como o Atlético!”, bradou o presidente Milton Aparecido.

O desejo de Milton em encontrar semelhanças com os finalistas da Libertadores é tamanho que ele chegou a colorir o uniforme alvinegro do Olimpia paraguaio quando falava sobre o Galo. “Você já viu a camisa deles? Existe um pouco de azul ali, com certeza”, garantiu. Certo ou errado, o mandatário do Olímpia celeste já pensou em uma maneira de vestir o seu time como os tricampeões da Libertadores.”Estão me falando para colocar uma faixa horizontal na nossa camisa branca, para ficar parecida com a deles. Estou pensando nisso, viu? Quem sabe se esse título contra o Atlético for confirmado? Qualquer aposta em marketing é interessante”, afirmou.

Gustavo Boscon sabe bem como é o uniforme do Olimpia do Paraguai. Há três anos, o vice-presidente do Gapo esteve em Assunção para uma viagem de negócios e fez questão de comprar uma camisa da equipe xará. Na noite de segunda-feira (22), ele tirou a indumentária do armário, vestiu e ergueu os polegares para posar para uma foto para a Gazeta Esportiva. “Vou jogar futebol daqui a pouco com essa mesma camisa, que é original! É legal brincar com o pessoal em razão dessa coincidência entre os Olímpias. Muita gente da cidade está orgulhosa por causa da decisão da Libertadores. Vamos acompanhar atentamente. Queiram ou não, os paraguaios estão ajudando a nos divulgar”, disse.

O empresário não guarda com carinho somente os uniformes dos Olímpias. Ele tem o Palmeiras como segundo time, enquanto o presidente Milton se diz “pelezista” e admira a notória semelhança entre os escudos do Olímpia e do seu Santos. “No interior, todo o mundo escolhe um time grande para torcer. É por isso que lançamos a campanha ‘Olímpia, meu primeiro time’, espalhando adesivos pela cidade. O objetivo é que o clube da capital seja o segundo no coração das pessoas. Mas sabemos que a missão é complicada, pois o Olímpia está praticamente falido, começando a se reerguer só agora”, reconheceu Gustavo.

Distante das glórias do Olimpia do Paraguai, campeão mundial em 1979, o Galo Azul está no vermelho há algum tempo. “Fomos abalados por uma gestão que ficou 12 anos no clube, colecionando quedas, quedas e quedas de divisão. O público se afastou”, lamentou Gustavo. Em 2011, ainda na condição de torcedor, ele decidiu por si próprio tentar reverter a situação. Seu time sofreu uma goleada por 5 x 1 do grande rival Barretos na ocasião. “Foi uma saraivada. Barretense, a minha mulher até comemorou um gol deles”, lembrou o empresário, que conteve a vontade de arremessar um copo de refrigerante contra a esposa, mas não a ideia de criar o Grupo de Apoio a Olímpia (Gapo).

Fundado em 5 de dezembro de 2011, o Gapo reuniu 25 empresários e profissionais liberais do interior paulista com o objetivo de salvar o Olímpia da falência. Emprestou o seu CNPJ ao endividado clube e passou a tentar resgatar os torcedores da cidade. Entre as ações de que Gustavo Boscon se orgulha, estão as reformas estruturais e as captações de oito anunciantes para a camisa do time, de 32 para as placas de publicidade do estádio e de 500 sócios-torcedores. Os associados aumentaram as receitas do clube com o pagamento mensal de R$ 30 ou R$ 50 – o valor varia de acordo com o local da arquibancada de onde se assiste aos jogos. Em troca, recebem camisas oficiais, ingressos para todos os jogos e o direito de participar de sorteios de televisores e até de motocicletas. “Se não fosse o Gapo e tudo isso que fazemos, o Olímpia já teria acabado”, assegurou o criador do grupo.

Houve também uma polêmica mudança diretiva no Olímpia a partir da introdução do Gapo. Ex-presidente do Barretos, Milton Aparecido da Silva assumiu o comando do clube rival neste ano, após a renúncia de Valter Joaquim Bitencourt. “É claro que um ou outro torcedor ainda pode ficar meio desconfiado por eu ter sido do Barretos, mas o pessoal sabe que proporcionei alegrias lá. Ajudei no acesso deles. Além disso, o meu irmão (Airton, eleito vice-presidente) é um empresário bem estabelecido em Olímpia”, argumentou, mas sem esquecer as suas raízes. “Posso voltar ao Barretos um dia. Eu gostaria disso. O objetivo é que todos os times da região estejam fortes, em divisões melhores.”

Para o sonho do presidente se concretizar, Gustavo sugere a criação da Liga do Noroeste Paulista para a disputa de um torneio forte, alimentado pela rivalidade regional, e para aumentar a representatividade da região na Federação Paulista de Futebol (FPF). “Poderíamos colocar essa Liga no lugar da Copa Paulista, que não dá renda nenhuma. Se a Segunda Divisão já é catastrófica, imagine a Copa Paulista. É um fracasso. Além disso, os clubes do interior deixariam de ser barrigas de aluguel para empresários. A verdade é que estamos muito largados pela FPF hoje, sendo vítimas de uma distribuição desigual de cotas. Do jeito que as coisas estão, o futebol do interior de São Paulo está fadado ao fim”, alertou o dirigente do Gapo.

