Geninho abre ano escolar pedindo aos professores para que "sejam espelhos de bons exemplos". Aulas começam na quinta, 10

Publicado em 07 de fevereiro de 2011 às 13h09
Atualizado em 07 de fevereiro de 2011 às 20h29

DSC06766Exatos 4.760 alunos do pré escolar à quinta série do ensino fundamental voltarão às escolas municipais, geridas pela Secretaria da Educação de Olímpia, na quinta-feira (10). Hoje, às 8h30, houve a cerimônia de abertura do ano letivo no Centro de Convivência do Idoso (CCI), no Jardim Universitário, com a presença dDSC06745o prefeito Geninho Zuliani (DEM) e da palestrante convidada pela Editora Positivo, Emília Cipriano.

“O prefeito e a secretária (Eliana Bertoncelo Monteiro) são os responsáveis pelas políticas públicas da Educação, mas, durante quase todo o ano, o contato dos alunos serão com vocês, professores e professores, os espelhos que eles terão como exemplos a seguir. Não adianta discurso e sim exemplo”, disse o prefeito ao cumprimentar os professores pelo novo ano letivo.

Na abertura, a secretária Eliana Bertoncelo também deu as boas-vindas aos presentes, que representam 280 professores efetivos e outros cerca de 200 contratados temporariamente (ACT’s), além de 23 diretores de escolas, abrangendo o município e os dois distritos  – Ribeiro dos Santos e Baguaçu. Alunas fizeram demonstrações de ginástica olímpica e com fita e bola.

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Em seguida, o prefeito Geninho leu um texto, que foi divulgado na “Folha de S.Paulo” e que recebeu em seu MBA (Master of Business Administration), que está fazendo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no final de semana: “Guga poderia virar um assassino?” que, em síntese, retrata as vantagens de uma criança receber boa educação familiar, religiosidade e valores educacionais, comparando com outra que vive em ambiente desestruturado, sem esperança e valores. Leia o texto completo abaixo.

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“O exemplo que cada um de vocês, professores e professores, irá dar dentro da sala de aula e muito importante para que cada aluno possa saber que ele tem um mestre, respeitá-lo em contrapartida e, daqui uns 15 a 20 anos, lembrar, como eu fiz, numa oportunidade como esta que ‘aquele foi meu professor’ ou ‘aquela foi a minha professora que até hoje tenho como exemplo de vida’, e assim que esperamos educar os nossos filhos nas escolas municipais, pagas com o dinheiro de cada cidadão”, disse o prefeito.

Geninho disse que, “com infinita saudade, lembro até hoje de alguns professores e professoras que fizeram parte de minha vida e de outros que apenas sinto saudades, de nem todos, mas me marcou muito a primeira professora, da primeira série, saudosa Lourice Arutin Sgorlon, ela me ensinou a ler e escrever, uma dedicação profissional extrema”.

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O prefeito lembrou, também, do professor Ivo de Souza, sentado na primeira fila da abertura do ano letivo, à sua frente; e do diretor de escola Altino Robazzi, da escola Capitão Narciso Bertolino: “Foi muito rígido, duro, mas todos aprenderam a admirá-lo, porque, em outro lado, quando o aluno precisava dele, era terno, sabia ouvir e ajudar a resolver aquele problema”.

E, arrematou: “A história vai se encarregar de revelar quem são, e quais serão, os educadores, que, por espelho desses, serão lembrados no futuro, da mesma forma que esses três que citei: professora Lourice, diretor Altino e professor Ivo que, felizmente, ainda está entre nós, mas não mais na ativa”.

A PALESTRANTE

DSC06761A pesquisadora paulistana Emília Cipriano, pedagoga e assistente social, mestre em Psicologia da Educação e doutora em Educação foi a convidada que inaugurou hoje a temporada 2.011 do ano letivo em Olímpia.

Segundo a secretária Eliana Bertoncelo, “ela abordou um tema que, por pesquisa na rede, descobrimos ser necessário enfatizar, que é a formação em serviço, ou seja, o professor continua aprendendo, mesmo que dando aula”.

Não houve custo na vinda da palestrante, pois veio a convite da editora Positivo, ressalta Eliana.

Segundo ela, “o ato de educar permite ensaios, mas, não, erros, diferente do ato de aprender onde o erro e o acerto caminham juntos. Educador, estamos iniciando mais um ano letivo, planeje cuidadosamente para não cometer erros, forme-se para formar, valorize-se para ser valorizado, pratique o afeto para ser acolhido afetuosamente e não se esqueça que um bom mestre marcará para sempre seus alunos e, por eles, será sempre aplaudido”.

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GUGA PODERIA VIRAR UM ASSASSINO?

