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Ousemos fazer o bem, escreve Padre Ivanaldo

Num dia de sábado, na sinagoga, lugar de encontro para a oração, Ele cura aquele que o Evangelho Segundo Marcos chama de homem da mão seca. No sábado, dia sagrado, não era permitido fazer nada. Todos acompanham, atentamente, acusativamente a ação de Jesus que pergunta: “É permitido no sábado fazer o bem ou o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Diante do silêncio, Ele olha com tristeza, porque eram duros de coração. Realiza a cura. Os mestres do povo tramam como haveriam de matá-Lo.

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Prefiro caracterizar a cura do homem como sinal ao invés de milagre. O entendimento imediato de milagre desperta a sensação de coisa de outro mundo, mágica. Sinal, segundo o evangelista João, é algo real e concreto que objetiva transmitir uma mensagem para além da aparência. O semáforo nos auxilia na compreensão: cada cor, cada sinal, transmite-nos uma mensagem, um ensinamento.

A verdade que a ação de Jesus quer transmitir ultrapassa a cura em si. Ele propõe refletir acerca da prática do bem e de o quanto deixamo-nos escravizar pelas convenções pessoais, grupais, sociais e religiosas, quando estas submetem a dignidade humana ao crivo de leis que têm por objetivo agradar grupos que, acima de tudo, querem perpetuar-se no poder. Jesus não desmerece ou diminui o valor da religião, enquanto instrumento que aproxima o coração do homem do coração de Deus. Ele questiona sim, a prática deturpada e corrupta da religião.

A dureza dos corações não foi razão para que Jesus deixasse de agir. Tantas vezes deixamos de cumprir nossa missão, fazer a diferença para melhor na vida de alguém, justificando-nos através da dureza dos corações. Não ajudo porque muita gente ali não presta; não fui porque o fulano estava lá; não participo por culpa deste ou daquele… O mais profundo ensinamento desta passagem é: a dureza do coração de quem quer que seja não é razão suficiente para deixarmos de fazer o bem. Tantas vezes, escondemo-nos, covardemente, atrás da dureza dos corações dos outros.

E o homem da mão seca? A ele se comparam tantos, também nós, quando precisamos que alguém ouse ultrapassar os limites da lei escravizante, quebrar o protocolo, para nos curar: um abraço, um sorriso, um conselho, uma advertência, a presença silenciosa, tantas vezes, é tudo o que precisamos para que nosso coração seja liberto da secura, aspereza e rigidez que machucam profundamente. Não poderia ser depois. Tinha que ser naquele dia, naquele lugar, naquela hora. Deixar para depois, pode não fazer a diferença para quem tem condições de ajudar, mas faz toda a diferença para quem precisa de ajuda. Ousemos fazer o bem, sempre!

 

 

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia, Coaching

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Um comentário em “Ousemos fazer o bem, escreve Padre Ivanaldo”

  1. 17. Um primeiro capítulo será assim dedicado à redescoberta do coração da evangelização, ou da experiência da fé cristã: encontro com Jesus Cristo, Evangelho de Deus Pai para o homem, que nos transforma, nos reúne e nos introduz, graças ao dom do Espírito Santo, numa vida nova, da qual fazemos já experiência no presente, precisamente ao sentirmo-nos reunidos em Igreja, e pela qual nos sentimos enviados com alegria pelas estradas do mundo, na esperança do cumprimento do Reino de Deus, testemunhas e anunciadores alegres do dom recebido. No capítulo seguinte, o segundo, o texto desenvolve a reflexão sobre o discernimento de evidenciar as transformações que interessam à nossa forma de viver a fé, e que influenciam as nossas comunidades cristãs. São analisados os motivos da difusão do conceito de nova evangelização, os diferentes modos das Igrejas particulares de nele se reconhecerem nele. No terceiro capítulo, faz-se a análise dos lugares fundamentais, dos instrumentos, dos sujeitos e das acções, graças aos quais a fé cristã – que deve ser professada, celebrada, vivida e rezada –, é transmitida: na liturgia, na catequese e na caridade. Nesta mesma linha, por fim, no quarto e último capítulo, discute-se sobre os sectores da acção pastoral especificamente dedicados ao anúncio do Evangelho e à transmissão da fé. Trata-se daqueles clássicos, aprofundaremos os mais recentes, que surgiram para responder aos estímulos e às solicitações que a reflexão sobre a nova evangelização coloca às comunidades cristãs e à sua forma de viver a fé.

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