Na árdua tarefa de evitar o pior, o Olímpia pode buscar inspiração justamente no seu velho xará. Primeiro time da história do Paraguai (foi criado em 1902, um ano antes da fundação da cidade paulista de Olímpia – o clube brasileiro é de 1946), o Club Olimpia caiu em desgraça desde que conquistou a Libertadores de 2002 sobre o São Caetano, no ano do seu centenário. Ficou 11 anos sem levantar um troféu nacional – jejum que terminou em 2011 – e ainda hoje enfrenta graves problemas financeiros.

“O que mais me chama a atenção desse Olimpia do Paraguai é a sua força de vontade. Os jogadores estão há nove meses com salários atrasados, e um deles (o lateral Sebastián Ariosa) até descobriu um câncer. Por isso, mesmo que eles não vençam o Atlético, essa campanha na Libertadores já foi histórica. Um clube paraguaio limitadíssimo, que estava sem patrocínio algum, foi para a final da maior competição da América. Isso deveria servir de exemplo para muitos jogadores chinelinhos do Brasil, pois aqueles atletas estão resgatando uma tradição à base da raça”, declarou Gustavo.

De longe, alguns olimpienses já começaram a se espelhar na garra paraguaia para dar a sua própria volta olímpica. O objetivo do Olímpia brasileiro pode não ser a conquista de uma Libertadores sobre o Galo mineiro, mas ao menos outros triunfos como os da Série A-2 de 1990 e das Séries A-3 de 2000 e 2007. O time também quer formar outra vez ídolos como Juninho Fonseca, natural da cidade, que fez fama no Corinthians. Ou ser o destino de mais atletas renomados, como o tetracampeão mundial Viola (jogador do clube em 1991) ou o calvo Basílio (1995), que passou por Palmeiras e Santos. Em último caso, protagonizar de novo episódios folclóricos – o gandula Marcos Benedito da Silva, que invadiu o campo para evitar um gol do Araçatuba em 1993, hoje tem mais espaço na memória dos torcedores do que Leônidas da Silva, cuja despedida do São Paulo foi em um jogo em Olímpia, em dezembro de 1950.

“Tudo isso só depende do nosso trabalho”, conscientizou-se Gustavo Boscon, antes de guardar novamente a sua camisa paraguaia, mas não pirata, do Club Olimpia bem próxima da azul-cruzeiro do Olímpia Futebol Clube.

A MATÉRIA DO ABC COLOR:

El Olimpia brasileño también juega su partid

El portal brasileño Gazeta Press publicó una nota que no puede pasar desapercibida. Es la historia del Olimpia Fútbol Club, un club que tiene sede a unos 600 kilómetros de Belo Horizonte, en San Pablo. Conozca su historia en este artículo.

Imagínese: a un día de la final de vuelta de Copa Libertadores, Olimpia de Paraguay está a un paso de su cuarta Libertadores pero aparece en el horizonte la historia de otro Olimpia, el Olimpia brasileño, que también adoptó como mascota a un gallo (como el Atlético Mineiro) de color azul (color del Cruzeiro, rival acérrimo del Mineiro).

El portal brasileño Placar reproduce una nota de Gazeta Press que cuenta la historia de este modesto club, que milita en la última división del fútbol paulista.

“Estamos en la final y vamos a hacer lo posible para ganar”, dijo entre risas Milton Aparecido Da Silva, presidente del Olimpia Fútbol Club, aprovechándose de lo hecho por Olimpia de Paraguay, indica el informe.

“Sus dirigentes quieren resistirse a la tentación de apoyar al equipo homónimo en la Libertadores para mostrar nacionalismo y apoyar al Atlético Mineiro (…) “Porque el Olimpia legítimo es el brasileño. El otro es paraguayo, ¡pirata!”, ‘cacareó’ Gustavo Boscón, idealizador y vicepresidente del Grupo de Apoyo a Olimpia (Gapo), que administra el equipo paulista”, reza parte de la nota. Pero Boscón lo dice en broma, porque después dijo que ya estuvo en Asunción y compró un par de camisetas originales de Olimpia y comentó que va a alentar al paraguayo porque, se quiera o no, “el Olimpia paraguayo está ayudando a divulgarnos”, contó.

El presidente del club inclusive está pensando en incluir la franja negra de Olimpia de Paraguay en la remera del de Brasil. “Cualquier apuesta en marketing es interesante”, afirmó.

El equipo está en la ciudad de Olimpia, que tiene 50.000 habitantes, inclusive menos que la capacidad del estadio Mineiro, donde se disputará el juego este miércoles por la noche.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *