Orkut ‘morre’ em 30 de setembro. Com ele, parte de nossas vidas (virtuais e reais)

Publicado em 02 de julho de 2014 às 21h24
Atualizado em 02 de julho de 2014 às 22h15

A partir do dia 30 de setembro a que já foi a maior rede social do mundo deixará de existir: o Orkut. Com ele, a ponte que ligou este editor, Leonardo Concon, de Olímpia (SP), com a sua atual esposa, Laudiceia Cordeiro Morais, de Recife (PE). Coincidentemente, 30 de setembro é o aniversário deste mesmo editor. O Orkut teve esse condão: o de unir, desunir, encontrar, desencontrar, e de muitas aventuras pessoais. Principalmente, comunidades públicas.

lau-leo

Tudo era motivo para ter comunidade, do motivo mais sério, científico ou cultural, religioso ou meramente profissional, para o fato de pessoas afins gostarem, por exemplo, de cabelos longos, covinhas no rosto etc.

Este editor fundou algumas comunidades, entre elas a da Família Concon. Hoje, com apenas 36 sobreviventes.

concon

Olímpia mantém várias, como da própria cidade, do Thermas dos Laranjais… inclusive com mais de 13 mil usuários.

thermascomuna

thermas

olimpia

Hora de salvar

Quem ainda tem contas no Orkut pode acessá-las até o dia 30 de setembro para salvar fotos, depoimentos e scraps (recados).

Também é possível exportar os álbuns de fotos para o Google+. Novos integrantes não são mais permitidos desde anteontem. Quem não fizer os downloads até a data, pode usar o Google Takeout até setembro de 2016 para salvar fotos e textos mesmo com a página sem funcionamento. O domínio www.orkut.com deverá ser deletado.

Rede social foi divisor de água

Criada em janeiro de 2004 por Orkut Büyükkökten, funcionário do Google na época, a rede social que leva o nome de seu criador foi a primeira a conquistar o Brasil. Chegou a ter 40 milhões de brasileiros cadastrados no serviço em 2008. Até 2011, antes da explosão do Facebook, dominava a internet. Para Adriano Mauro Cansian, especialista em segurança de rede virtual do Ibilce/Unesp, o sucesso do Orkut se deve à novidade que foi e ao momento no qual foi criado. Quando lançado no Brasil, oferecia facilidades para compra de computadores.

“Foi um divisor de águas. Um fenômeno que ocorreu no Brasil e na Índia. O Orkut era uma novidade e pegou no momento em que o brasileiro começou a descobrir a internet. Os impostos sobre computadores foram reduzidos, e os preços caíram de R$ 2 mil para R$ 900, por exemplo”, disse.

A rede ditava as tendências online, mas foi perdendo força devido à exposição de pessoas – como nos casos de pedofilia nas páginas, denunciadas pelo Ministério Público Federal de São Paulo – e devido à falta de investimentos por parte de seus criadores. “Não era uma ferramenta lucrativa, porque atraiu pessoas de baixo poder aquisitivo e era muito limitado, com muitos problemas de privacidade”, explica Cansian. Com a divulgação maciça do Facebook entre os anos 2009 e 2011, começou a perder seus usuários para a nova rede e ficou quase esquecido.

Grupo faz petição e tenta impedir fim

Mesmo quase esquecido e pouco utilizado se comparado ao Facebook, o Orkut ainda tem fãs. Um grupo de usuários chegou a criar uma petição online para pedir que o Google recue e não encerre a rede social. O documento disponibilizado no site Avaaz.org havia sido assinado por quase 57 mil pessoas até a tarde de ontem. A meta é chegar a 75 mil.

Os autores da petição afirmam que essa rede social “possui um importante sistema de organização de fóruns nas chamadas comunidades. O layout permite a visualização rápida e precisa dos tópicos que compõem o fórum.

Atualmente, o site abriga fóruns de nicho com postagens diárias sobre os mais variados assuntos”. Por isso, solicitam ao Google que não encerre a página ou que crie métodos de preservação dos modelos de organização de fóruns em comunidades. “Algo que não existe no Google Plus, cujas comunidades que existem se assemelham aos grupos do Facebook. Se o Orkut ainda teve algum movimento foi graças ao atual modelo de comunidades”, afirma o texto da petição.

Fonte: Com Diarioweb

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