Crea-SP ignora Justiça e mantém eleições

Publicado em 11 de novembro de 2011 às 11h15
Atualizado em 11 de novembro de 2011 às 11h15

Apesar de uma liminar da Justiça Federal mandar suspender a eleição do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia-SP) na terça-feira (8), a entidade não paralisou a votação.

Os profissionais representados pelo órgão puderam votar livremente nos seis candidatos a presidente, mesmo com o impedimento legal. A decisão da Justiça foi motivada por problemas na distribuição de urnas no Estado.

Na liminar, o Tribunal Regional Federal do Distrito Federal entendeu que a comissão eleitoral do Estado não cumpriu determinação da própria Justiça, expedida em 28 de outubro, relativa à distribuição das urnas pelo Estado de São Paulo. Durante o dia, o próprio site do Crea-SP divulgou o andamento do pleito e até publicou foto do prefeito, Gilberto Kassab (PSD), e de outros engenheiros votando.

À noite, o Seesp (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo) pediu que a PM fosse até a sede do Crea-SP, um dos locais de votação, para impedir a eleição. Os policiais, porém, não chegaram a entrar e o pleito continuou. O presidente da comissão eleitoral federal, Afonso Lins, considerou “absurdo” o não cumprimento da suspensão das eleições. “Eles foram avisados por volta das 14h, mas se negaram a cumprir a decisão [da Justiça]”, disse.

A Folha procurou a assessoria de imprensa do Crea-SP no início da tarde, mas não obteve resposta. Já o coordenador da comissão eleitoral do Estado, Arlei Arnaldo Madeira, disse que a suspensão das eleições foi apenas um “boato”, que a votação “ocorreu normalmente, seguindo o regimento” e que, às 21h, os votos já estavam sendo apurados.

URNAS

Para Jomazio Avelar, 71, empresário e um dos candidatos que se declaram de oposição, a distribuição das urnas no Estado desfavoreceu a sua candidatura e a de outro candidato, Murilo Pinheiro, 57, presidente do sindicato estadual. “Os números mostram que a intenção foi privilegiar os eleitores do interior, onde o grupo da atual presidência, há 30 anos no poder, tem seu curral eleitoral”, diz.

Segundo Avelar, foram distribuídas 21 urnas na capital, onde há 80 mil eleitores. No interior, com 60 mil eleitores, foram 319 urnas, afirma.

Em sua decisão de 28 de outubro, a Justiça Federal determinava que se cumprissem as exigências da comissão eleitoral federal de “imediata realocação de urnas, com consequentes distribuições necessárias de eleitores”.

Segundo Murilo Pinheiro, não foi só a distribuição das urnas o problema. Ele diz que algumas empresas onde as urnas foram instaladas não tinham seus próprios profissionais na lista das pessoas que poderiam votar no local. Foi o caso da sede do Metrô, por exemplo.

Segundo o sindicato, cerca de 210 mil engenheiros estavam habilitados a votar. (Vanessa Correa, Folha de S.Paulo)

DENÚNCIA DO SINDICATO

CAPITAL
21 urnas
para 80 mil eleitores

INTERIOR
319 urnas
para 60 mil eleitores

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