Relações no Trabalho: drama ou comédia?

Publicado em 26 de fevereiro de 2013 às 23h11
Atualizado em 26 de fevereiro de 2013 às 23h12

Mais uma importante colaboração da psicóloga rio-pretense Karina Younan para o Diário de Olímpia abordando relações no trabalho. Vale a pena ler e refletir:

Por Karina Younan

Para o filósofo grego Aristóteles, o homem é um animal político. É através dos relacionamentos que se realiza, que sua existência ganha contornos e se estabelece. Sabemos que é justamente nesses relacionamentos, que aparecem os conflitos, tensões, desentendimentos. As diferenças individuais podem enriquecer as relações tanto quanto se tornar um desafio à sobrevivência profissional, pessoal e psicológica.

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Elton Mayo 6A “arte” da boa convivência talvez seja a maior necessidade humana. E. Mayo, um dos grandes estudiosos da realidade do trabalho, se preocupava ao constatar que a maior deficiência humana estava na incapacidade de conseguir a cooperação e a compreensão de um outro, afirmando que “foram desastrosas para a sociedade as consequências do desequilíbrio entre o desenvolvimento de aptidões técnicas e das habilidades sociais”. A competência para a boa convivência é tão importante hoje nos quadros das organizações quanto a inteligência, a determinação, o conhecimento ou as habilidades profissionais de uma forma geral.

O estudo das inter-relações entre a Saúde Mental e o Trabalho situa-se em um campo interdisciplinar complexo, abrangente e ainda insuficientemente examinado. Se por um lado o significado de “trabalho” caracterize uma atividade que possibilita a subsistência dos indivíduos, por outro ela também deve significar a realização de uma obra que “expresse” o sujeito, dando-lhe reconhecimento social. L. Dobb percebeu em suas pesquisas com trabalhadores que os esforços rotineiros e repetitivos, sem possibilidade da livre expressão, traz um desconforto inevitável, levando as pessoas à descompensações em sua saúde mental e adoecimento.

Os estressores são as condições derivadas das características da organização como: ritmo intenso, jornadas extensas, riscos de acidentes e de doenças, isolamento a que são submetidos alguns trabalhadores, as formas de controle e as avaliações desenvolvidas na organização e na hierarquia.

Como um dos sintomas é o sentimento de menos valia, comprometem a convivência com os colegas e com as tarefas a serem realizadas, além da desmotivação frente a situações prazeirosas. Nos casos mais graves, a orientação é para o afastamento funcional do sujeito, evitando-se danos à sua própria saúde física e mental como a dos seus colegas, além do comprometimento da qualidade de seus serviços.

Os indicadores de estresse no trabalho são mais trágicos do que cômicos: queda da eficiência; ausências repetidas; insegurança nas decisões; protelação; sobrecarga voluntária de trabalho (sim, denota estresse); uso abusivo de medicamentos; irritabilidade constante; explosão emocional fácil.

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Nos grupos, o estresse se manifesta na forma de politicagem e sabotagens pessoais, e nas Organizações aparecem como: greves; atrasos constantes nos prazos; ociosidade, sabotagem; alta rotatividade de funcionários; altas taxas de doenças; baixo nível de esforço; vínculos empobrecidos; relacionamento entre os funcionários caracterizados por rivalidade, desconfiança, desrespeito e desqualificação. Os sintomas não devem ser ignorados, e ajuda profissional para evitar maiores prejuízos, e dramas.

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