Dois jovens, quase a mesma idade, poucos meses de diferença, comoveram, na semana passada, o Brasil.
Um deles é branco, 23 anos, ganhou fama com uma raquete de tênis na mão. Outro, negro, 22 anos, ganhou fama com um revólver na mão.
Na segunda-feira, Gustavo Kuerten, o Guga, cercado de fãs, se deixava fotografar em frente à Torre Eiffel, com o troféu que levou no torneio de Roland Garros, que projetou-o para o primeiro lugar do ranking mundial _ e o deixou U$ 600 mil mais rico.
Naquele mesmo dia, Sandro do Nascimento, cercado de policiais, depois de um atabalhoado sequestro, era jogado num camburão, onde morreu sufocado _ ele queria R$ 1 mil.
Ambos foram acompanhados, minuto a minuto, em tempo real, seja na quadra de tênis ou no ônibus. Cada qual ficou em seu palco, quase quatro horas, conectados pela TV. Mas o suspense provocado pela raquete de Guga, nas quase 4 horas que precisou para derrotar o adversário, nos ensina sobre o que melhor podemos ser, graças à união da técnica, talento e perseverança.
O suspense de Sandro, também quatro horas no ônibus em que tinha o mundo adversário e uma refém nos braços, nos ensina sobre o que pior podemos ser, graças à união da falta de técnica, despreparo e omissão.
Pelo seu jeito desengonçado, Guga não inspirava confiança quando ganhou pela primeira vez Roland Garros e rompeu a barreira do anonimato.
Sandro nunca inspirou confiança e só rompeu a barreira do anonimato quando sequestrou, matou e foi assassinato _ seu único dia de notoriedade foi também seu último dia de vida, ele que escapara da notória chacina da Candelária.

*

Se, numa hipótese absurda, jogássemos Guga, naquele mesmo ano em que nasceu, no ambiente que levou Sandro para a rua, provavelmente estaria preso ou morto. Guga chegou aonde chegou porque recebeu apoio, estímulo e orientação.
Vimos, pela TV, que, encerrado o jogo, domingo passado, ele quis saber onde estava seu técnico e, estilo menino travesso, subiu as cadeiras para abraçá-lo.
Nas saudações, falou de seus familiares e, num simpático gesto provinciano, mandou pelas câmeras beijos para os parentes.
Sabia que, por trás do troféu, estavam os familiares e o técnico.
Todo grande vencedor tem uma grande dívida com alguém que o ajudou a prosperar.

*

Sandro chegou aonde chegou porque, ao contrário, lhe faltou apoio, estímulo e orientação.
Não teve ajuda da família, da escola ou de instituições públicas. Pior, elas apenas serviram para marginalizá-lo, mantendo-o deseducado e, por consequência, desempregado.
Por trás do corpo asfixiado estava a família desestruturada, devastada pela violência e drogas.
Todo grande derrotado também têm um grande crédito com alguém ou algo que o ajudou a afundar.
Nessa quadra chamada Brasil, Guga e Sandro estavam divididos exatamente pelas linhas que incluem e excluem, que dão ou tiram chances, que fazem prosperar ou regredir.
A quadra que faz derrotados e perdedores.

*

Se temos mais medo e vergonha do Brasil do que orgulho e confiança é porque nossas linhas divisórias criam mais espaço para gerar Sandros do que Gugas.
Desemprego, subemprego, baixos salários, educação pública ruim, políticas públicas indigentes para recuperar jovens, tratar drogados e assessorar famílias desestruturadas, são os fatores que empurraram o transtornado Sandro para dentro daquele ônibus, no Jardim Botânico.
Os números mostram, com clareza, como o desemprego atinge, mais pesadamente, em particular aqueles com baixa escolaridade.
E também mostram como a renda está caindo especialmente nas regiões metropolitanas.

*

Deterioração das regiões metropolitanas, baixa escolaridade, desemprego acentuado entre os jovens, são as linhas dessa quadra de exclusão.
Nesse jogo da morte, não há polícia que, de fato, funcione. Nem prisão que abrigue tantos delinquentes.
Vamos seguir produzindo mais chances de Sandros do que Gugas.
Somos, enfim, uma nação de perdedores.

***


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3 comentários

  1. josieli disse:

    parabens geninho eu concordo com tudo isso parabens mesmo

  2. Rogerio disse:

    Boa tarde ! à todos os leitores eu gostaria de fazer um comentario sobre a educação que o prefeito falou falar é bonito né ate papagaio fala gente, eduacação vem de um bom trabalho empergo infeslismente é assim se vc ganha bem vc tem como dar uam boa escola a seu flho gete e aqiu so tem o thermas que tem meia duzia ganhando dinheiro

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